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Política

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Uczai apresenta projeto para endurecer penas por perseguição política no trabalho

30 out 2026 - 15h22
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Resumo
O deputado Pedro Uczai (PT-SC) apresentou projeto de lei para tipificar no Código Penal o crime de discriminação por voto ou convicção política no trabalho e na economia, prevendo reclusão de dois a cinco anos, além de agravantes para ações virtuais ou coordenadas. Motivada por denúncias de boicotes e demissões de eleitores de Lula após o pleito, a proposta visa punir assédio eleitoral, listas de perseguição e dispensas motivadas por opções partidárias. O texto ainda tramitará no Congresso.

O deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) apresentou um projeto de lei que endurece as penas para quem promover discriminação por voto ou convicção política no ambiente de trabalho e em atividades econômicas. A proposta, protocolada pela bancada do PT na Câmara dos Deputados na quinta-feira, 29, ocorre após a circulação de listas de boicote a estabelecimentos comerciais e demissão de apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O texto propõe incluir no Código Penal o crime de discriminação por voto ou convicção política, com pena de dois a cinco anos de reclusão e multa. A punição poderá chegar a seis anos quando a perseguição for promovida por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens ou veículos de comunicação. O texto também prevê aumento de pena de um terço até a metade em casos de atuação coordenada, uso de cargo público ou prejuízo econômico às vítimas.

A medida busca criminalizar a elaboração e divulgação de listas para incentivar boicotes, demissões ou restrições profissionais por sua preferência política. Também prevê punição para empregadores que dispensem funcionários por suas escolhas eleitorais, recusem contratações ou exijam que trabalhadores revelem em quem votaram.

"A democracia é uma conquista da sociedade brasileira e nós não vamos abrir mão. Cada cidadão brasileiro é livre pra escolher seu candidato ou candidata como fez com seus deputados, governadores, senadores e presidente da República", afirmou Uczai em publicação nas redes sociais.

A iniciativa ocorre em meio a denúncias de perseguição política contra eleitores de Lula após o segundo turno das eleições, realizado no domingo, 25. Segundo dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), o órgão registrou 3.080 denúncias de assédio eleitoral em 2026 até quarta-feira, 28. Desse total, 1.147 foram recebidas entre os dias 26 e 28 de outubro, após a votação.

Na quinta-feira, 29, parlamentares do PT também acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) e o MPT para solicitar uma investigação nacional sobre campanhas de boicote econômico e incentivo à demissão de eleitores de Lula. A representação aponta a circulação de listas em municípios de pelo menos oito Estados e pede a apuração de uma possível atuação coordenada.

Na justificativa do projeto, os parlamentares argumentam que a legislação atual não contempla de maneira específica todas as formas de retaliação econômica motivadas pelo voto. O texto cita um episódio ocorrido em Cafelândia, no interior de São Paulo, onde responsáveis pela divulgação de uma lista de boicote a comerciantes durante as eleições de 2022 foram condenados por perseguição pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em julho de 2025.

O projeto ainda precisará tramitar no Congresso Nacional antes de eventual sanção presidencial.

Estadão
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