Ronaldo Caiado (PSD) diz que governo blefa com reciprocidade aos EUA e critica 'factoide'
Em evento da CNT, candidato disse que o Brasil é 'um paciente atropelado por um caminhão de 90 toneladas'
BRASÍLIA - O candidato do PSD à presidência da República, Ronaldo Caiado, criticou a decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de abrir o processo da Lei de Reciprocidade Econômica por conta do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
As declarações ocorreram na tarde desta quarta-feira, 19, durante o 11º Fórum CNT de Debates - Edição Presidenciáveis, realizado pela Confederação Nacional de Transportes (CNT), em Brasília. Na ocasião, ele falou que a polarização é "uma briga inútil".
"Agora o governo vai implantar uma regra de reciprocidade em cima dos americanos. Meu Deus do céu. Pelo amor de Deus. Para de estar blefando, para com essas coisas", declarou o ex-governador de Goiás.
Caiado continuou: "Gente, você não tem condição nenhuma. O José Múcio teve a coragem de resumir numa frase: abre o portão". O candidato acrescentou: "As pessoas precisam ter responsabilidade de não querer criar um factoide agora, que é exatamente inventar uma briga com os Estados Unidos para desviar o foco da economia".
Durante a exposição, Caiado disse que o Brasil é "um paciente atropelado por um caminhão de 90 toneladas". O candidato ouviu pleitos do setor de transportes e disse que o primeiro passo é realizar medidas para resgatar o equilíbrio fiscal e atrair investimentos.
O governo brasileiro deu início na semana passada, em 13 de agosto, ao processo de reciprocidade contra os Estados Unidos. Nesta tarde, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que a negociação com os Estados Unidos não tem nenhuma relação com o calendário eleitoral. "Não há, por parte do governo brasileiro, nenhum atrelamento ao calendário eleitoral", declarou.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também disse que não há interesse em retaliação. "Não há interesse em retaliar ninguém. Olho por olho, o máximo que pode acontecer é todo mundo ficar cego", disse em evento do Santander nesta semana.
Conforme já mostrou o Estadão/Broadcast, o governo brasileiro estima de dois a três meses para analisar se vai de fato aplicar a lei contra os Estados Unidos.
Candidato defende privatização de hidrovias
No Fórum CNT de Debates, Ronaldo Caiado também afirmou que a privatização de hidrovias é a única modalidade possível para que o Brasil avance no setor.
"Primeiro que nós não vamos ter dinheiro para desenvolver. Vai ter que ser nessa modalidade", declarou.
Segundo ele, é por meio das privatizações que vai ser possível buscar capital e possibilitar empresas fazerem empréstimos internacionais. "Não tem outra saída."
Caiado também disse que não há espaço no Orçamento para fazer investimentos em hidrovias. "Só tem essa modalidade, não tem outra capaz de nós avançarmos."
Durante a sua exposição, Caiado defendeu o que chamou de "moralização" das agências reguladoras e afirmou que é preciso realizar uma revisão da metodologia do cálculo do frete.
Questionado pela imprensa sobre a possibilidade de conceder desoneração ao setor de transportes, Caiado disse que, em primeiro lugar, é preciso resgatar o equilíbrio fiscal.
"O governo federal gasta acima da sua capacidade de produzir, e com isso, gerando maior déficit e a maior taxa de juros", disse o candidato do PSD.
"Eu acho que, antes de nós falarmos nesse assunto, temos que falar qual é o ajuste fiscal, de que maneira o governo vai enfrentar tamanha dificuldade e trazer as condições de equilíbrio."
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