Quem é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado por decisão de André Mendonça
Delegado com mais de 20 anos de carreira comandava a Polícia Federal desde janeiro de 2023
O nome de Andrei Augusto Passos Rodrigues passou a ocupar o centro de uma das mais recentes crises envolvendo a Polícia Federal (PF) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Diretor-geral da corporação desde o início de 2023, o delegado foi afastado preventivamente nesta terça-feira (8) por determinação do ministro André Mendonça, em meio à controvérsia envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela PF sobre a atuação de autoridades.
Além de Andrei, Mendonça determinou o afastamento do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa. A decisão foi levada para análise da Segunda Turma do STF, que formou maioria para mantê-la, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto não houver uma decisão definitiva, a liminar de Mendonça permanece em vigor.
Quem é Andrei Rodrigues?
Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Andrei Rodrigues construiu sua carreira na área de segurança pública e ingressou na Polícia Federal há mais de 20 anos. Segundo currículo oficial divulgado pelo Ministério da Justiça, ele é formado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e possui pós-graduação pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul (Esmafe).
O delegado também fez curso de Gestão em Segurança Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Entre 2019 e 2020, concluiu mestrado em Alta Gestão em Segurança Internacional, realizado pelo Centro Universitário da Guardia Civil da Espanha e pela Universidade Carlos III de Madri. As informações constam no currículo oficial disponibilizado pela Polícia Federal.
Antes de chegar ao comando da Polícia Federal, Andrei Rodrigues ocupou funções de destaque na área de segurança pública. Um dos principais momentos de sua carreira ocorreu quando assumiu a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos. Na função, participou da coordenação da segurança da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
O currículo oficial também registra sua atuação como secretário-executivo da Comunidade de Polícias da América (Ameripol), organização voltada à cooperação entre forças policiais dos países do continente.
A experiência em operações de grande porte e na articulação entre diferentes órgãos de segurança ajudou a projetar o nome de Andrei dentro da área policial.
Andrei foi escolhido para comandar a Polícia Federal no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele assumiu oficialmente a direção-geral da corporação em 2 de janeiro de 2023, após ser anunciado para o cargo em dezembro de 2022.
Na estrutura da PF, o diretor-geral é responsável pela condução administrativa e estratégica da instituição, que integra o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A passagem de Andrei pelo cargo também ganhou destaque por sua experiência anterior na segurança de autoridades. Durante a campanha presidencial de 2022, ele integrou a equipe responsável pela segurança de Lula.
O que levou André Mendonça a afastar Andrei?
O afastamento ocorreu em meio a uma disputa envolvendo relatórios de inteligência da Polícia Federal que analisavam a atuação de André Mendonça em investigações sob responsabilidade do ministro no STF.
Segundo informações divulgadas nos últimos dias, documentos produzidos pela área de inteligência da PF foram encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes e posteriormente incorporados a um procedimento relacionado ao chamado Inquérito das Fake News. O material analisava a atuação de Mendonça em investigações, incluindo apurações relacionadas aos casos Banco Master e INSS.
Mendonça afirmou que os relatórios representariam um monitoramento indevido de autoridades e apontou problemas na forma como os documentos foram produzidos e utilizados.
Na decisão desta terça-feira, o ministro também determinou a suspensão da produção e do compartilhamento de documentos de inteligência que tenham como alvo a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública ou da própria polícia judiciária. A justificativa apresentada foi a necessidade de preservar as prerrogativas das autoridades e evitar o que classificou como constrangimentos ilegais.
A elaboração dos documentos ocorreu em um momento de forte tensão entre a cúpula da Polícia Federal e o gabinete de Mendonça. Segundo apuração da CNN, relatórios de inteligência sobre a atuação do ministro vinham sendo produzidos ao longo da crise entre a direção da PF e Mendonça, e não apenas nos dias imediatamente anteriores à divulgação do caso.
O episódio ganhou ainda mais repercussão depois que Alexandre de Moraes tornou públicos documentos que levantavam questionamentos sobre a condução de investigações relacionadas ao ministro André Mendonça. A situação passou a envolver diretamente integrantes da cúpula da Polícia Federal e ministros do Supremo, transformando a atuação de Andrei Rodrigues em um dos pontos centrais da crise institucional.
Partido Novo havia pedido medidas contra Andrei
Antes da decisão de Mendonça, o Partido Novo havia acionado o Supremo para pedir providências relacionadas à atuação da direção da Polícia Federal. Em 2 de setembro, a legenda pediu medidas para preservar a independência das investigações. No dia seguinte, solicitou inclusive a prisão preventiva de Andrei Rodrigues, alegando a existência de indícios de envolvimento em uma suposta rede de influência criminosa.
O pedido de prisão, porém, não foi atendido. A decisão desta terça-feira tratou especificamente do afastamento preventivo de Andrei e do diretor de Inteligência da PF.
Quem assume a PF no lugar de Andrei?
Com o afastamento, o comando da Polícia Federal passou interinamente para William Marcel Murad, então diretor-executivo da corporação e número dois na hierarquia.
Murad tem trajetória de mais de duas décadas na PF e já passou por áreas ligadas à inteligência, tecnologia e cooperação internacional e defendeu Andrei durante discurso na cerimônia de abertura do LXIII Curso de Formação Profissional (CFP) para agente de Polícia Federal, nesta terça-feira (8).
"Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. E aqui, reafirmamos, reafirmo, nossa total confiança na direção geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos", declarou Murad.
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