China e aliados exigem libertação imediata de Maduro
Pequim critica "comportamento hegemônico" dos EUA e pede garantias de segurança ao venezuelano preso em Nova York. Rússia, Irã e Cuba também condenam ações militares no país sul-americano.A China pediu aos Estados Unidos a libertação imediata do presidenteNicolás Maduro e o fim das tentativas de desestabilizar o governo da Venezuela, afirmou neste domingo (04/01) um porta-voz do Ministério do Exterior chinês.
Pequim já havia criticado duramente os ataques dos EUA à Venezuela neste sábado, quando forças militares americanas bombardearam alvos em Caracas e capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no complexo militar de Fuerte Tiurna.
"A China pede aos EUA que garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, que os libertem imediatamente e que cessem as ações para derrubar o governo da Venezuela", disse o ministério chinês em comunicado, classificando o ataque americano como uma "clara violação do direito internacional".
O governo do país asiático ainda declarou se opor firmemente ao "comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe". "Instamos os EUA a respeitar o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países."
Em coletiva de imprensa após a prisão de Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump , afirmou que Washington iria "governar" a Venezuela e explorar suas enormes reservas de petróleo.
Maduro e Flores serão julgados em Nova York sob acusações que incluem "conspiração para o narcoterrorismo".
Rússia, Irã e Cuba condenam ações dos EUA
Outras nações aliadas à Venezuela também pediram a libertação de Maduro e condenaram os ataques americanos em solo venezuelano.
A Rússia exigiu que os EUA "reconsiderassem sua posição e libertassem o presidente do país soberano eleito legalmente e sua esposa".
Logo após a operação americana em Caracas, Moscou acusou Washington de cometer um "ato de agressão armada contra a Venezuela". "Os pretextos usados para justificar tais ações são infundados. A animosidade ideológica prevaleceu sobre o pragmatismo comercial e a vontade de construir relações baseadas na confiança e na previsibilidade", afirmou o Kremlin, em nota.
"Na situação atual, é importante, antes de mais nada, evitar uma escalada ainda maior e concentrar-se em encontrar uma saída para a situação por meio do diálogo."
O Irã, que foi bombardeado pelos EUA no ano passado, afirmou que condena veementemente o ataque militar contra a Venezuela, que considerou como "uma violação flagrante da soberania nacional e da integridade territorial do país."
Cuba, cuja economia é dependente do abastecimento de petróleo da Venezuela, denunciou o que chamou de "terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano."
rc (AFP, Reuters, DPA)