'Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?', pergunta Lula em defesa de Marcola
Em encontro com dirigentes da federação PSOL/Rede, presidente afirma que, ao longo da história, denúncias de corrupção foram usadas pela direita para derrubar governos, mas diz que na sua gestão a PF tem autonomia para investigar e quem cometer erros vai pagar
BRASÍLIA - Em reunião com dirigentes do PSOL e da Rede, nesta quarta-feira, 5, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que no seu governo a Polícia Federal tem autonomia para investigar quem quer que seja, mas defendeu seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola.
"Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?", perguntou Lula, de acordo com três participantes do encontro, no Palácio da Alvorada. Marcola deixou a coordenação da campanha de Lula depois que a Polícia Federal descobriu repasses feitos a ele pela empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista em negócios do Careca do INSS.
O ex-assessor de Lula disse, em nota, que quitou R$ 249 mil de um "empréstimo" contraído com a empresária, mas não explicou quando fez o pagamento e para que pediu o dinheiro.
Diante dos aliados, o presidente afirmou que, ao longo da história, a direita fez uso político de denúncias de corrupção não comprovadas, na tentativa de derrubar governos, fazendo referência às gestões de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Foi nesse momento que citou a explicação dada por Marcola para os pagamentos recebidos.
Apesar da defesa do ex-auxiliar, Lula disse que não há privilégio para ninguém no governo, nem mesmo para o seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Amigo de Roberta Luchsinger, Lulinha responde a três inquéritos abertos pela Polícia Federal, acusado de tráfico de influência. Roberta, por sua vez, chegou a ser alvo de mandado de busca e apreensão, no fim de 2025, na esteira das investigações que apuram desvios de aposentadorias do INSS.
O presidente reiterou aos dirigentes do PSOL e da Rede que quem é alvo de denúncias precisa se explicar. "Quem errou, que pague", insistiu ele. Lula afirmou ter ficado "triste" com a saída de Marcola, que o acompanhava há aproximadamente 11 anos, mas disse que ele vai se defender.
A reunião contou com a participação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que é do PSOL, e do presidente do PT, Edinho Silva, coordenador da campanha de Lula.
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