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Por que Alexandre de Moraes decidiu autorizar visitas de Flávio a Jair Bolsonaro após 3 meses de proibição

Prazo de suspensão, gerada após Jair Bolsonaro escrever carta de apoio à candidatura de Flávio à Presidência, expirou no domingo (11/10).

12 out 2026 - 10h42
(atualizado às 11h04)
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Resumo
O ministro Alexandre de Moraes autorizou o senador Flávio Bolsonaro a retomar as visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar humanitária. A suspensão de 90 dias, motivada por uma carta política do ex-presidente em apoio ao filho, expirou sem fatos novos que justificassem prorrogação. Condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe, Bolsonaro segue proibido de ter encontros com fins político-eleitorais ou de divulgar declarações sobre a eleição presidencial.
Flávio Bolsonaro ficou impedido por 90 dias de visitar o pai, que está em prisão domiciliar, após divulgar carta escrita pelo ex-presidente
Flávio Bolsonaro ficou impedido por 90 dias de visitar o pai, que está em prisão domiciliar, após divulgar carta escrita pelo ex-presidente
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) retome suas visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.

Moraes escreveu em sua decisão, porém, que os encontros não podem ter "finalidade político-eleitoral", incluindo a divulgação de qualquer declaração de Bolsonaro sobre a eleição, que se aproxima do segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro, com o enfrentamento entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A restrição a visitas havia sido imposta em julho, por 90 dias, por descumprimento de medidas cautelares, quando o ex-presidente escreveu uma carta de apoio à pré-candidatura de Flávio, violando as condições de sua prisão domiciliar.

O prazo de três meses expirou neste domingo (11/10).

"O período sancionatório de suspensão de visitas em virtude do descumprimento de condição judicial estabelecida para o cumprimento do regime domiciliar humanitário se encerrou, completando os 90 dias determinados na decisão judicial. Não houve qualquer fato superveniente que indicasse a necessidade de eventual prorrogação, como bem ressaltado em parecer da Procuradoria-Geral da República."

A carta de Bolsonaro

Na sua carta de julho, Jair Bolsonaro pediu que apoiadores deixassem de lado eventuais divergências e se empenhassem pela então pré-candidatura do filho, Flávio, à Presidência.

Ele escreveu que o senador é a melhor opção para livrar o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento, além de afirmar que confia nele para resgatar o país e conduzi-lo à paz e à prosperidade.

Bolsonaro também reforçou a necessidade de união em torno do projeto político, encerrando a mensagem com o lema "Deus, pátria, família e liberdade".

Leia a carta na íntegra abaixo:

Saudoso do contato com o povo ao qual devo lealdade. Escrevo num momento de decisão para todos nós.

O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato a presidencia, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violencia e do empobrecimento.

Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade. Um afetuoso abraço a todos na certeza de que juntos tudo faremos pela nossa pátria.

Deus, pátria, família e liberdade.

Carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro em julho
Carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro em julho
Foto: Divulgação / BBC News Brasil

A condenação e a prisão de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro e os outros ex-integrantes do seu governo foram condenados por cinco crimes relacionados a um plano de golpe de Estado para impedir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de assumir o poder após vencer as eleições de 2022.

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, pelos crimes de: liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Ele começou a cumprir sua pena no dia 22 de novembro de 2025, na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal.

Depois, foi transferido para a Papudinha, também em Brasília, até ter o benefício da chamada prisão domiciliar humanitária, decretada no dia 24 de março de 2026 por Moraes, por motivos de saúde.

Na ocasião, a Justiça determinou como medida cautelar a proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, o que teria sido descumprido no dia 13 de julho de 2026, quando foram suspensas as visitas de Flávio.

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