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Por que Renan Santos liderou as atenções nas redes sociais durante o debate presidencial, segundo pesquisas

Análises apontam que candidato do Missão foi o mais mencionado nas redes sociais, mas isso não significa, necessariamente, um saldo positivo para ele

24 ago 2026 - 18h07
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Resumo
Renan Santos (Missão) liderou as atenções nas redes sociais durante o primeiro debate presidencial, impulsionado por ações visuais polêmicas, embora análises divirjam sobre a melhora de sua imagem. Augusto Cury e Ronaldo Caiado obtiveram os melhores ganhos qualitativos com posturas moderadas. Já os ausentes Lula e Flávio Bolsonaro não sofreram desgaste relevante, enquanto Romeu Zema enfrentou forte impacto negativo por sua falta, levantando dúvidas sobre a continuidade de sua candidatura.
Renan atraiu os holofotes nas redes, mas isso não se traduziu em melhora da imagem, dizem pesquisas
Renan atraiu os holofotes nas redes, mas isso não se traduziu em melhora da imagem, dizem pesquisas
Foto: Renato Pizzutto/Band / BBC News Brasil

Estreante na política, representante de um partido recém-criado e sem expressividade ainda, Renan Santos (Missão) conseguiu liderar as atenções nas redes sociais durante o primeiro debate eleitoral entre presidenciáveis, promovido pela Band no domingo (23/8).

É a conclusão de análises realizadas por agências de análise de dados nas redes sociais.

Segundo a Palver, que monitora e analisa as redes e plataformas de mensagens, como WhatsApp e Telegram, o candidato do Missão não só liderou as atenções em termos de volume, como também foi aquele que teve o maior percentual favorável (38%) das menções.

Ronaldo Caiado (PSD) ficou em segundo lugar, com 28% das menções favoráveis.

A medição feita pela Palver, que analisou quase três mil menções, também classificou mensagens como "neutras". Renan Santos teve 35% de menções nessa categoria, e 27% negativas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ausentes do debate, tiveram os maiores índices desfavoráveis - 53% e 49%, respectivamente.

Romeu Zema (Novo), que também não compareceu ao confronto, apareceu em terceiro lugar neste ranking de menções negativas, com 44% das mensagens desfavoráveis.

Também na análise da AP Exata, Renan foi o candidato que mais ganhou atenção durante o debate. Sua participação nas menções saltou de 11% no sábado (22/8) para 14% no domingo, permanecendo em 13% nesta segunda.

Segundo a análise, as ações de forte apelo visual, especialmente a placa de "ladrão" que Renan tentou colocar no púlpito vazio de Lula no estúdio, ajudaram a alimentar essa exposição.

No entanto, o crescimento não significou melhora de imagem. Enquanto a Palver aponta que Renan lidera as menções positivas, a AP Exata — que não analisa aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram e tem outra metodologia — aponta que as menções positivas e a confiança caíram continuamente.

"Renan ganhou visibilidade, mas não converteu esse ganho em melhora equivalente de avaliação", aponta a AP Exata.

"O saldo dos dados da AP Exata é que Renan ganhou a disputa por atenção no domingo, Cury teve o melhor ganho qualitativo, Caiado apresenta crescimento consistente no pós-debate e Zema sofreu o efeito mais negativo. Lula e Flávio, por sua vez, não apresentam sinais de que a ausência tenha produzido desgaste relevante."

'Ação inteligente'

Lula e Flávio concentraram os principais ataques da noite, mas a ausência não significou, necessariamente, um saldo negativo, segundo a Palver.

A conclusão foi a mesma para a agência AP Exata, que se debruçou sobre cerca de 200 mil menções sobre o debate publicadas no X e Instagram.

"Os indicadores qualitativos reforçam que não houve punição imediata a Lula e Flávio pela ausência", indica análise parcial, com dados compliados até às 14h desta segunda-feira.

O ranking de hashtags ajuda a explicar um pouco o desempenho dos candidatos que lideram as pesquisas eleitorais. Especialmente o de Lula. Isso porque, ao mesmo tempo que #debatenaband concentrou 45% das marcações, a entrevista de Lula à Record também ocupou espaço expressivo, por meio de hashtags como #domingoespetacular #lula e #lulanarecord.

