Trump é surpreendido ao ouvir sobre prisão de Bolsonaro: 'Foi o que aconteceu? É uma pena'
Presidente dos Estados Unidos soube da prisão de Jair Bolsonaro (PL) por meio de jornalistas na Casa Branca
Donald Trump foi surpreendido ao saber da prisão preventiva de Jair Bolsonaro, decretada pelo STF devido a riscos associados a uma vigília de apoiadores; a defesa do ex-presidente brasileiro alega risco à sua saúde e nega intenção de fuga.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi surpreendido ao ouvir de jornalistas que o aguardavam na Casa Branca, em relação à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na manhã deste sábado, 22. Sucinto, o republicano se limitou a dizer: "Foi o que aconteceu? É uma pena".
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Inicialmente, Trump parece ter confundido Bolsonaro com outra pessoa ao ser questionado sobre a prisão: "Falei, ontem à noite, com a pessoa sobre a qual você se referiu, e devemos nos encontrar em um futuro próximo, acredito", disse, antes de se corrigir.
Novamente perguntado sobre a custódia do ex-presidente brasileiro, Trump, então, entendeu a pergunta e se mostrou surpreso: "O que? Eu não ouvi nada sobre isso. Foi o que aconteceu? É uma pena", disse, encerrando a conversa com os jornalistas.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente neste sábado, 22, em Brasília (DF), pela Polícia Federal em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão é uma medida cautelar. Ou seja, ainda não se trata do cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses de prisão à qual foi condenado no julgamento da trama golpista.
Bolsonaro, que já estava em prisão domiciliar, foi levado à sede da PF. Ele ficará em uma sala de Estado, espaço reservado para figuras de alto escalão da política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Michel Temer (MDB) também ficaram detidos em salas da Polícia Federal.
Segundo a decisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar foi apresentada como um dos fatos novos para a definição da medida cautelar.
"O tumulto causado pela reunião ilícita de apoiadores do réu condenado tem alta possibilidade de colocar em risco a prisão domiciliar imposta e a efetividade das medidas cautelares, facilitando eventual tentativa de fuga do réu", diz o documento com a data deste sábado.
O que diz a defesa de Bolsonaro?
Em nota, a defesa afirmou que a prisão preventiva "pode colocar sua vida em risco" por causa de seu estado de saúde e disseram que irão apresentar recurso contra a decisão. Os advogados dizem que "causa profunda perplexidade" a motivação da prisão por causa da convocação de uma vigília de orações na casa do ex-presidente.
Eles também rebateram a suspeita de risco de fuga citada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e afirmam que ele estava sendo monitorado por policiais e foi detido com sua tornozeleira eletrônica.
Veja o comunicado na íntegra:
"A prisão preventiva do ex-Presidente Jair Bolsonaro, decretada na manhã de hoje, causa profunda perplexidade, principalmente porque, conforme demonstra a cronologia dos fatos (representação feita em 21/11), está calcada em uma vigília de orações. A Constituição de 1988, com acerto, garante o direito de reunião a todos, em especial para garantir a liberdade religiosa. Apesar de afirmar a “existência de gravíssimos indícios da eventual fuga”, o fato é que o ex-Presidente foi preso em sua casa, com tornozeleira eletrônica e sendo vigiado pelas autoridades policiais. Além disso, o estado de saúde de Jair Bolsonaro é delicado e sua prisão pode colocar sua vida em risco. A defesa vai apresentar o recurso cabível."
