Pupilo de Valdemar Costa Neto intensifica articulação para disputar vaga ao Senado por SP
Presidente da Alesp tenta se viabilizar no PL após ser preterido para vice do governador Tarcísio de Freitas, mas depende do aval de Eduardo Bolsonaro
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), intensificou as articulações para viabilizar sua candidatura ao Senado por São Paulo.
André passou a se movimentar após ser preterido para a vaga de vice na chapa à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador de São Paulo tem sinalizado a auxiliares que pretende manter a dobradinha com Felício Ramuth, que trocou o PSD pelo MDB após rompimento com Gilberto Kassab.
Tarcísio afirmou a aliados que André tem seu apoio na corrida pela segunda vaga na chapa ao Senado, mas deixou claro que a palavra final sobre a escolha cabe a Eduardo Bolsonaro.
Aliado de primeira hora de Tarcísio, André está em seu quarto mandato consecutivo na Alesp e foi alçado à presidência do Legislativo paulista por indicação de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, de quem é próximo.
Embora não fosse a escolha inicial de Tarcísio para o posto, André conquistou a confiança do governador ao viabilizar a aprovação de todos os projetos de interesse do Executivo, incluindo a privatização da Sabesp - o mais impopular de todos -, a PEC da Educação e o programa de escolas cívico-militares.
Justamente por ter garantido governabilidade a Tarcísio na Alesp é que parlamentares do PL, sobretudo da chamada "ala raiz" do partido, têm defendido a indicação do deputado ao Senado. Para esse grupo, uma candidatura à reeleição representaria um retrocesso na trajetória de André do Prado, sobretudo porque ele não poderia mais disputar a presidência da Assembleia e voltaria à condição de um deputado comum da base do governo em um novo mandato.
O deputado Alex Madureira, líder do PL na Assembleia, disse que a indicação de André ao Senado tem o apoio de toda a bancada do partido, inclusive de bolsonaristas.
Decisão passa por Eduardo Bolsonaro
Para viabilizar seu nome, André precisa mais do que o apoio de Tarcísio e Valdemar: terá de convencer o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, considerado o "dono" da vaga.
No mês passado, André viajou aos Estados Unidos para uma conversa com Eduardo, mas saiu sem uma definição — não houve sinal verde, nem veto, segundo aliados. Ele agora planeja uma nova viagem para retomar a negociação com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Temos a intenção de ir falar com Eduardo, mas ele não decidiu quem vai ser candidato ao Senado", disse o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ao Estadão, após ser questionado sobre a viagem com André do Prado para encontrar Eduardo. "Eu apoio quem o Eduardo indicar", acrescentou o dirigente.
Antes de se autoexilar nos Estados Unidos, Eduardo seria candidato a senador na dobradinha com o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Guilherme Derrite (PP). Por isso, ele tem grande influência na escolha do seu substituto. Aliados dele afirmam que a preferência é por alguém mais umbilicalmente ligado à família Bolsonaro.
Nos últimos meses a disputa havia se afunilado entre o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL). Em um encontro que era visto como decisivo, Mello Araújo visitaria Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha em 18 de abril, mas a visita foi suspensa depois que o ex-presidente foi transferido para a prisão domiciliar.
O grupo diverge sobre o perfil do outro candidato. Uma ala defende outro nome ideológico, como Frias e Mello Araújo, enquanto Tarcísio e pessoas próximas defendem uma opção moderada, caso de André do Prado. A avaliação do governador é que uma chapa com dois nomes ideológicos poderia afastar eleitores de centro, que migrariam para opções do campo progressista.
A ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), já confirmou que estará na disputa e, para a segunda vaga, são cotados a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), e o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB). Os três deixaram o governo Lula antes do prazo exigido para disputar a eleição.
Pesquisa Atlas/Estadão divulgada no último dia 31 mostra que Tebet, Derrite e Marina estão tecnicamente empatados na corrida pelo Senado quando se consolidam os dois votos do eleitor para o cargo. Tebet teria hoje 22,6% das intenções em São Paulo, contra 22% de Derrite e 19,6% de Marina. Mello Araújo vem em seguida com 14,8%, enquanto o deputado federal Ricardo Salles (Novo) tem 11,1%.
A pesquisa testou um segundo cenário, com Mário Frias no lugar de Mello Araújo e Haddad no lugar de Tebet - o ex-ministro da Fazenda, porém, já está confirmado como candidato a governador. Neste caso, Derrite vai a 22,1%, Haddad registra 21,8% e Marina, 19,7%. Salles aparece no segundo pelotão com 12,8%, empatado com Frias, que tem 12,3%.
O levantamento foi realizado entre os dias 24 e 27 de março, ouvindo 2.254 eleitores de São Paulo por recrutamento digital aleatório, A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-01079/2026.