Pacto entre Lula, Motta e Alcolumbre tem eleições no radar, promessas de apoio e união contra Flávio
Bastidores: 'Poderia dizer juntos para sempre', afirmou Lula, após fechar acordo para o Congresso votar MP que trata do fim da 'taxa das blusinhas' na próxima semana
De olho nas eleições, o presidente Lula firmou um pacto político com os chefes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. O Congresso pautará temas de apelo popular, como o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança, para impulsionar a campanha petista contra Flávio Bolsonaro. Em troca do apoio à sua reeleição, Lula se comprometeu a apoiar a recondução de ambos ao comando do Legislativo em 2027, superando atritos anteriores com o Senado para consolidar essa aliança com o Centrão.
BRASÍLIA - O pacto político firmado nesta quarta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), teve como pano de fundo as eleições de outubro. Na tentativa de ajudar Lula a ter uma agenda positiva na campanha, tanto Alcolumbre como Motta vão instalar comissões e pôr na pauta de votação da próxima semana temas com apelo popular, como o fim da escala de trabalho 6X1 e a Medida Provisória que trata do fim da chamada "taxa das blusinhas".
O Congresso terá os últimos dias de trabalho antes das eleições na semana que vai de 31 de agosto a 4 de setembro. Será neste período de esforço concentrado que a Câmara e o Senado darão andamento à agenda de interesse do governo. Na lista de temas que Alcolumbre concordou em tirar da gaveta está também a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto que cria a política nacional de minerais críticos e estratégicos, além do que concede isenção de impostos federais para estimular a instalação de data centers no Brasil.
O freio de arrumação entre o Palácio do Planalto e o Congresso foi anunciado por Lula após um almoço com Motta e Alcolumbre, que durou duas horas e meia, no Palácio da Alvorada.
O presidente saiu do encontro chamando tanto o chefe da Câmara como o comandante do Senado - dois expoentes do Centrão - de "companheiros". Ao posar para fotos de mãos dadas com os dois, Lula era só sorrisos. "Poderia dizer juntos para sempre", afirmou ele.
Nenhum desses acenos, porém, foi feito sem contrapartida. O acordo passou pela promessa de Lula de apoiar a recondução de Motta à presidência da Câmara e de Alcolumbre ao comando do Senado, em fevereiro de 2027. Na outra ponta, os dois se comprometeram a trabalhar pela reeleição de Lula.
Diante das dificuldades enfrentadas pelo presidente por causa de investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - suspeito de tráfico de influência -, há um movimento em curso na campanha petista para tentar garantir a vitória de Lula no primeiro turno.
Na prática, Alcolumbre e Motta tentarão dar agora um empurrão nessa ofensiva. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, o presidente viu sua vantagem diminuir no embate com o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, após a série de denúncias envolvendo Lulinha e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, seu ex-chefe de gabinete.
O anúncio do acordo irritou Flávio, principal adversário de Lula. Com o intuito de não dar munição ao PT, o senador tenta mobilizar a oposição para impedir que o fim da escala 6x1 seja votado antes das eleições.
A proposta que muda a jornada de trabalho e concede mais dois dias de descanso aos trabalhadores é uma das principais bandeiras da campanha de Lula. Pode não haver tempo hábil para que seja votada no plenário na semana que vem, mas o simples fato de Alcolumbre despachá-la para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já é um avanço.
Alcolumbre estava travando várias pautas de interesse do Palácio do Planalto desde o fim de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula ficou inconformado com a derrota e passou mais de três meses sem falar com o presidente do Senado. A reaproximação entre os dois só foi feita depois de um jantar, no último dia 4, que teve como anfitrião o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Enquanto Lula e Alcolumbre não se falavam, Motta aproveitou para estreitar os laços com o presidente. A Câmara votou várias pautas enviadas pelo governo e despachou tudo para o Senado. As propostas, porém, ficaram paradas no Senado, a exemplo da PEC da Segurança, que prevê o uso de recursos de bets e de parcelas do fundo social do pré-sal para o combate à criminalidade.
"Na hora em que o Senado votar essa PEC, eu imediatamente vou criar o Ministério da Segurança Pública e discutir o orçamento para que a gente possa discutir com Estados e municípios o papel de cada um", disse Lula.
No último dia 10, Motta fez outro gesto e declarou publicamente apoio à reeleição de Lula. Agora, espera que o presidente ajude a eleger o seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), ex-prefeito de Patos (PB), a uma vaga ao Senado.
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