Saída de Flávio Bolsonaro do Brasil atrai atenção da imprensa internacional
Após sua derrota na eleição presidencial no domingo (25), Flávio Bolsonaro deixou o Brasil nesta terça-feira (27) rumo aos Estados Unidos, depois de ignorar uma solicitação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que entregasse seus passaportes, informaram duas fontes à Reuters. Os documentos foram cancelados por determinação da Justiça diante do descumprimento da medida.
A imprensa internacional repercutiu a saída não oficial de Flávio Bolsonaro do Brasil após ser derrotado por Lula na eleição presidencial. Alvo de investigações sobre lavagem de dinheiro e suposto financiamento externo de campanha, o senador teve seus passaportes cancelados pelo STF após expirar o prazo para entrega. Embora haja relatos de fuga a pé para a Argentina rumo aos EUA, autoridades de ambos os países negam registros formais da travessia, gerando novas tensões diplomáticas.
Uma fonte da Polícia Federal disse à agência de notícias que Flávio não deixou o país por um ponto de passagem de fronteira oficial. Procurada pela Reuters, a Embaixada dos EUA no Brasil não se pronunciou sobre o assunto. A defesa de Flávio também se recusou a comentar.
A informação ganhou repercussão na imprensa internacional. Ao longo do dia, o jornal britânico The Guardian e o canal de notícias argentino Todo Noticias (TN) relataram que o candidato de extrema-direita derrotado teria atravessado a fronteira entre o Brasil e a Argentina a pé.
Também se cogitou uma partida em um avião particular a partir da cidade fronteiriça de Puerto Iguazú, do lado argentino, com sua esposa e suas duas filhas, hipótese que as autoridades argentinas desmentiram.
"A Direção Nacional de Migrações não registra nenhuma entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina", informou a presidência em um comunicado citado pelo site do Libération.
Fuga para os EUA
Outra informação que circulou era de que, uma vez na Argentina, o senador teria partido para os Estados Unidos. Entretanto, tanto a imigração argentina como a Polícia Federal brasileira disseram não haver registros da passagem de Flávio pela fronteira entre os dois países.
Na segunda-feira (26), ele foi notificado de que tinha um prazo de 24 horas para entregar seus passaportes, no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, caso no qual o senador nega qualquer irregularidade. Esse prazo expirou, resultando no cancelamento de seus passaportes.
Libération lembra que o senador possui pelo menos três: dois brasileiros (sendo um deles diplomático) e um italiano, concedido em 2023, quando Giorgia Meloni já era primeira-ministra. De acordo com o jornal francês, o candidato derrotado teria partido antes que o cancelamento dos documentos entrasse em vigor.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é investigado por suposta corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de um filme sobre seu pai. Paralelamente, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou também nesta terça-feira que a Polícia Federal apure um possível financiamento estrangeiro à campanha do senador.
Dino solicitou a investigação da "eventual origem, circulação e destinação de recursos estrangeiros" e de outras formas de suposta interferência eleitoral, como "manipulações" em redes sociais.
Favorito na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro acabou sendo derrotado no segundo turno por Luiz Inácio Lula da Silva, eleito para um quarto mandato, por 51,7% a 48,1%.
Após perder o pleito, o ex-candidato afirmou que pediria a anulação do segundo turno, argumentando que a decisão judicial de prorrogar a votação em duas horas beneficiou Lula. Entretanto, seu partido, o PL, reconheceu o resultado da eleição presidencial.
Jair Bolsonaro também deixou o Brasil em 2022
Seu pai, Jair Bolsonaro, também deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após se recusar a reconhecer sua derrota para Lula em 2022. Posteriormente, ele retornou ao país, onde cumpre uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Morando atualmente nos EUA, Eduardo Bolsonaro, irmão mais novo de Flávio, havia aconselhado publicamente que ele deixasse o Brasil em caso de derrota na eleição presidencial. "Se o meu irmão não ganhar, sou a favor de que ele deixe o país", declarou ele ao podcaster Steven Crowder.
A ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos corre o risco de acirrar as tensões entre Washington e Brasília, diz o Le Figaro, lembrando que Lula acusou Washington de conspirar com a família Bolsonaro para levá-la de volta ao poder.
RFI e agências
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