Presidenciáveis se manifestam sobre sessão do STF que discute investigação de Moraes
Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) se manifestaram; Lula (PT) foi questionado mas não respondeu
Em sessão inédita, o STF iniciou o julgamento sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposta proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro. O fato repercutiu na corrida eleitoral, gerando manifestações de diversos presidenciáveis: Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos defenderam punições ou o afastamento do magistrado, Flávio Bolsonaro apontou desequilíbrio institucional e Augusto Cury criticou a Corte, enquanto Lula não se pronunciou sobre o caso.
Na manhã de hoje, 15, foi iniciada a sessão do Supremo Tribunal Federal que julga a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento tem como base indícios de uma relação próxima entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro, detalhada em mensagens reveladas pelo Estadão em 1° de setembro. No mesmo dia, o ministro André Mendonça tornou públicos documentos oficiais que traziam as mensagens.
A sessão é inédita, uma vez que nunca antes se analisou se um dos membros da corte seria investigado.
Durante a manhã, os presidenciáveis Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) se manifestaram sobre a sessão e seus desdobramentos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi questionado, mas não respondeu.
Romeu Zema (Novo)
O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, participou de manifestação de candidatos próxima ao Congresso Nacional, em Brasília. Ao lado do candidato a vice-presidente, Eduardo Girão, e de outros membros do partido, afirmou que "tem muito ministro com medo."
Ele também voltou a defender o que chama de "combate aos intocáveis", expressão utilizada na campanha para se referir à atuação de integrantes do Supremo.
A mobilização do Novo segue direcionamentos eleitorais estabelecidos pelo diretório nacional do partido em abril. O documento determina que candidatos da legenda assumam o compromisso de defender o impeachment de ministros do STF em situações que o partido considera abuso de autoridade.
Ronaldo Caiado (PSD)
Em publicação no X, antigo Twitter, Ronaldo Caiado comentou sobre a gravidade da crise que atinge a Suprema Corte e se manifestou em favor do afastamento imediato de Alexandre de Moraes.
"O julgamento de hoje no STF é histórico porque escancara o que eu venho dizendo há tempos, faltou tudo, decoro, senso público e o mínimo de liturgia no exercício do cargo", escreveu.
Horas antes, também no X, o candidato defendeu uma reforma no Judiciário, caso seja eleito. "Vamos implementar critérios rígidos para o STF como idade mínima de 60 anos, comprovado conhecimento jurídico em todo o país, quarentena de 4 anos para voltar à profissão e de 8 anos para disputar a política", afirmou.
Renan Santos (Missão)
Em vídeo, publicado no Instagram, Renan Santos afirma que irá torcer pelo afastamento do ministro Alexandre de Moraes, assim como pelo fim "do seu super poder e da sua atuação arbitrária em processos"
Entretanto, o presidenciável declarou desconfiança quanto às conclusões do processo terminarem em impunidade e levantou questionamentos relacionados a possíveis relações de ministros e seus parentes com negócios do Banco Master. "A questão fundamental é que o STF praticamente todo é envolvido em negócios escuso"
O candidato defende como solução para a crise do STF "votar direito nas eleições" e se posiciona como opção para tal, alegando que não está envolvido com o escândalo do Banco Master.
"Se você elege um presidente ligado ao Banco Máster, ao escândalo do INNSS, e ao roubo de dinheiro envolvendo emendas, você vai colocar o presidente para fazer um bom acordo com os membros do STF. Envolvimento direto e indireto nesse escândalo, temos tanto Flávio quanto Lula", argumenta.
Flávio Bolsonaro (PL)
Na propaganda eleitoral exibida hoje às 13h, Flávio Bolsonaro (PL) defendeu que o Brasil está "sem comando" porque o atual presidente dividiu o poder com o ministro Alexandre de Moraes.
"O atual governo criou um desequilíbrio institucional. Decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei. Não é atoa que isso tudo está acontecendo, é porque o atual governo faz parte desse sistema que está apodrecido", declarou.
Augusto Cury (Avante)
Em agenda de campanha na Avenida Paulista, Augusto Cury postou uma foto nas redes sociais com referências diretas à sessão desta manhã.
"Enquanto eles gritam, eu escuto a dor do povo" estampava um dos banners próximos ao candidato, que era mostrado conversando com a população.
A imagem também rivalizava com uma foto dos ministros do STF, com a frase "o Brasil que não queremos".
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