Rixa entre irmãos, peso dos sobrenomes e aposta no legado dão o tom do que será a disputa eleitoral no Nordeste
Região concentra algumas das principais disputas pelo eleitorado do país, com embates marcados por heranças políticas e força do petismo
As convenções partidárias para as eleições de 2026, marcadas para ocorrer entre esta segunda-feira, 20, e 5 de agosto, darão início oficial à corrida eleitoral. No Nordeste, a disputa já reúne ingredientes que prometem marcar a campanha: nomes e sobrenomes tradicionais, rompimentos familiares e a tentativa do PT de se manter hegemônico em estados considerados bastiões lulistas.
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Na Bahia, no Ceará e em Pernambuco, três dos maiores colégios eleitorais do Nordeste, dois deles governados há anos pelo PT, os principais candidatos da oposição chegam à disputa respaldados por trajetórias políticas consolidadas ou pelo peso de famílias que influenciam a política local há décadas.
Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) será o primeiro entre os principais postulantes ao governo estadual a realizar convenção, marcada para quarta-feira, 22. Herdeiro político do ex-governador e senador Antônio Carlos Magalhães, Neto dessa vez tem adotado uma estratégia diferente da utilizada em 2022, quando perdeu a disputa para Jerônimo Rodrigues (PT).
Após resgatar, na eleição passada, o tradicional jingle "ACM, meu amor", associando seu nome ao legado do avô, a nova campanha busca aproximar o candidato do eleitorado popular, focando em uma linguagem mais popular, nos feitos de Neto em Salvador e nos problemas não resolvidos pela gestão petista em 20 anos de domínio do PT no Estado.
O foco do discurso de ACM Neto tem sido a segurança pública. O ex-prefeito, no entanto, terá na briga com Jerônimo o fator Lula a superar. Em seu palanque, estarão lideranças da oposição que apoiam tanto Flávio Bolsonaro (PL) quanto Romeu Zema (Novo). ACM, por sua vez, tem dito timidamente em entrevistas que seu candidato é Ronaldo Caiado (PSD).
Do outro lado, o PT aposta na manutenção de um dos seus principais redutos eleitorais. O governador Jerônimo Rodrigues busca a reeleição respaldado pela popularidade do presidente Lula na região e por uma estrutura política que reúne nomes de peso, como os ex-governadores Rui Costa, candidato ao Senado, e Jaques Wagner, que tenta renovar o mandato na Casa.
A avaliação dos petistas é que os fatores que garantiram o desempenho do partido em 2022 permanecem presentes: a identificação histórica do eleitorado nordestino com Lula, a força da legenda na região e a ampla capilaridade construída ao longo das últimas décadas.
No Ceará, a disputa ganha um componente inédito: pela primeira vez, os irmãos Ciro (PSDB) e Cid Gomes (PSB) estarão em lados opostos em uma eleição. Após décadas atuando juntos e liderando um dos grupos políticos mais influentes do Estado, Ciro será candidato ao governo pela oposição, enquanto Cid disputará a reeleição ao Senado na chapa encabeçada pelo governador Elmano de Freitas (PT).
O rompimento dos irmãos Ferreira Gomes teve origem nas eleições de 2022, quando a escolha do candidato ao governo estadual dividiu o PDT, partido que ambos eram filiados. Cid defendia a então governadora Izolda Cela como sucessora natural, mantendo a aliança com o PT. Já Ciro articulou a candidatura do ex-prefeito Roberto Cláudio, provocando o fim da parceria entre os dois partidos, que durava 16 anos.
A derrota de Roberto Cláudio e a vitória de Elmano de Freitas aprofundaram a divisão familiar. Desde então, Cid consolidou sua aproximação com o governo petista, enquanto Ciro passou a liderar a reorganização da oposição, reunindo partidos bolsonaristas do PL, lideranças do União Brasil e o PSDB em torno de sua candidatura.
Em Pernambuco, outro sobrenome tradicional ocupa o centro da disputa. O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), filho do ex-governador Eduardo Campos, tenta transferir para a campanha estadual o capital político herdado da família e ampliar sua associação com o presidente Lula.
A estratégia busca fortalecer sua candidatura diante da governadora Raquel Lyra (PSD), que disputa a reeleição. Embora pertençam a partidos diferentes, João Campos e o PT mantêm aliança no Estado, considerada estratégica para preservar a influência do campo governista em um dos principais colégios eleitorais do Nordeste.
Ao lado de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, na Bahia, Camilo Santana e Elmano de Freitas, no Ceará, João Campos é visto por aliados de Lula como peça importante para sustentar a força política do governo federal na região durante a campanha de 2026.
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