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Política

Petista Odair Cunha vence eleição para o TCU com apoio de Motta e direita fragmentada

Cinco parlamentares disputaram a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, em fevereiro; a candidatura de Odair fez parte de um acordo do presidente da Câmara com o PT

14 abr 2026 - 21h24
(atualizado às 21h26)
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Foto: Sheyla Leal/Agência Senado

BRASÍLIA - O petista Odair Cunha (MG) obteve nesta terça-feira, 14, a maioria dos votos dos deputados e foi eleito para ocupar a vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU) com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz

O nome de Odair ainda precisa ser apreciado pelo Senado.

Odair recebeu 303 votos, mais que os dois últimos indicados pela Câmara para vagas no TCU: Jhonatan de Jesus, em 2023, teve 239 votos, e Ana Arraes, em 2011, conquistou 222.

Outros quatro deputados disputaram a vaga: Elmar Nascimento (União-BA) teve 96 votos; Danilo Forte (PP-CE) teve 27 votos; Hugo Leal (PSD-RJ), com 20 votos, e Gilson Daniel (Podemos-ES), com 6 votos.

Após negociações nos bastidores, as duas mulheres que concorriam à vaga retiraram a candidatura antes da votação: Soraya Santos (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP). Segundo Soraya, houve um acordo de líderes da direita para que, na próxima vaga ao TCU aberta, eles indiquem uma mulher.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a retirada da candidatura de Soraya também fez parte de um acordo para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tivesse apoio do União Brasil na disputa ao Palácio do Planalto.

Em seu discurso, Sóstenes defendeu voto em Elmar Nascimento contra o candidato petista. "Voto útil contra o PT é nós elegermos Elmar Nascimento ao Tribunal de Contas da União", disse.

Odair venceu após forte articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que buscou cumprir acordo feito com o PT em 2024 de indicar um petista em troca de apoio à candidatura do paraibano ao comando da Casa legislativa.

Ele entrou em campo para impedir traições ao petista e, nos últimos dias, ligou para parlamentares para pedir voto no petista, segundo relatos ao Estadão.

Um aliado de Motta afirmou que uma eventual derrota de Odair cairia, em parte, no colo do presidente da Câmara, que estava dedicado à missão de elegê-lo. Também criticou a gestão de Motta na Casa, o que, segundo ele, teria deixado a disputa mais imprevisível ao desagradar os parlamentares.

Em discurso antes da eleição, Odair voltou a dizer que sua candidatura não pertencia ao governo, a um partido ou à oposição:

"Este plenário me conhece e sabe que essa candidatura pertence a um colegiado de senhores deputados, de senhoras deputadas que sabem da minha história e do meu compromisso com esta Casa, com a democracia, com o diálogo e com o entendimento", disse.

Odair também defendeu as emendas parlamentares, ao dizer que não criminaliza política. "Eu sei o que significa uma emenda na ponta. Afinal, é a emenda que constrói uma unidade básica de saúde", disse. "Emenda parlamentar não é um problema. Emenda é solução."

Para o líder do PSB na Câmara, Jonas Donizette (SP), a eleição de Odair foi bem conduzida.

"Nós ajudamos a consolidar o nome dele como uma unidade, reconhecido como candidato da Casa e não de um partido", afirma.

Como mostrou o Estadão, a oposição tentou unificar as candidaturas de direita para tentar derrotar Odair, mas só conseguiu a adesão de Adriana Ventura e Soraya Santos.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, estava à frente desse movimento. Ele reuniu na manhã desta terça, em seu gabinete no Senado, quatro dos seis nomes da direita: Hugo Leal, Soraya, Adriana e Elmar. Sóstenes e o líder do Novo, Marcel Van Hattem (RS), também participaram.

Até o influenciador Pablo Marçal, recém-filiado ao União, entrou em campo para ajudar na articulação. Ele telefonou para um dos candidatos nos últimos dias, segundo relato feito ao Estadão, para pressionar pela desistência.

O influenciador entrou com tudo na campanha. Ele publicou no fim de semana um vídeo para cobrar os parlamentares a impedirem que o governo Lula consiga emplacar Odair. A publicação atingiu 35 milhões de visualizações nesta segunda-feira.

A vitória de Odair quebra um histórico ruim para candidatos apoiados pelo governo. O próprio Cedraz (PFL-BA) foi eleito em 2006 em uma disputa que tinha um petista como candidato do governo - Paulo Delgado (PT-MG). Ele obteve 172 votos, ante 148 do adversário, numa época em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então em seu primeiro mandato, fruía de boa popularidade e seria reeleito na eleição daquele ano.

Em 2005, Augusto Nardes (PP-RS) recebera 203 votos, enquanto José Pimentel (PT-CE) obtivera 137.

O TCU é composto por nove ministros. Seis deles são indicados pelo Congresso Nacional; os outros três são nomeados pelo Palácio do Planalto. A Corte é responsável, entre outras coisas, por analisar a prestação de contas do presidente da República e realizar inspeções e auditorias das contas da Câmara e do Senado.

Estadão
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