Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Política

O que acontece com Chiquinho Brazão se Câmara anular prisão determinada por Moraes

Brazão está preso preventivamente desde o dia 24 de março por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF)

10 abr 2024 - 14h14
(atualizado às 14h33)
Compartilhar
Exibir comentários
Deputado Chiquinho Brazão falou por videoconferência da cadeia durante sessão da CCJ da Câmara
Deputado Chiquinho Brazão falou por videoconferência da cadeia durante sessão da CCJ da Câmara
Foto: Reprodução/TV Câmara

A Câmara decide nesta quarta-feira, 10, se a prisão do deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), suspeito de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco em 2018, será mantida ou anulada. Brazão está preso preventivamente desde o dia 24 de março por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Caso os colegas parlamentares decidam que ele deve ser solto, em função da imunidade parlamentar prevista em lei, o deputado tem a prerrogativa de voltar a exercer o mandato normalmente.

Isso porque o artigo 53 da Constituição e o regimento interno da Câmara versam somente sobre a deliberação da prisão, mas não entram em detalhes sobre o que deve ser feito a seguir. Portanto, a presunção é de que o deputado, uma vez posto em liberdade, pode exercer o mandato de forma plena. "A premissa é de que a prevalência seja da vontade popular, ou seja, o parlamentar como representante do povo", avalia o jurista Gustavo Sampaio, professor de Direito Constitucional na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ele explica: "Foi uma escolha do povo tê-lo como representante, portanto, salvo decisão judicial ou da própria Câmara em sentido contrário, ele tem a premissa de voltar a exercer as funções parlamentares. A Câmara pode, num próximo momento, decidir por caçá-lo, por afastá-lo, mas até lá não há impedimentos", avalia.

Questionada, a Câmara dos Deputados disse que os detalhes sobre o mandato de Brazão em caso de sustação da prisão, como acesso à cota parlamentar, salários, descontos dos dias em que ele não participou das sessões parlamentares por estar preso, entre outros, só serão apurados e divulgados após a decisão do plenário, para onde segue a análise após parecer da CCJ.

Uma vez no plenário, a resolução será submetida à votação aberta e a decisão deve ter maioria absoluta de votos, ou seja, mais da metade do colegiado (pelo menos 257 votos dos 513). Segundo o regimento interno da Casa, nada impede que o deputado volte às atividades parlamentares, com direito a salário, cotas destinadas ao exercício do mandato, participação em votações, entre outras funções previstas ordinariamente.

A análise sobre a manutenção da prisão iniciou dia 26, mas a decisão da CCJ foi adiada em duas semanas em razão de um pedido de vista coletivo de três deputados: Fausto Pinato (PP-SP), Gilson Marques (Novo-SC) e Roberto Duarte (Republicanos-AC). Brazão está detido em um presídio federal em Campo Grande (MS), para onde foi transferido após ficar preso na Papuda, em Brasília.

Como revelou a Coluna do Estadão, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) quer a suspensão de salário dele e a abertura de um procedimento administrativo e o afastamento cautelar de Domingos Brazão - o que poderia resultar em aposentadoria compulsória. Domingos é irmão de Chiquinho, e outro suspeito de ser mandante do crime.

Eleito para a Câmara em 2018, o deputado federal, que está no segundo mandato em Brasília, ganhou R$ 2,2 milhões em salários brutos e gratificações natalinas entre fevereiro de 2019 e março de 2024. Conforme a página de gastos do deputado no site da Casa, em março, mês da prisão, ele recebeu R$ 20 mil em cota para o exercício da atividade parlamentar, e mais de R$ 125 mil em verba de gabinete. A remuneração do deputado seguiu o padrão dos outros meses, de R$ 44 mil. Em nota, a Câmara disse que "eventuais descontos da última semana do mês só têm efeitos na folha de pagamento seguinte".

Enquanto Brazão aguarda se o Ministério Público oferece ou não denúncia contra ele, ainda há outro processo em curso, aberto nesta quarta-feira, 10, sobre a possível cassação do mandato do parlamentar. O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara instaurou o procedimento por decisão do presidente do colegiado, deputado Leur Lomanto (União Brasil-BA), atendendo a um pedido da bancada do PSOL que alega quebra do decoro parlamentar, apresentado no último dia 27.

Parlamentares da sigla ouvidos pelo Estadão, afirmam que caso Brazão volte a exercer o mandato, o clima pelos corredores da casa será de revolta. A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP), disse ser ultrajante que a Câmara cogite a soltura do suspeito, relembrando que o crime chocou o Brasil e que a sociedade anseia por justiça para o caso por seis anos. "Isso só mostra o quanto boa parte dos deputados só se preocupa com os seus próprios interesses, utilizando das prerrogativas parlamentares para poderem se defender", disse a parlamentar.

Questionada sobre a possibilidade dos parlamentares voltarem a dividir os mesmos espaços com o suspeito de mandar assassinar a colega, Paula Coradi, presidente nacional do PSOL, disse que seria algo "vergonhosamente intolerável." "Vergonha para o parlamento brasileiro e uma afronta à família, à sociedade e especialmente aos deputados do PSOL, que teriam que conviver com um homem que assassinou uma companheira nossa". Tanto ela como os deputados consultados esperam que Brazão seja cassado. O processo no Conselho de Ética pode levar até 60 dias para ser concluído.

Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade