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Caminhões elétricos ainda são menos de 1% da frota brasileira

Apesar da produção local e avanço das importações, modelos a bateria representam apenas 0,4% das vendas; falta de carregadores em rodovias é principal entrave

1 mar 2026 - 06h10
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Mesmo com a produção nacional consolidada e o avanço das importações, os caminhões elétricos ainda ocupam espaço marginal no Brasil. Dados da consultoria Mirow indicam que esses modelos representam apenas 0,4% das vendas de veículos zero-quilômetro no mercado doméstico.

A baixa penetração ocorre a despeito de nomes de peso já operarem no país. A Volkswagen Caminhões e Ônibus, por exemplo, fabrica o e-Delivery em Resende (RJ) há mais de três anos, enquanto marcas como a JAC Motors apostam na importação de modelos chineses para atender operações logísticas urbanas.

De acordo com projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Anfavea, o cenário deve mudar na próxima década: os elétricos podem representar até 8% da frota brasileira em 2030. O alcance dessa meta, contudo, depende diretamente de políticas públicas, redução do custo total de propriedade (TCO) e, principalmente, infraestrutura.

Infraestrutura de recarga para caminhões elétricos

"O caminhão elétrico já é economicamente viável em algumas operações, mas está longe de ser uma solução de massa no Brasil. O principal entrave não é a tecnologia em si, mas a infraestrutura energética necessária para escalar o modelo", avalia Elmar Gans, sócio da Mirow.

A comparação internacional evidencia o desafio brasileiro. Enquanto o Brasil patina abaixo de 1%, a China já opera com 13,5% de sua frota eletrificada. Na Europa, o índice é de aproximadamente 2,5%.

Embora o país conte com mais de 2.300 estações públicas de recarga rápida (corrente contínua), apenas uma fração é adequada para veículos de médio e grande porte.

Além disso, a Mirow aponta que muitas rodovias não dispõem de acesso próximo a redes de média ou alta tensão — condição indispensável para viabilizar carregadores de alta potência capazes de abastecer um caminhão em tempo viável.

Estadão
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