Primeiro debate presidencial: o que está em jogo e o que observar
Band promove debate no próximo domingo (23/8), às 20h. Seis dos 13 candidatos foram convidados, mas Lula e Flávio Bolsonaro não devem participar.
O primeiro debate presidencial de 2026, promovido pela Band neste domingo, abre a série de encontros eleitorais na TV. Líderes nas pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro indicaram que não irão comparecer, deixando os púlpitos livres para Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. A ausência dos favoritos transfere o foco para temas como segurança pública e economia, além de abrir espaço para que candidatos menos conhecidos busquem visibilidade e engajamento nas redes sociais.
O primeiro debate entre os candidatos à Presidência nas eleições de 2026 acontece neste domingo (23/8).
Promovido pela Band, o encontro marcará o início dos encontros na televisão, com alguns dos presidenciáveis discutindo propostas e respondendo a perguntas sobre temas de interesse dos eleitores.
Para este ano, estão previstos quatro debates, além de entrevistas e sabatinas. Confira as datas e as regras.
Apesar de 13 candidaturas terem sido registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para concorrer ao Palácio do Planalto em 2026, não é esperada a presença de todos nos debates.
A legislação eleitoral garante a participação em debates aos candidatos de partidos ou federações que tenham pelo menos cinco representantes no Congresso. No cenário atual, esse critério é atendido pelo PT, de Luiz Inácio Lula da Silva; pelo PL, de Flávio Bolsonaro; pelo Avante, de Augusto Cury; e pelo PSD, de Ronaldo Caiado.
As emissoras, contudo, podem convidar outros concorrentes para os encontros.
Pablo Marçal (PRTB), que foi lançado à Presidência pelo PRTB, foi proibido pelo TSE de participar de debates enquanto o registro de sua candidatura não for julgado. Ele está inelegível e não pode concorrer até 2032.
Qual horário do debate e onde assistir
O debate deste domingo começará às 20h e será transmitido pela Band e pelas emissoras que integram o pool responsável pelo evento: TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan.
O debate terá transmissão também pelo YouTube da Band e contará com uma Sala Digital do Google para acompanhar dados e tendências em tempo real.
A BBC fará a cobertura ao vivo, acompanhando os principais momentos e verificando as principais informações apresentadas pelos candidatos.
Quem participa do debate
A Band convidou seis dos 13 candidatos à Presidência para o debate deste domingo (23): Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Lula e Flávio, no entanto, não devem participar do encontro.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a campanha do presidente Lula indicou que ele não deve comparecer ao debate, alegando falta de igualdade de condições para se defender dos ataques dos adversários.
Já Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na disputa na disputa, condicionou sua participação à presença do petista.
Sem Lula e Flávio, quatro candidatos devem estar no palco.
A ausência dos dois é relevante porque Lula e Flávio aparecem à frente nas pesquisas mais recentes de intenção de voto, como mostra o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.
Com os resultados das pesquisas nacionais divulgadas até segunda-feira (17/8), a estimativa de intenção de voto no petista no primeiro turno está em torno de 40%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 34%.
Caiado e Renan Santos têm 4% cada, enquanto Zema tem 3% e Cury aparece com 1%.
Como será o debate
O regulamento da Band estabelece confrontos diretos entre os postulantes ao Palácio do Planalto, com perguntas e respostas sem mediação em blocos específicos, além de questionamentos formulados por jornalistas do Grupo Bandeirantes.
A ordem nos púlpitos do estúdio foi sorteada no início da semana e terá Renan Santos na primeira bancada à esquerda, seguido pelo presidente Lula e pelo senador Flávio Bolsonaro.
Na sequência do palco, posicionam-se Ronaldo Caiado, Augusto Cury e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, completando a bancada. A posição deles foi decidida por meio de sorteio.
Caso Lula e Flávio faltem, o lugar deles ficará vazio.
Para quem o debate é importante
A provável ausência de Lula e Flávio reduz o peso do debate na disputa entre os dois líderes das pesquisas, mas pode torná-lo especialmente relevante para os demais candidatos.
