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Política

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Flávio lança candidatura ao Planalto com defesa do legado do pai e aceno estratégico às mulheres

Senador oficializou sua candidatura durante ato em São Paulo com presença do presidente da Argentina, vídeo de apoio enviado por Michelle e simulação de IA do ex-presidente que pediu para eleitores receberem Flávio 'de braços abertos'

25 jul 2026 - 13h15
(atualizado em 27/7/2026 às 12h51)
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Numa convenção com projeção internacional e chapa incompleta, o Partido Liberal (PL) lançou neste sábado, 25, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A defesa do legado de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), e o destaque estratégico dado às mulheres no palco marcaram as três horas de evento.

Ausente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro prorrogou o clima de reconciliação com o enteado ao enviar um vídeo de apoio, antes de o presidente da Argentina, Javier Milei, levantar o público com um discurso de meia hora com ataques a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem se referiu como um "lixo". Flávio prometeu que, em 2027, Bolsonaro "vai subir aquela rampa do Planalto junto com a gente".

A convenção do PL exibiu também um vídeo gerado por inteligência artificial que simulava a imagem e a voz do ex-presidente Bolsonaro para declarar apoio ao senador. Logo no início da mensagem, o vídeo informava que se tratava de uma simulação. "Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz, feita com inteligência artificial", dizia a gravação.

Na sequência, a versão criada por IA afirmava que Bolsonaro estava "preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária" e pedia apoio à candidatura do filho. "Nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos", dizia a mensagem. Ao final, a simulação do ex-presidente pedia que os apoiadores recebessem "de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir". "Sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente", concluiu o vídeo.

Vídeo declaradamente produzido por IA mostra Jair Bolsonaro pedindo apoio de 'braços abertos' para a candidatura do filho
Vídeo declaradamente produzido por IA mostra Jair Bolsonaro pedindo apoio de 'braços abertos' para a candidatura do filho
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

A gravação de IA de Bolsonaro foi seguida por um vídeo curto do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu. "Você é um grande defensor do Brasil, um grande defensor da amizade entre nossos povos, e sei que levará o Brasil a patamares cada vez mais elevados", afirmou.

Procurado pelo Estadão, o advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo afirmou que a exibição do vídeo pode gerar questionamentos à Justiça, mas avalia que a principal discussão será se uma mensagem produzida por inteligência artificial pode ser equiparada a uma manifestação política do próprio Jair Bolsonaro, que está proibido de exercer atividade político-partidária.

Segundo ele, a defesa do ex-presidente pode sustentar que a gravação foi produzida por IA e, portanto, não configura uma manifestação direta de Bolsonaro. "A própria imagem avisa, 'não sou eu, é IA', a defesa pode alegar isso. Então a discussão vai ser: IA é igual a ele ter feito essa manifestação política que ele não podia fazer, ou IA é terceiro, ou sei lá o quê, então não tem problema?", questionou.

O especialista também avaliou que, do ponto de vista eleitoral, a exibição do vídeo tende a não ter consequências imediatas por ter ocorrido durante uma convenção partidária, considerada um ato interno da legenda.

Flávio saúda mulheres após embate com Michelle e defende 'legado' do pai

Flávio Bolsonaro abriu o discurso exaltando a esposa, Fernanda, a quem dirigiu uma sequência de elogios e agradecimentos pelo apoio ao longo de sua trajetória política. Em seguida, agradeceu à mãe, Rogéria, que o acompanhava no palco. O tom familiar e o aceno às mulheres marcou o início da fala e dialoga com um dos desafios da campanha do senador, ampliar sua interlocução com o eleitorado feminino.

O senador também agradeceu à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, destacando que ela não compareceu ao evento porque permaneceu em casa para cuidar de Jair Bolsonaro. Ao citar o pai, Flávio se emocionou e chorou diante do público.

Flávio Bolsonaro durante convenção nacional do PL.
Flávio Bolsonaro durante convenção nacional do PL.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O senador ainda afirmou que Jair Bolsonaro foi "alvo" três vezes. A primeira ocorreu com a facada durante a campanha presidencial de 2018; a segunda, quando o ex-presidente foi "humilhado" e enviado à prisão "junto com centenas de outros inocentes"; e a terceira seria, nas palavras de Flávio, a tentativa de "isolar e calar o maior líder da direita que esse País já teve", afirmou.

Ele disse que manterá o "legado" do pai e projetou seu retorno ao Palácio do Planalto. Dirigindo-se diretamente ao ex-presidente, afirmou que seguirá "até o fim" e declarou: "Tenho certeza de que, em janeiro de 2027, Jair Bolsonaro vai subir aquela rampa do Planalto junto com a gente".

Michelle não participa de ato, mas envia vídeo de apoio

A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, recém-conciliada com o enteado após protagonizar embate público em junho, não compareceu ao ato, apesar dos apelos de aliados por sua presença. Ela, no entanto, gravou um vídeo em apoio à candidatura de Flávio.

Na gravação, Michelle afirmou que, por estar cuidando de Jair Bolsonaro, não pôde comparecer ao evento. Michelle também exaltou a liderança do marido, dizendo que ele representa "a força de mais de 58 milhões de brasileiros".

A ex-primeira-dama ainda fez um apelo pela maior participação feminina na política. Ela agradeceu ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmando que, "graças ao trabalho de vocês e ao apoio prestado pelo presidente Valdemar", o PL Mulher "se tornou o maior movimento feminino partidário do Brasil". Michelle Bolsonaro deixou a presidência do setorial do partido por conta da crise entre ela e o enteado.

