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Vídeo com relato de violência sexual contra menina yanomami é de 2022, não recente

PÁGINA DE FACEBOOK TIROU DE CONTEXTO PUBLICAÇÃO ANTIGA DE INFLUENCIADORA DIGITAL

24 jun 2026 - 11h32
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O que estão compartilhando: vídeo em que uma mulher relata o caso de uma menina yanomami de 12 anos que teria sido estuprada e morta por garimpeiros.

Denúncia de estupro de menina yanomami ocorreu há 2 anos
Denúncia de estupro de menina yanomami ocorreu há 2 anos
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: está fora de contexto. O vídeo original é de abril de 2022. Ele foi publicado naquela época pela influenciadora Ive Brussel. No vídeo completo, ela mostra notícias datadas de 2022. Na versão que tem circulado agora, esse trecho em que fica claro que o caso é antigo foi suprimido. O caso relatado no vídeo foi arquivado pela Polícia Federal. Segundo uma liderança indígena ouvida pelo Verifica, a situação na Terra Indígena Yanomami melhorou em relação a 2022.

Saiba mais: Leitores pediram a checagem desse vídeo pelo WhatsApp: (11) 97683-7490.

O vídeo que circula fora de contexto foi publicado por uma página no Facebook que republica conteúdos da influenciadora Ive Brussel. O perfil reproduz vídeos antigos sem a informação da data.

No caso analisado aqui, a influenciadora comentava sobre um crime ocorrido em abril de 2022. Ela culpa o governo Bolsonaro pelo que ela chama de esvaziamento da Fundação Nacional do Índio (Funai). Mas esse trecho, em que fica claro que a ocorrência é antiga, foi suprimido e publicado em uma segunda postagem.

Muitos usuários não percebem que estão vendo um conteúdo de 2022. Nos comentários, vários culpam o atual governo federal pela situação. A postagem em questão teve 5,9 mil curtidas e 50 mil visualizações em 24 horas.

Caso foi denunciado em 2022 por liderança indígena

Esta seção contém descrição de violência sexual.

O presidente da Urihi Associação Yanomami, Waihiri Hekurari Yanomami, divulgou um vídeo no dia 25 de abril de 2022 em que afirmava ter ouvido relatos da invasão de garimpeiros à comunidade Aracaçá, quando teriam sido levadas uma mulher indígena, a menina de 12 anos e outra criança de 4 anos.

Segundo os relatos de membros da comunidade, os garimpeiros levaram a garota até um acampamento, onde ela foi estuprada até a morte. A mulher e a criança caíram do barco e, enquanto ela nadou até a aldeia, a criança teria desaparecido no rio. Hekurari oficializou a denúncia às autoridades, pedindo a apuração do caso.

Após dois dias, a Polícia Federal disse não ter encontrado indícios que confirmassem os crimes. Em nota divulgada em conjunto com a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), o órgão informou que foram realizadas "extensas diligências e levantamento de informações com indígenas da comunidade".

Procurado pelo Verifica, Hekurari explicou que levou a PF e a Funai até a comunidade Aracaçá, mas eles a encontraram queimada e vazia. Na época, ele gravou um vídeo mostrando o local (abaixo). O líder indígena disse que muitos yanomamis se sentiram ameaçados pelos garimpeiros, e por isso não quiserem prestar depoimento.

Hekurari disse que o caso foi arquivado por falta de provas. Para ele, além da dificuldade de colher informações, a investigação não prosseguiu por pressão política.

O presidente da Urihi Associação Yanomami relatou que a situação na Terra Indígena hoje é melhor do que a em 2022. De acordo com dados da Casa de Governo Yanomami, a área ocupada pelo garimpo ilegal foi reduzida em 98,6% entre 2024 e 2026. Em setembro de 2024, a Funai iniciou um projeto de combate à violência sexual entre yanomamis, com oficinas de conscientização. "Estamos nos reorganizando, vemos novas luzes, novos caminhos", disse Hekurari.

O Estadão Verifica procurou a PF, a Funai e a Associação Hekurari para tentar conseguir obter atualizações do caso, mas não teve resposta.

Estadão
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