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Postagens enganam ao relacionar prisão de Maduro a fartura em supermercados na Venezuela

ABUNDÂNCIA DE PRODUTOS E COMERCIALIZAÇÃO EM DÓLAR ERA CENÁRIO COMUM ANTES DA CAPTURA DO EX-PRESIDENTE, MAS POPULAÇÃO AINDA SOFRE COM BAIXO PODER DE COMPRA

5 mai 2026 - 16h42
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O que estão compartilhando: vídeo em que uma pessoa filma um supermercado na Venezuela. Ela afirma que agora há muita variedade de produtos e que os preços são em dólar. Postagens afirmam que isso é o "efeito Trump".

Postagens enganam ao atribuir abastecimento de mercados na Venezuela à operação dos Estados Unidos
Postagens enganam ao atribuir abastecimento de mercados na Venezuela à operação dos Estados Unidos
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Registros de 2024 e 2025 do mesmo supermercado mostram abastecimento similar ao vídeo viral. Jornalistas venezuelanos informaram ao Verifica que o comércio em dólar já era uma prática adotada antes da prisão de Nicolás Maduro. O principal problema que a Venezuela vem enfrentando há alguns anos não é o desabastecimento generalizado, mas sim o baixo poder de compra da população (entenda melhor abaixo).

Saiba mais: O vídeo mostra o interior de um supermercado amplo, bem iluminado e com as prateleiras cheias de produtos. "Gente, não sei se vocês lembram daqueles vídeos que a gente via dos mercados antigamente, que era tudo bem vazio e não tinha quase nada nas prateleiras. Agora já está bem estruturado, bastante coisa com variedade, e o preço (é) em dólar", diz a narração. O chamado "efeito Trump" faz referência à operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, em janeiro deste ano, que resultou na captura de Maduro.

O Estadão Verifica localizou o vídeo original, publicado em um perfil de viagens no TikTok. Em outras postagens, a responsável pela conta publicou outras imagens do mesmo supermercado, em que é possível identificar o nome "Sigo", e vídeos localizados na Ilha de Margarita, na Venezuela.

A partir dessas informações, o Verifica identificou que o vídeo viral foi gravado no Supermercado Sigo, no Shopping Sambil, na Ilha de Margarita. As imagens são compatíveis com outras filmagens do estabelecimento. Abaixo, é possível comparar um registro de 2024, à esquerda, e o vídeo viral, à direita.

A reportagem localizou gravações feitas no mesmo supermercado em 2024 e 2025 - ou seja, antes da operação dos Estados Unidos na Venezuela e da queda de Maduro. Nos vídeos, o estabelecimento está abastecido de forma similar à gravação recente. Veja abaixo.

Vale destacar que a narradora do vídeo diz que os produtos estão sendo comercializados em dólar. Nas republicações do conteúdo, as postagens sugerem que isso também seria um fenômeno associado ao presidente dos Estados Unidos. Mas a prática era comum antes da operação norte-americana no país.

Segundo o jornal mexicano Milenio, a crise econômica que a Venezuela enfrenta há anos tornou o dólar a moeda mais usada para transações diárias. O fenômeno é conhecido como "dolarização de fato", também chamado de dolarização informal, já que, apesar do uso do dólar, a moeda oficial ainda é o bolívar soberano.

Uma reportagem do portal venezuelano Efecto Cocuyo, de 2021, informou que os supermercados da Venezuela haviam lançado uma solução tecnológica para dar troco em moeda estrangeira. O texto afirma que os estabelecimentos estiveram entre os primeiros a aceitar dólares em espécie como forma de pagamento no país, em 2018.

Em outro vídeo gravado no supermercado Sigo, um usuário mostrou a nota fiscal de suas compras no estabelecimento. A gravação é datada apenas um dia após a operação dos Estados Unidos e o valor foi divulgado em dólar. Veja abaixo.

Escassez não é mais um problema generalizado na Venezuela

Atualmente não há mais escassez de produtos na Venezuela, mas a população sofre com o baixo poder de compra.

Segundo a jornalista Karla Torres, coordenadora de equipe da agência de checagem venezuelana Cotejo.info, antes da captura de Maduro, muitos supermercados já estavam bem abastecidos, com produtos vendidos em dólares. "Já faz um tempo que há grande variedade de produtos, e as vendas são feitas em dólares com a taxa do dia, e isso é feito por quase todos os supermercados", explicou.

É o que também informou o jornalista Jeanfreddy Gutierrez, coordenador do Cocuyo Chequea, núcleo de checagem do Efecto Cocuyo. Ele explicou que, desde 2019, os supermercados da Venezuela estão abastecidos de maneira similar à do vídeo viral, com produtos vendidos em dólares.

Em outubro de 2025, a CNN informou que o cenário os supermercados na capital Caracas comercializavam produtos importados da Colômbia, do Brasil, da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos, mas fora do alcance da maioria dos consumidores. Segundo a reportagem, alguns preços ainda são cotados em bolívares, a moeda local, mas há um número crescente de produtos em dólares.

Em 2024, uma reportagem do portal venezuelano La Patilla mostrava um cenário semelhante. O texto informou que os supermercados do país forneciam uma variedade abundante de produtos, o que contrastava com a realidade econômica da população.

Estadão
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