Prefeito de Salvador nega erros e acusa sindicalistas de terem colado adesivos do PT em ônibus
Bruno Reis (União Brasil) afirma que operações foram normalizadas e defende secretário de Mobilidade, que teve prisão determinada pela Justiça Eleitoral
Após falhas no transporte público no segundo turno levarem à extensão da votação em Salvador e à ordem de prisão do secretário de Mobilidade, o prefeito Bruno Reis negou omissão da gestão. Ele afirmou que o serviço foi normalizado e acusou sindicalistas ligados ao PT de colarem adesivos de campanha nos ônibus para inviabilizar a frota por crime eleitoral. O sindicato nega gerência sobre a circulação, enquanto órgãos fiscalizadores flagraram centenas de veículos retidos nas garagens.
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou que as operações dos ônibus foram normalizadas na tarde deste domingo, 25, e defendeu seu secretário de Mobilidade, Pablo Souza, que teve a prisão decretada após falhas na oferta do transporte público no dia do 2º turno das eleições. O chefe do Executivo municipal ainda acusou sindicalistas de terem colado adesivos de campanha nos veículos, o que prejudicou a operação.
Por causa do problema de deslocamento dos eleitores, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, determinou a extensão do horário da votação até as 19 horas. Ele atendeu a pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição.
A prefeitura afirma que a circulação de ônibus com esses materiais configuraria crime eleitoral. Fotos que circularam nas redes sociais mostram coletivos com adesivos do PT.
O Estadão buscou contato com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário Urbano de Passageiros de Salvador (Sinttrus), mas não obteve retorno.
Mais cedo, em nota, a entidade havia dito não ter "qualquer papel, poder de decisão ou participação na montagem das escalas operacionais e tampouco na determinação ou restrição de saída de ônibus das garagens".
"Não houve por parte da prefeitura qualquer orientação para que a frota não fosse oferecida. Aí, de forma injustificada, tendo em vista que a operação já foi corrigida, começa a se explorar isso politicamente. [...] Neste momento temos frota superior à que rodou em eleições de outros anos, inclusive no 1º turno de 2026", disse Reis.
Bruno Reis citou diretamente membros do Sindicato dos Rodoviários como os supostos autores da colagem de adesivos relativos à campanha de Lula nos ônibus: "Se tiver câmeras nas garagens, tem como identificar (quem colou os adesivos). Isso ocorreu durante a madrugada."
"O que posso afirmar é que são sindicalistas, pessoas vinculadas ao sindicato, que tem posições político-partidárias claras, vocês sabem, não adianta citar nomes. É vinculado ao PT, sempre foi. Por questões políticas fizeram propaganda irregular no dia das eleições", prosseguiu.
Por fim, o prefeito afirmou que "nunca questionou o resultado de eleições" e encerrou: "Tenho consciência tranquila e durmo em paz porque oferecemos o transporte público. Desde antes de ser obrigação."
Entenda o caso envolvendo a frota de ônibus de Salvador
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a oferta da frota completa de ônibus após denúncias de que grande parte dos veículos continuava nas garagens, com prejuízo ao deslocamento dos eleitores.
Para o desembargador eleitoral Mauricio Kertzman, houve violação aos artigos 297, 304 e 347 do Código Eleitoral, que preveem os crimes de impedimento ao direito ao sufrágio.
O Procon da Bahia identificou pelo menos 544 ônibus parados em garagens de empresas de transporte público de Salvador. Segundo o órgão, eram poucos os veículos com adesivos colados. Nas redes sociais, havia diversos relatos de atrasos e pontos de ônibus lotados.
O secretário de Mobilidade Urbana de Salvador, Pablo Souza, que teve sua prisão em flagrante determinada pela Justiça Eleitoral, está cumprindo agenda em em Paris. A prefeitura disse que ele vai se apresentar às autoridades na segunda-feira, 26, para dar esclarecimentos.
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