Vídeo de bombardeio iraniano em Tel Aviv foi gerado por IA
IMAGENS TÊM NÍTIDOS SINAIS DE GERAÇÃO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, COMO DISTORÇÕES EM JANELAS, CARROS E ÁRVORES
O que estão compartilhando: vídeo que mostraria um ataque do Irã em Tel Aviv, cidade em Israel.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O vídeo foi gerado por inteligência artificial. Há diferentes sinais de distorções características de mídias criadas pela tecnologia. O Hive Moderation, ferramenta que afirma detectar o uso de IA, apontou que há uma alta probabilidade de o vídeo ser sintético.
Saiba mais: nesta quarta-feira, 4, a guerra no Oriente Médio entrou no quinto dia consecutivo. A ofensiva inclui várias frentes, como ataques aéreos. Imagens do conflito têm se espalhado com velocidade nas redes sociais.
Publicações ao redor do mundo compartilham um vídeo sob alegação de que mostraria um ataque do Irã em Tel Aviv. Somente uma postagem, publicada nesta terça-feira, 3, já acumula mais de 3 milhões de visualizações no X (antigo Twitter).
A mídia viralizada parece ser filmada de uma varada, que tem uma bandeira de Israel. Nas imagens, é possível identificar uma visão panorâmica de prédios baixos e claros em um primeiro plano. Ao fundo, há diversos arranha-céus acinzentados.
O vídeo mostra diversos rastros brancos verticais de projéteis no céu. É possível ver que ocorrem várias explosões em sequência, que formam nuvens de fumaça. O som é composto por explosões e falas em inglês: "Tel Aviv, I can't believe this" ("Tel Aviv, não consigo acreditar nisso", em português).
Apesar de ser uma mídia com bastantes detalhes, há erros característicos de conteúdos gerados por inteligência artificial. Existem distorções visíveis em janelas, árvores, carros e painéis solares. Veja abaixo.
Após a viralização do conteúdo, o analista Tal Hagin, que publica verificações de mídias geradas por IA, apontou que o vídeo é uma "inteligência artificial muito óbvia". Como evidência, ele apontou os rastros dos mísseis cortados ao meio, os carros que se misturam ao longo da estrada, o horizonte incompatível ao de Tel Aviv e a voz característica de modelos de IA.
O Verifica submeteu o vídeo ao Hive Moderation, que afirma medir a probabilidade de uso de inteligência artificial em mídias. A análise apontou que o conteúdo tem 92,9% de chance de ter sido gerado pela tecnologia.
Um dos perfis responsáveis pela publicação da mídia afirmou que, após uma verificação, constatou que as imagens foram geradas por IA. Ele disse que compartilhou o vídeo porque "a cena reflete, de forma dolorosa, o que Gaza tem sofrido sob o bombardeio israelense".
Veículos como o Le Parisien, da França, e a BBC, do Reino Unido, também desmentiram a veracidade do conteúdo viral. Os dois jornais apontaram que a mídia foi criada por IA.
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Conflito no Oriente Médio
No último sábado, 28, uma operação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã matou o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país persa. A ofensiva desencadeou ataques de retaliação na região.
Nesta segunda-feira, 2, a Guarda Revolucionária do Irã disse ter feito um ataque com mísseis contra o gabinete do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu. Imagens da Al Jazeera, Bloomberg e Associated Press mostram efeitos dos bombardeios em Tel Aviv e interceptações dos mísseis.
Já nesta quarta-feira, 4, militares israelenses anunciaram "ataques em larga escala" contra Teerã, capital do Irã. A Guarda Revolucionária do Irã, por sua vez, afirmou que exerce "controle total" sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás.
Como lidar com postagens do tipo: o conflito no Oriente Médio está sendo amplamente divulgado pela imprensa nacional e internacional. Uma maneira de verificar a autenticidade de imagens de bombardeios e confrontos é a busca reversa de imagens, já ensinada pelo Estadão Verifica (veja aqui como fazer).
A busca reversa é uma ferramenta que ajuda a descobrir se uma determinada mídia já foi compartilhada antes na internet, em quais sites e em qual contexto. No caso aqui verificado, o vídeo foi majoritariamente encontrado em republicações em redes sociais. O conteúdo não foi divulgado por veículos confiáveis.
O núcleo de checagem do Estadão reuniu dicas sobre como identificar conteúdo gerado por IA e explicações sobre como funciona a tecnologia (leia aqui). Mídias criadas pela tecnologia apresentam erros característicos que podem ajudar a reconhecer sua origem sintética.