Para nomes como Caiado, Renan Santos, Zema e Augusto Cury, o encontro representa uma oportunidade de apresentar propostas e tornar suas candidaturas mais conhecidas.
O debate também pode ser importante para eleitores que ainda não se identificam com nenhum dos dois principais candidatos.
O debate ganha ainda mais importância para quem tem pouco ou nenhum tempo na propaganda eleitoral gratuita na rádio e na TV.
O horário eleitoral começa em 28 de agosto, mas Cury terá apenas 35 segundos, enquanto Zema, Renan não terão tempo na propaganda em rede nacional, por não atenderem aos critérios de representação partidária.
Além de apresentar propostas, os candidatos ainda poderão usar o debate para criar momentos para serem explorados posteriormente nas redes sociais. Em uma disputa pela atenção do eleitor, a repercussão posterior do debate pode ser tão importante quanto a audiência durante a transmissão.
Quais os principais temas em jogo
A segurança pública deve estar entre os principais temas do debate. Há meses, a violência aparece como a principal preocupação dos eleitores nas pesquisas Genial/Quaest. No último levantamento, realizado em agosto, o tema foi citado por 33% dos entrevistados.
Além disso, a segurança é considerada o 'calcanhar de Aquiles' do atual governo, sendo o setor com pior avaliação na gestão.
Diante desse cenário, adversários do presidente têm criticado sua política de segurança e apresentado propostas de maior rigor no combate ao crime, incluindo o enfrentamento às facções e o endurecimento das penas.
Lula, por sua vez, tem dado destaque à segurança em sua campanha: em seu primeiro discurso, citou a PEC da Segurança — uma de suas apostas na área, mas que ainda não foi aprovada pelo Congresso — e prometeu combate ao crime organizado.
A economia também deve ocupar espaço importante no debate, especialmente em temas que afetam diretamente o bolso dos eleitores, como inflação e impostos.
Apesar dos bons indicadores econômicos — como a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e a redução da pobreza — existe uma percepção negativa entre os eleitores, sobretudo em relação ao custo de vida.
Na pesquisa Genial/Quaest de junho, 44% das pessoas entrevistadas disseram que a economia piorou nos últimos 12 meses.
Ao mesmo tempo, contas públicas, gastos e dívida devem criar uma divisão clara entre os candidatos. O tema foi abordado por Flávio Bolsonaro em seu discurso de lançamento de campanha, quando ele prometeu "tirar o Brasil do vermelho" e fazer um "tesouraço" nas contas públicas.
Outro assunto que pode aparecer no debate é a relação entre Brasil e Estados Unidos, que se deteriorou nos últimos meses e ganhou novos capítulos com as tarifas impostas por Donald Trump e, mais recentemente, a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA.
O que observar na fala dos candidatos
Ter ou não Lula e Flávio no debate muda a dinâmica e a estratégia dos demais candidatos no palco.
Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que, com os dois principais nomes no palco, a tendência é que boa parte dos ataques se concentre neles. Sem os dois, os demais candidatos ganham espaço para se apresentar ao eleitor, disputar protagonismo e buscar momentos de destaque.
Também é provável que eles explorem a ausência de Lula e Flávio e façam críticas aos adversários.
Será importante observar:
- Quem será o principal alvo dos ataques?
- Os candidatos vão priorizar propostas ou adversários?
- Quem tentará se apresentar como alternativa à polarização? E com que argumentos?
- Como responderão a perguntas sobre seus próprios pontos fracos?
Outro ponto a ser analisado é como eles farão uso do debate nas redes sociais. Especialistas avaliam que a busca por cortes e viralização pode favorecer momentos de confronto em detrimento da discussão de propostas. Isso será especialmente relevante para candidatos como Renan e Zema, que têm demonstrado domínio das redes e podem usar o debate para ampliar sua exposição.
Como a BBC vai acompanhar o debate
A BBC News Brasil fará a cobertura do debate em tempo real no site e nas redes sociais.
A cobertura também acompanhará e contextualizará as principais informações e dados apresentados pelos candidatos. Após o encontro, serão produzidas análises em texto e vídeo, com destaque para os principais momentos e temas do debate.
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