Cansadas de assédio, estudantes querem banir uso de uniformes escolares em pornôs
Estudantes britânicas criaram uma petição para banir o uso de uniformes escolares na pornografia, alegando que a prática estimula o assédio e a sexualização de menores. A iniciativa, que já reúne mais de 26 mil assinaturas e busca aprovação no Parlamento, baseia-se em dados que mostram que mais de um terço das alunas já sofreu assédio enquanto usava trajes escolares. As jovens defendem que a sociedade deve combater a erotização infantil em vez de culpar as vítimas.
Iniciativa foi lançada por estudantes do Reino Unido, que argumentam que prática reforça a objetificação de meninas e incentiva o assédio.Aylin e Mae, ambas de 15 anos, fazem parte do Little Feminist Book Club (Pequeno Clube Feminista do Livro) de sua escola em Bicester, no condado inglês de Oxfordshire. Durante uma discussão em grupo, o clube soube que estudantes de outras escolas estavam tentando proibir a venda de uniformes escolares em sex shops.
Fantasias inspiradas nos uniformes colegiais, com meias pelo joelho, saias plissadas e camisas brancas, são comuns em vídeos pornográficos.
"Todas nós concordamos que queríamos ir além. Queremos banir completamente os uniformes escolares da pornografia", contou Aylin à DW. Para isso, elas lançaram uma petição.
Segundo o texto da petição, muitas colegas já tiveram experiências negativas ao usar seus uniformes escolares. Algumas relataram ter sofrido assédio desde os 11 anos de idade. Muitas dessas situações teriam provocado medo, vergonha e insegurança.
"Eu não uso meu uniforme escolar fora da escola", disse Mae à DW. "Não gosto de estar com ele na rua".
Uma em cada três estudantes relata assédio
As jovens também citam na petição uma pesquisa realizada em 2018 pela organização humanitária Plan International. Segundo o levantamento, 35% das 1.004 entrevistadas entre 14 e 21 anos disseram ter recebido atenção sexual indesejada enquanto usavam uniforme escolar. Além disso, 8% afirmaram ter sido filmadas ou fotografadas por desconhecidos sem consentimento, ou que alguém tirou fotos por baixo de suas saias, prática conhecida como upskirting.
"Algo que deveria ser puro, que deveria simbolizar uma comunidade, acabou ganhando uma conotação negativa na sociedade", afirma Mae. "Nossa percepção sobre o que representa um uniforme escolar foi distorcida por esse tipo de conteúdo repugnante".
Obrigatórios em muitos países
Uniformes escolares existem em muitos países e têm como objetivo reduzir a visibilidade das diferenças financeiras entre famílias, prevenir o bullying e fortalecer o senso de comunidade. No Reino Unido, eles são obrigatórios em quase todas as escolas e pré-escolas, o que significa que praticamente todas as crianças entre 4 e 16 anos os utilizam.
"Nós só queremos impedir que alguém pense dessa forma sobre crianças e uniformes escolares", diz Mae. "Esperamos que essa proibição possa realmente ser transformada em lei."
Até lá, há um longo caminho. Ainda assim, as jovens estão otimistas. A petição já havia reunido 26 mil assinaturas até 7 de outubro e ganhou ampla repercussão na mídia após uma reportagem publicada pelo jornal The Times. Agora, Mae e Aylin esperam que o Parlamento britânico discuta o assunto. Duas parlamentares já manifestaram apoio à iniciativa.
As meninas também sabem que algumas pessoas defendem que o problema poderia ser resolvido simplesmente com o alongamento das saias escolares.
"Acho isso errado", afirma Aylin. "Não devemos culpar as vítimas. Devemos responsabilizar quem considera aceitável sexualizá-las".
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