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Sem sucesso em negociação, professores mantêm greve em SP

Reunião entre docentes em greve e o secretário estadual de Educação de São Paulo terminou sem acordo

23 abr 2015 15h25
| atualizado às 17h55
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Terminou sem acordo mais uma reunião entre professores paulistas em greve e o secretário estadual de Educação, Herman Voorwald, realizada nesta quinta-feia (23), na sede do órgão, no centro da capital. A paralisação já dura 42 dias. Após o encontro, um grupo tentou ocupar o prédio da secretaria e foi reprimido pela Polícia Militar, com gás de pimenta. 

De acordo com a Secretaria de Educação do Estado, "após o encontro com o secretário, o sexto ocorrido este ano, dezenas de manifestantes quebraram vidros, arremessaram pedras, pedaços de ferro, colocaram em risco funcionários que estavam no interior do prédio" e feriram vigias e seguranças. 

Professores protestam no centro de São Paulo
Professores protestam no centro de São Paulo
Foto: Luiz Tadeu / vc repórter

Neste momento, os docentes fazem passeata pela região. De acordo com o Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), importantes vias de São Paulo devem ser bloqueadas ao longo da tarde de hoje.

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A presidente do sindicato, Maria Izabel Noronha, lamentou que, em mais um encontro com o gestor da pasta, não se tenha avançado em uma proposta que garanta a valorização dos professores e o encerramento da greve. “Foi muito ruim. [O secretário] não apresentou nada. Quando a gente esteve aqui, em 30 de março, disseram que, em abril, poderiam ter números. Agora já diz que não tem”, relatou. Na avaliação dela, o governo estadual adotou a posição de não apresentar nenhuma proposta enquanto os professores estiverem em greve. “A nossa posição é de continuidade de greve. Não tem jeito. A tendência é radicalizar, não tem outra coisa”, afirmou.

A Secretaria da Educação do Estado, disse, em nota, que apresentou três propostas às lideranças da Apeoesp. São elas: política salarial pelos próximos quatro anos com data base em 1º de julho; envio de lei à Assembleia Legislativva que inclui os professores temporários na rede de atendimento do Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) e estabelece a redução da exigência de 200 dias de intervalo a partir do terceiro contrato destes docentes (duzentena). 

A categoria reivindica um aumento salarial de 75,33%. “Não vamos acabar com a greve. Ainda temos zero”, declarou a presidenta. Os professores pedem também a redução do número de alunos por sala para um máximo de 25 estudantes por classe. Izabel critica a política de bônus como principal meio para a valorização profissional. De acordo com ela, o bônus foi uma opção do governo, mas que só beneficia uma parte da categoria e não é incorporado ao salário-base. A estimativa da Apeoesp é que 60% dos professores tenham aderido à greve.

Manifestantes se reúnem na Praça da Sé
Manifestantes se reúnem na Praça da Sé
Foto: Messias José de Moraes / vc repórter

Antes do início da caminhada, houve a tentativa de ocupação da sede da Secretaria de Educação. O secretário de Comunicação da Apeoesp, Roberto Guido, destacou que essa iniciativa não teve o respaldo da direção do sindicato, mas disse acreditar que esse tensionamento está relacionado à falta de resposta do governo estadual. “Depois de 42 dias de greve, os professores estão tensos, ansiosos, criam expectativa e, se o governo age desta maneira, a tendência é radicalização com ações mais arrojadas. Vamos continuar forçando negociação com quem pode de fato decidir. Isso passa pelo próprio governador e chefe da Casa Civil”, avaliou.

A Secretaria de Educação afirmou que permanece aberta ao diálogo.

Colaboraram com esta notícia os leitores Luiz Tadeu e Messias José de Moraes, de São Paulo (SP), que participaram do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui ou envie pelo aplicativo WhatsApp, disponível para smartphones, para o número +55 11 97493.4521.

 

 

Agência Brasil Agência Brasil
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