Cerca de 60 filhotes de tubarão-limão são vistos em praia de Fernando de Noronha
O registro foi feito pelo condutor de visitantes e agente ambiental Rogério Silva, que chegou cedo ao local e se deparou com dezenas de pequenos tubarões nas águas rasas.
Uma cena rara chamou a atenção de pesquisadores e visitantes de Fernando de Noronha nesta terça-feira, 4 de agosto. Cerca de 60 filhotes de tubarão-limão foram observados reunidos na Baía do Sueste, um dos principais ambientes utilizados como berçário pela espécie no arquipélago.
O registro foi feito pelo condutor de visitantes e agente ambiental Rogério Silva, que chegou cedo à praia e se deparou com dezenas de pequenos tubarões nas águas rasas. Segundo ele, foram contabilizados aproximadamente 60 animais, mas havia tantos exemplares que a contagem acabou sendo interrompida.
"Foi incrível ver tantos tubarões juntos no mesmo lugar. É uma experiência única", relatou.
A concentração dos animais também surpreendeu a pesquisadora Mariana Rêgo, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e coordenadora do Projeto Ecotuba. De acordo com ela, foi a primeira vez que presenciou uma quantidade tão grande de filhotes reunidos na Baía do Sueste.
"Foi a primeira vez que vi essa quantidade de filhotes de tubarão-limão juntos na Baía do Sueste. Antes, só tinha visto algo parecido no Atol das Rocas", afirmou ao G1.
A presença dos filhotes no local não é por acaso. A Baía do Sueste integra o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e oferece condições consideradas favoráveis para os primeiros meses de vida dos tubarões-limão. O banho e o mergulho são proibidos na área justamente para preservar esse ambiente.
"Tubarão-limão é canibal"
Segundo o pesquisador André Afonso, da Universidade de Coimbra e integrante do Projeto Ecotuba, os filhotes procuram as águas rasas como uma estratégia de sobrevivência. Apesar de serem pequenos, eles precisam se afastar dos adultos da própria espécie, que podem representar uma ameaça.
"O tubarão-limão é canibal e pode comer os próprios filhotes. Então, os pequenos precisam se refugiar em águas rasas, longe dos adultos, para aumentar as chances de sobrevivência", explicou.
A expectativa é que os jovens permaneçam na região durante parte do desenvolvimento. Conforme crescem e chegam a aproximadamente 1,5 metro de comprimento, passam a explorar outras áreas do arquipélago.
A pesquisadora Mariana Rêgo destacou que a concentração observada é um indicativo da importância da Baía do Sueste para o ciclo de vida da espécie.
Apesar do tamanho reduzido, os animais continuam sendo tubarões e possuem dentes. Por isso, a orientação dos pesquisadores é para que ninguém tente tocar ou se aproximar dos filhotes caso eles sejam vistos próximos à faixa de areia.
"Apesar de pequenos, continuam tendo dentes", alertou André Afonso.
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O registro reforça ainda a importância da preservação das áreas protegidas de Fernando de Noronha, que funcionam como espaços essenciais para a reprodução e o desenvolvimento da fauna marinha do arquipélago.
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