Caminhões estão conectados, mas só metade das estradas tem 4G
Frete conectado, telemetria e monitoramento em tempo real avançam na logística brasileira, enquanto baixa cobertura de internet ainda limita expansão da conectividade nas rodovias
O transporte rodoviário de cargas no Brasil amplia investimentos em caminhões conectados, rastreamento em tempo real e sistemas de telemetria para aumentar segurança e eficiência logística. Empresas de gestão de frota, operadoras de telecomunicações e transportadoras vêm acelerando a digitalização das operações, mas o avanço esbarra em um problema estrutural: apenas 47% dos 445 mil quilômetros de rodovias federais e estaduais possuem cobertura 4G de ao menos uma operadora, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No caso do 5G, a cobertura alcança menos de 12% das vias.
Caminhões conectados
A comunicação de dados passou a ser utilizada como ferramenta estratégica na operação das frotas. Sistemas de telemetria permitem acompanhar consumo de combustível, comportamento do motorista, rotas, paradas e condições mecânicas dos veículos em tempo real.
A MICHELIN Connected Fleet Powered by Sascar e a TIM anunciaram recentemente uma parceria baseada em IoT para monitoramento de veículos e cargas nas rodovias brasileiras. Atualmente, a operação já acompanha mais de 30 mil veículos conectados e registra índice de recuperação superior a 80% em casos de roubo ou extravio de carga.
Na prática, os dispositivos instalados nos caminhões utilizam redes 4G e NB-IoT para transmitir informações continuamente às centrais de monitoramento, permitindo maior rastreabilidade das operações e respostas mais rápidas em situações de risco.
Além da segurança, o avanço da infraestrutura digital também vem sendo usado para otimizar rotas, acompanhar padrões de condução e reduzir paradas não planejadas.
Pressão causada pela insegurança
A digitalização das frotas ocorre em meio à pressão causada pelo roubo de cargas no País. Segundo levantamento da NTC&Logística, o Brasil registrou 8.570 ocorrências em 2025, com prejuízo direto estimado em R$ 900 milhões. Nesse cenário, rastreamento contínuo, análise de dados e transmissão de informações em tempo real passaram a ser utilizados para ampliar controle operacional e reduzir vulnerabilidades nas estradas.
Em muitas linhas interestaduais, o embarque já pode ser feito apenas com QR Code no celular, sem necessidade de impressão de bilhetes ou atendimento em guichês. Já uma pesquisa da Quero Passagem divulgada neste mês, que ouviu mais de 5 mil usuários, aponta que 44% dos viajantes compram passagens por aplicativos e 30% diretamente em sites.
Conectividade precisa de estrutura
Enquanto a expansão da cobertura de internet nas rodovias não acompanhar o ritmo da digitalização, os benefícios da conectividade tendem a se concentrar nas rotas mais estruturadas. Nos corredores com sinal instável ou ausente, o que pode aumentar o risco de roubo de cargas, o rastreamento falha, a transmissão de dados é interrompida e os sistemas embarcados operam abaixo do potencial. A tecnologia existe. A infraestrutura para sustentá-la, ainda não.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.