"Não aparece entre as principais hashtags uma mobilização relevante especificamente contra a ausência de Lula ou Flávio", aponta o relatório. "Isso indica que a falta dos dois foi um tema importante do debate e da imprensa, mas não se tornou, na mesma proporção, a principal narrativa espontânea das redes."

Da mesma forma, Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria, afirma que a estratégia de conceder uma entrevista que fosse ao ar no mesmo horário que o debate, só que em outra emissora, foi uma "ação inteligente" da campanha de Lula.

"Gerou material e não deixou vácuo que poderia deixar a partir da ausência no debate, especialmente em uma emissora como a Record, que tem um vínculo mais claro com o segmento evangélico e com lideranças importantes no campo."

Já para quem participou do confronto, o impacto foi aquém do esperado pelas campanhas.

"A Palver monitora o debate público em torno dos temas políticos e eleições diariamente, e o volume de menções do debate esteve em níveis moderados apenas, ou seja, casos como Lulinha e Dark Horse, por exemplo, tiveram pico de atenção bem mais alto nos últimos meses", explica Lucas Cividanes, coordenador de inteligência e análise da Palver.

Augusto Cury foi quem apresentou o ganho qualitativo 'mais interessante' do pós-debate
Augusto Cury foi quem apresentou o ganho qualitativo 'mais interessante' do pós-debate
Foto: Renato Pizzutto/Band / BBC News Brasil

Os dados analisados mostram que Augusto Cury deu destaque para o tema da Política Social e Economia. Caiado priorizou Educação, se apresentando como uma opção mais propositiva à direita, com espaço para avançar entre o eleitorado moderado.

Renan Santos focou em Segurança e Corrupção e buscou se consolidar como alternativa radical para o voto antissistema.

Embora ele tenha ganhado os holofotes nas redes, a AP Exata aponta que foi Augusto Cury quem apresentou o ganho qualitativo "mais interessante" do pós-debate.

O escritor e psicanalista passou de menos de 1% das menções no fim de semana para 6% nesta segunda, mantendo praticamente 50% de menções positivas.

Segundo a análise, "a crítica à agressividade de Renan parece ter ajudado Cury a construir uma identidade própria de moderação sem deterioração de imagem". Durante o debate, Cury afirmou que o "nível de agressividade" de Renan o "assombra". Isso aconteceu depois que Renan criticou os eleitores de Lula.

"Tirando um pedaço dele [do eleitorado], que é aquele eleitor que está no Bolsa Família, que ainda acredita que o Lula é a única fonte de comida dele - de maneira errônea - o eleitor restante que apoia esse cara está sendo canalha. Canalha. Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele", disparou Renan.

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, cresceu especialmente no pós-debate, com um salto para as menções nesta segunda, passando 6% no domingo para 13,5% no dia seguinte ao confronto.

E, diferentemente de Renan, o aumento veio acompanhado de melhora nas menções positivas. A AP Exata ressaltou que o vídeo de Gilberto Kassab (PSD), vice de Caiado, dormindo durante o debate, que circulou pelas redes entre domingo e segunda, não causou prejuízo à imagem de Caiado, por ora.

Já Romeu Zema apresentou o sinal mais claramente negativo, de acordo com a análise. Embora o volume das menções também tenha crescido nos dois últimos dias, todos os indicadores qualitativos dessas menções pioraram.

E, enquanto as ausências de Flávio e Lula não trouxeram consequências negativas para as campanhas, a de Zema parece ter impacto pior.

"A ausência que efetivamente se transformou em problema nas redes foi a de Zema, porque passou a alimentar dúvidas sobre a própria continuidade de sua candidatura", diz a análise da AP Exata.

Outros três debates estão previstos até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro:

  • 14 de setembro (segunda-feira): Consórcio Momento da Decisão (CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV).
  • 27 de setembro (domingo): Record.
  • 1º de outubro (quinta-feira): Globo.
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