'Onda de ódio e violência', diz Erika Hilton após repercussão de processo contra Ratinho
Deputada aponta aumento de ódio contra pessoas trans após episódio
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que espera uma resposta da Justiça após a repercussão do processo movido contra o apresentador Ratinho por falas transfóbicas e destacou o impacto do episódio para a população trans no Brasil em entrevista ao Terra.
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"Eu acho que agora a justiça deve se manifestar. Não me preocupa muito a repercussão com relação ao processo. O que me chama atenção é a onda de ódio e violência contra as pessoas trans que uma chegada a um lugar de destaque pode promover", disse a parlamentar nesta sexta-feira, 20.
"Eu acho que todo esse processo tem um teor pedagógico, ele ensina que nós ainda temos muito que lutar para conquistar a igualdade de direitos para a população trans no Brasil".
A repercussão ocorre após declarações feitas por Ratinho durante programa ao vivo no SBT, quando comentou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Na ocasião, o apresentador questionou a legitimidade da deputada para ocupar o cargo por ser uma mulher trans.
Diante das falas, a parlamentar protocolou um pedido de investigação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Blackface na Alesp
O assunto teve ainda um protesto polêmica na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), envolvendo a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL). Na quarta-feira, 18, ela se pintou de marrom e afirmou que uma "transição de raça" não a torna negra, deslegitimando transições de gênero. Posteriormente, foi revelado que ela se declarou parda à Justiça Eleitoral.
Sobre o caso, Erika criticou a atitude. "Muito covarde, muito baixo, muito cruel. O desespero daqueles que nos querem é longe de qualquer espaço de poder. Inclusive uma deputada que usa fraudes, cotas raciais, frauda o processo eleitoral, se desparda para usar recursos destinados a pessoas negras. Blackface é um dos atos mais repugnantes, sujos, perversos da história. Deve ser combatido e esse é o desespero da extrema direita porque nós seguiremos avançando, mesmo que eles não queiram".
