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'Também tentaram me descaracterizar', diz ex-presidente da CDH

Pompeo de Mattos comenta pressão recebida pelo pastor Marco Feliciano para deixar presidência da Comissão de Direitos Humanos

22 abr 2013
09h02
atualizado em 14/5/2013 às 20h23
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Pouco mais de um mês após a eleição do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) como seu presidente, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara se vê no centro das atenções da política brasileira, em meio às denúncias de homofobia e racismo contra o deputado paulista. Alvo de ataques de movimentos sociais e da classe artística - que o enxergam como a antítese da luta pelos direitos humanos -, Feliciano vem sofrendo pressões sistemáticas para renunciar.

Pompeo de Mattos (PDT-RS) presidiu a comissão entre 2008 e 2009
Pompeo de Mattos (PDT-RS) presidiu a comissão entre 2008 e 2009
Foto: Diogo Xavier / Agência Câmara

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Apesar da força do movimento "Fora Feliciano", esta não é a primeira vez que um presidente da comissão é acusado de ter um perfil incompatível com as atribuições do cargo. O ex-deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS) relembra as críticas recebidas quando de sua indicação para presidir a CDH, em 2008, após sua atuação como relator do Estatuto do Desarmamento. "Quando assumi a comissão, também tentaram me descaracterizar", afirma o ex-parlamentar, atual secretário do Trabalho na prefeitura de Porto Alegre (RS), em entrevista exclusiva ao Terra.

Três anos antes de assumir a presidência da CDH, Pompeo integrou a "Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa", contrária à proibição da venda de armas no País - internamente, o grupo passou a ser conhecido como a "bancada da bala". Relator da medida provisória que regulamentou o Estatuto do Desarmamento, o deputado flexibilizou a compra de armas, fazendo com que o governo intervisse para derrubar seu relatório. "Sua indicação é como uma guitarra elétrica numa filarmônica. Entendo que os partidos deveriam ter muito critério ao indicar os presidentes de comissões", disse na época o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo.

"Eles chegaram a dizer que eu era - alguns do PT, inclusive aquele menino do Psol do Rio de Janeiro (Chico Alencar) - um elefante numa loja de cristal. Ou seja, que não tinha nada a ver com o ambiente", afirma Pompeo. Apesar das críticas, porém, o deputado alega que a resistência a seu nome durou pouco tempo, e seus antigos detratores passaram a colaborar com os trabalhos na CDH.  "A resistência que eu recebi - vamos dizer assim - em duas sessões, serviu para mim de desafio, de provação, e não de provocação", relata.

"Aí, eu me dei a conhecer para eles. E quando me conheceram, eles tomaram um susto. Quando perceberam que eu era filho de um sem-terra, que eu nasci em um acampamento de reforma agrária, que eu sou filho de um preso político em 1964, que eu venho das lutas sociais e sindical. E que eu tinha em meu gabinete seis pessoas com deficiência física. (...) A hora que eles viram isso, eles desembarcaram da canoa. E reconheço que passaram a me ajudar."

Apesar de ver um paralelo entre a situação vivida por ele e a pressão sofrida por Feliciano, Pompeo crê que o deputado do PSC dá motivos para as críticas que vem recebendo. "Quem entra lá (na comissão) que não tenha esse perfil, eles carregam essa pessoa. O PT não está pegando para ele, não está assumindo, digamos assim, o filho que tem, que é a comissão. Deixam vago o lugar e, aquele que entra, toma pau. No caso do Feliciano, não sem certa razão", opina o ex-deputado.

Fonte: Terra
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