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Regra mais dura de falta e mudança de escola: entenda plano que altera carreira de professor em SP

Proposta deve ser analisada pela Alesp; segundo o governo paulista, a medida tem como foco modernizar as normas de progressão, remoção e valorização dos profissionais da educação, introduzindo critérios objetivos de avaliação e bonificação; Sindicato se opõe às mudanças

4 nov 2026 - 12h41
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Resumo
O governo de SP enviou à Alesp um projeto de lei que endurece as regras da carreira docente na rede estadual. A proposta prevê o desconto de um dia inteiro de salário para quem faltar a duas aulas, condiciona bônus a avaliações e permite a transferência de professores com baixo desempenho por meio de um sistema de pontuação. Enquanto a gestão Tarcísio defende a modernização e o combate ao absenteísmo, o sindicato protesta contra a perda de direitos e o risco de remoções arbitrárias na categoria.

O projeto de lei que altera a carreira dos professores da rede estadual de ensino voltou à pauta da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O PL 1.316 de 2025, da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), estabelece mudanças nas regras de descontos salariais por faltas, critérios de remoção escolar, avaliações de desempenho para promoções e a reestruturação da carreira. O projeto foi incluído na pauta de votação da Alesp publicada no Diário Oficial desta quarta-feira, 4, em regime de urgência. A Alesp informou, no entanto, que ainda não há uma previsão de que ela seja votada nesta semana.

O PL já havia sido destacado para votação na terça, 3, mas um protesto de professores e estudantes, que ocuparam a galeria da Assembleia Legislativa, causou o adiamento da análise da pauta.

O projeto foi protocolado na Alesp no início de dezembro de 2025. A discussão foi adiada durante o período pré-eleitoral. Em maio deste ano, a proposta recebeu uma emenda que altera o texto original e que, assim como o conjunto do projeto, ainda deverá ser analisada pelos parlamentares.

Estado de SP conta com mais de 200 mil professores na rede de ensino
Estado de SP conta com mais de 200 mil professores na rede de ensino
Foto: Governo de SP/Divulgação / Estadão

A proposta

De acordo com o projeto do governo paulista, um professor que falte em duas aulas em uma data, terá um dia inteiro de trabalho descontado do salário, mesmo que tenha trabalhado durante o resto do período.

O PL também permite que um educador seja transferido de uma unidade escolar se não atingir "grau satisfatório" na avaliação de desempenho.

Ainda segundo o texto, promoções e bonificações dependerão de avaliações teóricas, práticas ou de desempenho, com critérios que serão definidos posteriormente.

Segundo a mensagem do governo, a proposta busca aprimorar a legislação educacional, valorizando gestores escolares e aperfeiçoando os mecanismos de incentivo à qualidade da educação. As alterações propostas teriam como foco em "modernizar as normas de progressão, remoção e valorização dos profissionais da educação, introduzindo critérios objetivos de avaliação e bonificação", segundo o governo paulista.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) se opõe ao projeto, alegando que ameaça direitos, prevê a implementação do chamado "professor farol" e abre espaço para demissões e remoções arbitrárias, desrespeitando professoras e professores. "Reafirmamos nossa posição de que o projeto precisa ser retirado e vamos continuar mobilizados para isso", disse a deputada Professora Bebel (PT), presidente do sindicato.

Professor farol é uma referência usada pelo sindicato para o sistema de pontuação a ser usado na avaliação dos professores, dividida em três faixas, conforme as cores vermelho, amarelo e verde. O docente classificado na faixa do amarelo (abaixo de 80 pontos) e vermelho (abaixo de 50) pode ser vetado por diretores escolares na hora de escolher a unidade onde pretende trabalhar.

Sobre as regras para desconto do adicional de local de exercício em caso de ausência do professor, o governo diz que a medida desencoraja o absenteísmo e valoriza a assiduidade, com proporcionalidade entre faltas e repercussão remuneratória, em benefício da continuidade do serviço educacional.

Conforme a Secretaria de Educação (Seduc-SP), atualmente a rede estadual de ensino conta com mais de 200 mil professores, sendo que as mulheres são a maioria (70,5), prevalecendo a faixa etária de 40 a 49 anos.

Estadão
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