Seis anos de espera: família de jovem morto no trabalho cobra julgamento por homicídio
Dérick Aliardi morreu aos 21 anos dentro de uma máquina em uma indústria de concreto; dois homens foram denunciados pelo MPRS por homicídio qualificado
A família de Dérick Aliardi, morto aos 21 anos em uma máquina de concreto em Porto Alegre, protestou no Ministério Público do Rio Grande do Sul cobrando o julgamento do caso por homicídio doloso. O jovem limpava o equipamento quando um colega o acionou. Dois homens foram denunciados por homicídio qualificado em 2021, e o MPRS pretende levá-los a júri popular. Os familiares cobram celeridade nos trâmites judiciais após anos de espera por respostas e pelo andamento das etapas processuais.
A família de Dérick Aliardi, morto aos 21 anos dentro de uma máquina em uma indústria de concreto de Porto Alegre, voltou nesta quarta-feira (7) ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) para reivindicar a desclassificação da acusação por dolo no processo que apura a morte do jovem. Segundo os familiares, o Ministério Público recorreu de uma decisão relacionada ao caso, e a manifestação desta quarta-feira teve como objetivo pedir a revisão do enquadramento da acusação.
Dérick trabalhava como auxiliar de produção. Na ocasião do acidente, ele estava dentro da máquina para realizar a limpeza da estrutura. A família sustenta que a morte não foi uma fatalidade relacionada ao trabalho, mas resultado de uma ação que deveria ser tratada como homicídio.
De acordo com os familiares, um colega teria acionado o dispositivo com Dérick dentro da máquina. A mãe da vítima também afirma que o filho havia alertado um supervisor sobre riscos relacionados às condições de trabalho.
MPRS denunciou dois homens
Segundo o MPRS, a denúncia contra dois envolvidos foi apresentada em 16 de dezembro de 2021. Eles foram denunciados por homicídio qualificado, com a utilização de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. O processo tramita no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.
A família afirma que aguarda há mais de um ano por informações sobre o andamento do caso. Camila, mãe de Dérick, disse que familiares procuraram o Ministério Público diversas vezes em busca de atualizações.
Após o protesto, os familiares foram atendidos pela Central de Atendimento às Vítimas do MPRS. O órgão informou que também ofereceu acompanhamento emocional e psicológico à família.
A mãe afirma que a denúncia por homicídio já foi aceita pela Justiça e que o processo depende agora do cumprimento das etapas necessárias para a realização do julgamento.
O MPRS informou que pretende levar os acusados a julgamento pelo Tribunal do Júri. O andamento do processo, porém, depende do cumprimento dos trâmites judiciais, incluindo a definição de testemunhas e demais procedimentos previstos na ação penal.
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