'Votar em Flávio é desamor à democracia', diz autor de impeachment de Dilma
Miguel Reale Júnior publicou carta aberta nas redes sociais, onde critica o candidato Flávio Bolsonaro (PL)
O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), teceu duras críticas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira, 7.
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No texto, que inicia com o título "Cuidado com o precipício", Reale Júnior chama Flávio de "amigo de milicianos" e "defensor da cloroquina", e afirma que "pouco se sabe sobre ele e suas propostas de governo".
"O certo é que pretende anistiar os golpistas de 8 de janeiro, a começar por seu chefe, o pai, e submeter-se aos interesses dos Estados Unidos, que pretende ter os países da América como sesmarias. (...) Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia", diz o jurista.
Reale Júnior, que também é ex-ministro da Fazenda do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), alegou que os eleitores de Flávio devem ficar cientes de que votar nele para presidir a República é "admitir a anistia" e "legitimar o golpe", em referência aos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro de 2023.
O jurista também citou a interferência norte-americana no Brasil como um dos fatores que pesam contra Flávio e criticou a intenção de classificar as facções criminosas brasileiras como terroristas, alegando um "rrisco de prevalecer a justificativa de atuação militar estadunidense contra grupos do crime organizado, já qualificados como terroristas, com anuência de Flávio".
Reale Júnior trouxe à tona, ainda, o caso de El Salvador. "A mais gritante violação de direitos da pessoa humana se pratica em El Salvador, sob o mando do ditador Bukele, com longo aprisionamento em massa preventivo de milhares de indagados, criando-se um estado policialesco opressor pavoroso. Flávio reuniu-se em São Paulo, em final de agosto último, com Gustavo Villatoro, Ministro de Justiça e Segurança Pública de El Salvador, elogiando o sistema prisional salvadorenho, que diz pretender instalar".
Apesar de reconhecer um desgate no Partido dos Trabalhadores (PT) e do próprio Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem ele declarou apoio em 2022 na eleição contra Jair Bolsonaro (PL), o jurista defende que os governos petistas não instalam a apologia ou a tentativa do golpe militar.
"Se preserva nossa independência e não se promove um estado policialesco. Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício. Dentro de quinze dias resolve-se o destino do Brasil e desejo ardentemente que não vivamos sob o signo da violência", finaliza.
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