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Política

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Zema vota, acusa Judiciário de favorecer PT e diz que processo não o intimida

Candidato à Presidência pelo Novo, ex-governador de Minas entrou na cabina de votação com celular: 'não fotografei, não fiz nada'

4 out 2026 - 09h51
(atualizado às 16h56)
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Resumo
Após votar em Araxá (MG), o candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) acusou o Judiciário de atuar para favorecer Lula e o PT, afirmando não se intimidar com processos. O presidenciável gerou polêmica ao entrar na cabine de votação com o celular, conduta proibida pela legislação que será apurada pelo TRE-MG sob risco de sanções penais. Zema minimizou a infração, alegando esquecimento e afirmando não ter usado o aparelho, enquanto defendeu seu mandato e criticou o indeferimento de aliados.

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) acusou neste domingo, 4, o Judiciário de atuar para favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT na eleição.

Em entrevista coletiva após votar em Araxá (MG), ele afirmou que continuará fazendo denúncias e diz que "não se intimida" com o processo relacionado às suas declarações sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Candidato a presidente Zema votando em MG
Candidato a presidente Zema votando em MG
Foto: Reprodução/Rede Social / Estadão

"O Judiciário claramente está sendo utilizado para que Lula e o PT tenham vantagem nessa eleição. Como eles não têm resultados bons para mostrar, estão tentando ganhar na canetada", afirmou.

Ao defender sua gestão em Minas Gerais, Zema disse ter demonstrado que é possível fazer política sem favorecer familiares. "Quero que me digam aqui um parente que indiquei. E olhe que tenho parentes talentosos", afirmou.

O presidenciável também declarou que ele e seus colegas de partido continuarão atuando independentemente do resultado das urnas. Também afirmou estar satisfeito com sua avaliação de que a possibilidade de Lula vencer em Minas está diminuindo. "Estou satisfeito que aqui em Minas a chance de o Lula ganhar é cada vez menor", declarou.

Candidato entrou na cabina com celular

O ex-governador de Minas Gerais votou neste domingo na Escola Delfim Moreira, no centro de Araxá (MG), sua cidade natal, e gerou polêmica ao entrar na cabina de votação com o celular. O candidato minimizou o fato de ter votado com o dispositivo. Ele afirmou que sua colinha de votação, com o número de seus candidatos, estava escrita em papel.

"Ando com o celular o dia todo, ele é quase como se fosse um dedo. Ninguém me lembrou. Eu vim votar normalmente, mas não afetou em nada meu voto, minha forma de votar. Não fotografei nada. Não fiz nada com o celular ali. Fui só votar mesmo", disse.

Zema afirmou ainda que há assuntos mais importantes para serem questionados e citou o Paraná. No Estado do Sul do País, o candidato ao Senado Deltan Dallagnol, que é do mesmo partido de Zema, teve sua candidatura indeferida no sábado. Neste domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, suspendeu a decisão.

"Se tivessem me alertado (sobre o celular), eu entregava na hora. Temos coisa muito mais importante, como essa lá do Paraná, que estamos vendo para estar acompanhando e questionando. Da minha parte foi até filmado dá para ver lá que não fiz nada com o celular".

A legislação proíbe portar celular na cabine, mesmo sem registrar imagens. O aparelho deve ser desligado e deixado no local indicado pelos mesários. Já o artigo 312 do Código Eleitoral prevê detenção de até dois anos para quem violar ou tentar violar o sigilo do voto. O enquadramento do caso dependerá da apuração anunciada pela Justiça Eleitoral.

TRE vai apurar

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, afirmou neste domingo, 4, que o caso do celular será apurado. O magistrado classificou a conduta como irregular e disse que é necessário esclarecer as circunstâncias antes de uma decisão. O Ministério Público Federal, por meio da procuradoria geral eleitoral, ajuizou uma ação sobre o fato.

"Nós temos que apurar especificamente o caso, verificar os seus contornos para emitir uma opinião, para emitir um veredicto, uma decisão final", declarou em entrevista coletiva.

Braga afirmou que a prática pode ter consequências penais. "Isso é irregular, isso caracteriza crime, isso pode inclusive gerar pena de detenção", disse. Segundo ele, os fatos serão apurados pelo juiz eleitoral e, quando chegarem ao conhecimento do tribunal, serão tomadas as providências.

O desembargador também destacou que os mesários receberam orientações para impedir a entrada de celulares na cabine. "Se isso aconteceu, foi uma sucessão de equívocos, para dizer o mínimo, que nós apuraremos", afirmou.

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República Romeu Zema
O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República Romeu Zema
Foto: Instagram/Romeu Zema / Estadão

Após a votação, a agenda de Zema prevê que o candidato siga de carro para Belo Horizonte, onde acompanhará a apuração no Bar da Esquina. O candidato também tem uma entrevista coletiva prevista para o fim da apuração.

As intenções de votos para Zema estavam em 1%, segundo a pesquisa Datafolha divulgada no sábado, 3. As 4.006 entrevistas que resultaram no levantamento foram encomendadas pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo. Foram feitas em 122 municípios na sexta, 2, e sábado, 3. O registro do trabalho na Justiça Eleitoral tem o código BR-01708/2026.

Estadão
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