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Preço dos alimentos sobe, mas inflação é a menor para março em 25 anos

9 abr 2020
14h20
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Em meio à pandemia de coronavírus, custo da comida aumenta com alimentação em casa, afirma IBGE. Inflação desacelera para 0,07%, impulsionada por recuo nos preços das passagens aéreas e dos combustíveis.O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, desacelerou para 0,07% em março, depois de registrar alta de 0,25% em fevereiro, segundo divulgou nesta quinta-feira (09/04) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, ainda não é possivel relacionar a queda do preço das passagens aéreas com a pandemia
Segundo o IBGE, ainda não é possivel relacionar a queda do preço das passagens aéreas com a pandemia
Foto: DW / Deutsche Welle

O resultado é o menor para o mês de março desde o início do Plano Real, em julho de 1994. No ano, o indicador acumula alta de 0,53% e, nos últimos 12 meses, de 3,30%.

Em meio à pandemia de covid-19, o que mais pesou no bolso do consumidor no mês passado foi a compra de comida. Os preços do grupo de alimentos e bebidas aceleraram de 0,11% em fevereiro para 1,13% em março, principalmente em razão da alimentação no domicílio (aumento de 0,06% em fevereiro para 1,4% em março).

As maiores altas foram nos preços da cenoura (20,39%), da cebola (20,31%), do tomate (15,74%), da batata-inglesa (8,16%) e do ovo de galinha (4,67%). As carnes  seguiram em queda pelo terceiro mês consecutivo, embora o recuo de 0,3% nos preços tenha sido bem menos intenso na comparação com fevereiro (-3,53%).

Outros grupos que apresentaram altas foram educação (0,59%), habitação (0,13%), vestuário (0,21%), saúde e cuidados pessoais (0,21%) e comunicação (0,04%). A área de despesas pessoais recuou 0,23%. 

Embora a maior deflação tenha sido registrada nos artigos de residência (-1,08%), o que puxou a inflação para baixo foi o grupo dos transportes (-0,90%), com mais um recuo nos preços das passagens aéreas (-16,75%) e dos combustíveis (-1,88%).

Ainda não é possível afirmar que o recuo tenha relação com a pandemia, pois os preços das passagens aéreas já vinham em queda nos últimos meses.

"A variação de março reflete uma coleta de preços que foi feita em janeiro para quem ia viajar de avião no mês de março, portanto, não podemos afirmar se há relação com a pandemia. Parece que foi pela demanda mesmo", explica Pedro Kislanov, gerente da pesquisa.

O IBGE divulgou também o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referente às famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos. O indicador teve alta de 0,18% em março, acima do 0,17% registrado em fevereiro. No acumulado do ano, o INPC variou 0,54% e, nos últimos 12 meses, teve alta de 3,31%.

Essa é primeira divulgação do IPCA e do INPC feita com preços coletados de forma remota. No último dia 18 de março, o IBGE suspendeu a coleta presencial nos locais de compra devido à pandemia de coronavírus. A partir dessa data, os preços passaram a ser coletados por outros meios, como pesquisas realizadas em sites de internet, por telefone ou e-mail.

"Conseguimos contornar as dificuldades com a coleta remota. Em alguns casos, a resposta foi muito positiva, como nos postos de combustíveis, em que boa parte dos preços foram coletados por telefone. Assim como outros institutos de estatísticas do mundo, estamos buscando maneiras de evitar uma redução drástica da nossa amostra", explica Kislanov.

Segundo ele, a suspensão da coleta presencial reduziu a quantidade de preços coletados, mas isso não gerou problemas para a análise.

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