Apenas no encerramento da mensagem Michelle mencionou Flávio Bolsonaro nominalmente, ao afirmar: "Que Deus abençoe e proteja a sua candidatura, que ele te dê sabedoria, coragem e força a você e a sua família para cumprir essa missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece". O vídeo foi recebido com críticas e desconfiança por parte do público.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que a eleição de Flávio depende da união do campo da direita e defendeu a formação de uma "ampla bancada no Senado". Segundo ele, senadores como André do Prado e Guilherme Derrite terão "coragem" para defender os interesses do País "independente de STF, STJ ou qualquer coisa que venha a fazer com que o interesse do Brasil seja colocado em segundo plano".

Em seu discurso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concentrou críticas ao governo Lula na economia, na segurança pública e no aumento do endividamento das famílias. O governador também lamentou a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro no evento. "Eu sei que dói saber que o nosso presidente Bolsonaro não está com a gente aqui", disse.

O governador atribuiu a Flávio Bolsonaro a missão de dar continuidade ao legado do ex-presidente. "A gente viu o que o presidente Bolsonaro fez pelo nosso País [...] Entregou um Brasil de esperança. Essa esperança está depositada em Flávio Bolsonaro agora", afirmou.

O governador também tentou ressaltar a experiência política do senador. "Tem experiência nos vários mandatos de deputado. Tem experiência no mandato de senador", disse, acrescentando que Flávio acompanhou o pai "ombro a ombro" durante o governo e conheceu "as dificuldades de Brasília".

Logo no início da convenção, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes subiram ao palco ao lado de Flávio Bolsonaro e levantaram seus braços, de mãos dadas, em um gesto de apoio à candidatura do senador à Presidência.

Milei diz que Brasil enfrenta 'risco Lula' e critica STF por não autorizar visita a Bolsonaro

Em um discurso de quase trinta minutos, o presidente argentino, Javier Milei, afirmou que a eleição brasileira representa uma escolha entre "a libertação" e a continuidade da "submissão à esquerda". Ele intensificou os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que o Brasil caminha para "uma crise da dívida" por causa da política fiscal do governo e comparou o cenário brasileiro ao da Argentina antes de sua eleição.

"Se na Argentina temos o 'risco Kuka' (kirchnerismo), aqui no Brasil hoje existe o 'risco Lula'", afirmou. Segundo ele, o governo estaria ampliando gastos para tentar vencer as eleições e, "mais cedo ou mais tarde", esse custo seria pago.

Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL) no Mercado Livre Arena, na zona oeste de São Paulo
Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL) no Mercado Livre Arena, na zona oeste de São Paulo
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

"O Brasil caminha para uma crise da dívida, decorrente do fato de Lula não ter feito o ajuste fiscal que a situação exigia e agora estar agravando a situação para ter chances de vencer. Ou seja, o desperdício, mais cedo ou mais tarde, tem que ser pago, e esperemos que seja pago por quem o causou, perdendo nas urnas em outubro", disse.

Milei também reclamou de não ter recebido autorização para visitar Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado, e comparou o caso ao período em que Lula esteve preso.

"Para piorar tudo, o lixo... Ele não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso, embora eu saiba que Lula estava cansado de receber líderes estrangeiros enquanto estava na prisão, incluindo o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández", disse, em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O presidente argentino afirmou ainda esperar reencontrá-lo em breve.

O ataque a Moraes foi rebatido poucas horas depois pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, que classificou o episódio como incompatível com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados.

Ao defender a candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei afirmou que o senador é "a pessoa que hoje pode deter Lula e liderar uma verdadeira mudança para todos os brasileiros". Também disse que não vê outro nome capaz de enfrentar o suposto "risco que Lula representa para o Brasil" e de combater organizações criminosas e cartéis de drogas.

Vídeos de irmãos emocionam Flávio Bolsonaro

A convenção também exibiu vídeos gravados pelos irmãos de Flávio: Eduardo e Carlos Bolsonaro. Dos Estados Unidos, Eduardo pediu união em torno da candidatura do senador, afirmou que "não há mais tempo para ego, projeto pessoal ou qualquer outro tipo de situação" e disse esperar uma "onda azul" nas eleições. Segundo ele, a vitória de Flávio permitirá que "presos injustamente" voltem a subir a rampa do Planalto.

Já Carlos emocionou o irmão, que chorou durante a transmissão. No vídeo, afirmou que Flávio assume uma "enorme responsabilidade" ao liderar o movimento político da família, disse confiar que ele dará continuidade ao legado de Jair Bolsonaro. Carlos afirmou ainda que o ex-presidente é "vítima diária desse sistema", que Flávio passou a ser alvo dos mesmos "ataques" e pediu que o irmão mantivesse "a cabeça erguida".

Antes da fala de Flávio, aliados fizeram críticas ao PT e defenderam sua candidatura. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, classificou Jair Bolsonaro como "o maior líder que já conheci". Já o senador Rogério Marinho afirmou que é preciso "varrer a corja" do PT, disse que os adversários defendem criminosos e "vitimizam ladrões" e explorou a segurança pública, tema que a oposição considera uma das principais fragilidades do governo federal.

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), também defendeu a formação de uma base de apoio no Senado para um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Citando seu companheiro de chapa ao Senado, o deputado federal Guilherme Derrite (PP), afirmou que será preciso ter "coragem" para aprovar projetos do futuro governo e enfrentar pautas relacionadas ao Judiciário. "Ninguém está acima da lei. Se cometer crime de responsabilidade, tem que arcar com as consequências", disse, sem citar casos específicos.

A ampliação da bancada no Senado é tratada pelo PL como prioridade estratégica. Integrantes do partido defendem que uma maioria na Casa fortaleceria a tramitação de pautas da legenda, incluindo eventuais processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Estadão
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