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Política

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PT evita antecipar debate sobre sucessão de Lula em nomes de novo ministério e mira em disputa no Congresso

Aliados dizem que discussão sobre 2030 é prematura e defende que prioridade é garantir governabilidade

31 out 2026 - 05h00
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A ocupação de postos de destaque pode dar visibilidade nacional a possíveis herdeiros políticos do presidente Lula
A ocupação de postos de destaque pode dar visibilidade nacional a possíveis herdeiros políticos do presidente Lula
Foto: Wilton Junior/ Estadão / Estadão

A escolha dos nomes que irão comandar áreas estratégicas e sensíveis da Esplanada dos Ministérios no  governo Lula 4 já abre espaço para especulações sobre a sucessão presidencial de 2030. A ocupação de postos de destaque pode dar visibilidade nacional a possíveis herdeiros políticos do presidente, mas aliados do petista rejeitam antecipar esse debate e afirmam que as prioridades, neste momento, são a composição do governo, a articulação com o Congresso e a execução de políticas públicas. 

Para um petista consultado pelo Terra, o próximo mandato deve ser marcado pela realização de entregas à população e pela discussão de reformas. O parlamentar citou mudanças nas áreas política, eleitoral e do Judiciário como temas que, na avaliação dele, precisam entrar na agenda do governo. “É muito cedo para qualquer um se colocar ou debater a sucessão do Lula”, afirmou.

Questionado sobre a escolha dos novos ministros, também rejeitou a divisão entre perfis técnicos e políticos como critério isolado. Para ele, a composição da Esplanada deverá considerar a correlação de forças no Congresso Nacional e a capacidade de articulação do governo com os partidos representados nas duas Casas. “O ministério tem que ser aquilo que nós tivermos condições de construir de acordo com as forças políticas que tem aqui na Câmara e tem no Senado”, disse.

Enquanto evita antecipar a discussão sobre 2030, o PT volta suas atenções à eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. A definição do comando da Casa é considerada parte das negociações para estabelecer a relação entre o Legislativo e o Executivo no próximo mandato.

O deputado Valmir Assunção (PT-BA) afirmou que o partido não deve integrar blocos parlamentares com o PL e o Novo, siglas que, segundo ele, mantêm divergências políticas e ideológicas com os petistas. A articulação para eleger o próximo presidente da Câmara, na avaliação do deputado, deverá envolver outras legendas. “Não dá para nós estarmos em nenhum bloco junto com o PL. Não dá para a gente estar em nenhum bloco junto com o Novo”, declarou.

O parlamentar disse que a construção de uma maioria dependerá de acordos entre os partidos e defendeu que o candidato ao comando da Câmara seja responsável por conduzir as negociações. Ele também afirmou acreditar que o governo buscará um presidente da Casa em sintonia com o Executivo, embora tenha reconhecido a autonomia do Legislativo para escolher seu dirigente.

O deputado Jorge Solla (PT-BA) também colocou a articulação com o Congresso entre os desafios do próximo governo. Ele defendeu uma mudança na estratégia de negociação política e criticou o que considera uma relação de submissão do Executivo aos partidos que podem garantir votos para a aprovação de projetos. “Quanto mais você entrega, mais a boca abre. Quanto mais você aceita, mais a faca enfia no pescoço”, afirmou.

Ao explicar sua avaliação, Solla citou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e disse que um dos erros do governo foi reduzir a governabilidade ao número de parlamentares aliados. Para ele, a estratégia de ampliar concessões a partidos em troca de apoio não assegura, necessariamente, estabilidade política.

O deputado avalia que a mobilização popular poderá exercer pressão sobre o Congresso e contribuir para a aprovação da agenda de Lula, mesmo diante de uma bancada governista menor do que a atual. “Eu acho que esse vai ser o grande diferencial do próximo governo”, disse, ao defender uma atuação baseada em posicionamento político, cobrança e mobilização social.

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Fonte: Portal Terra
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