Locais de votação fecham antes das 19h em SP e eleitores não conseguem votar apesar de prorrogação
No bairro do Limão, equipe da Justiça Eleitoral informou que ordem para estender votação não chegou a tempo; Zanin informou que decisão só valeria para urnas ainda abertas
Apesar de o STF ter prorrogado a votação até as 19h em São Paulo, diversos eleitores foram impedidos de votar. O ministro Cristiano Zanin esclareceu que a medida não se aplicava às seções já encerradas às 17h, horário original do pleito. Com isso, colégios fecharam os portões antes do novo prazo, e a ordem de extensão não chegou a tempo em várias zonas, gerando revolta e frustração em cidadãos que compareceram aos locais após o anúncio da prorrogação e encontraram as urnas já desmobilizadas.
Eleitores não puderam votar em diversos colégios que já haviam fechado as portas ou encerrado o funcionamento das urnas eletrônicas. Mesmo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar a votação para as 19h, a reabertura dos locais não foi possível pois o ministro Cristiano Zanin explicitou que, no caso das urnas já fechadas, a prorrogação não valeria.
A assistente administrativa Natasha Pereira do Nascimento, de 28 anos, chegou à Escola SENAI "Roberto Simonsen", no bairro do Brás, em São Paulo, às 17h13, mas não foi autorizada a entrar para votar. Ela esperou por cerca de uma 1h30 no local, sob chuva, e com a filha de um ano e dois meses doente no colo.
"Eu cheguei aqui e fecharam o portão na minha cara para eu não conseguir votar. Estou com a minha filha no colo. Minha filha tem um ano e dois meses, está com o catarro verde escorrendo. Me falaram que aqui não foi prorrogado, que eles não podem fazer nada, que eles não sabem de nada, que aqui foi tudo desmontado e não podem deixar entrar", relatou Natasha. Ela acionou a polícia militar, mas relatou que nenhuma viatura foi ao local.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogou a votação por mais duas horas em decisão proferida às 17h01, um minuto após o fim das eleições. Diante da indefinição sobre como proceder, ele proferiu uma segunda decisão para esclarecer que a medida será aplicada apenas para as seções que não tinham sido encerradas.
A diarista Cida Vieira, de 46 anos, soube da prorrogação pela TV e se dirigiu ao seu local de votação, na EMEF Visconde de Taunay, no bairro do Limão, para tentar votar. Chegando lá, foi informada de que não poderia votar. O Estadão presenciou a cena. "Eles falaram que a minha urna não está funcionando, só a 113, a minha é a 121", relatou ela. "Eu fico indignada. Anunciou na TV (a prorrogação) e não funciona na prática."
A urna 113 sofreu uma pane e precisou ser trocada. Por isso, os eleitores que estavam na fila conseguiram votar após as 17h - as demais, foram encerradas no horário original. Segundo funcionários da Justiça Eleitoral que estavam no local, a ordem para estender a votação não chegou em tempo hábil.
Às 18h02, a reportagem acompanhou a saída de uma van que transportava as urnas da escola. O executivo de vendas Jeferson, 26 anos, chegou de táxi por volta das 18h25 e encontrou o local fechado e sem nenhum mesário ou funcionário.
"É um absurdo. Se foi prorrogado até às 19h, não faz sentido estar fechado. A gente sabe que a frota de ônibus foi reduzida em São Paulo, tive que gastar dinheiro com táxi", afirmou ele.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.