Arcebispo de Aparecida defende 'paz desarmada' e critica divisões
Religioso enfatizou que Evangelho 'não autoriza o ódio contra quem pensa diferente'
Na missa do Dia de Nossa Senhora Aparecida, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e autoridades, o arcebispo Dom Mário Antônio Silva defendeu uma paz desarmada e condenou divisões e o ódio político. Paralelamente, em Brasília, os candidatos presidenciais Lula e Flávio Bolsonaro celebraram a data em meio a disputas eleitorais sobre religião: o petista pregou respeito à diversidade de crenças, e o senador do PL celebrou a permissão do STF para visitar o pai, Jair Bolsonaro.
Em missa celebrada com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSD), o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio Silva, defendeu nesta segunda-feira (12) a promoção de uma "paz desarmada e desarmante" e criticou a proliferação de divisões e confrontos na sociedade.
Durante a homilia realizada no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, o religioso enfatizou que o Evangelho "não autoriza o ódio contra quem pensa diferente" e defendeu a construção da paz por meio do diálogo, citando ensinamentos do papa Leão XIV.
"Sabemos que Jesus nos manda construir a paz. E aqui, em sintonia com o papa Leão XIV, uma paz desarmada e desarmante. Muitas vezes, no entanto, alimentamos divisões com armamentos, guerras e confrontos. O Evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente, tampouco a matar os nossos inimigos", declarou o arcebispo.
Dom Mário Antônio acrescentou que a doutrina cristã convoca a "construir pontes onde alguém abre precipícios, ou escavar túneis onde alguém perde a fé".
Durante a celebração em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, o prelado ressaltou que a padroeira do Brasil "se tornou um grande sinal de esperança e ternura", lembrando ainda que a "Igreja não é uma comunidade de perfeitos, mas sim de peregrinos".
Além do vice-presidente, a celebração contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PSB), do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e da deputada federal Tabata Amaral (PSB). Antes do início da cerimônia, Alckmin declarou que pretendia orar pela recuperação do papa Leão XIV e pelo futuro do país.
Contexto Eleitoral
Os dois principais candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), também participaram em Brasília de atos em devoção à padroeira do país. O tema religioso ganhou centralidade no debate político recente após a circulação de notícias falsas que atribuíam ao candidato do PL a intenção de revogar o título de padroeira nacional de Nossa Senhora Aparecida.
O presidente da República, que acompanhou uma missa na capela do Palácio da Alvorada, declarou que "um país civilizado, harmônico e democrático" deve respeitar a liberdade de crença de cada cidadão. Lula ressaltou a importância das homenagens e definiu a padroeira como uma referência pessoal em sua caminhada espiritual.
"Ninguém é obrigado a ter a mesma religião. O que precisamos é apenas respeitar a fé e a espiritualidade das pessoas como elas são", afirmou.
Flávio, por sua vez, participou de uma cerimônia na Catedral de Brasília. Após a missa, Flávio celebrou a autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que libera visitas do senador ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Fiquei muito feliz que, no dia de Nossa Senhora Aparecida, é o dia que eu estou novamente autorizado a visitar o meu pai, vítima de uma injustiça. Hoje é só para agradecer a Deus, agradecer a todo mundo que está orando, que está rezando pelo nosso Brasil", afirmou. .
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