Nikolas e Malafaia sobem tom contra Moraes e chamam ministro do STF de 'ditador de toga' e 'panaca'
Em ato da direita na Paulista, deputado saúda 'tias do zap', menciona contrato de Viviane Barci de Moraes com Banco Master e diz que se um ministro cair, 'cai todo mundo'; pastor afirma que ministro do STF é 'comprado'
BRASÍLIA E SÃO PAULO - Com discursos inflamados, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia fizeram críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, reforçando empenho por impeachment magistrado. Em ato na Paulista neste domingo, 1º, os dois citaram o contrato do escritório da mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. Malafaia chamou Moraes de "comprado" e "ditador de toga".
Os dois também pediram pela saída do ministro Dias Toffoli da Suprema Corte. "Para quê que tem juiz se envolvendo em contratos milionários com banco? Vai julgar, meu amigo", disse Nikolas. "Eles estão achando que a gente pode derrubar um e vai parar. Se a gente derrubar um, cai outro, cai todo mundo."
Silas Malafaia foi o primeiro dos dois a discursar. "A mulher de Alexandre de Moraes tem um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Para fazer o quê? Nada. Ele já recebeu aproximadamente R$ 50 milhões. O que significa isso? Corrupção deslavada, compra de poder de Alexandre de Moraes", afirmou o pastor aos manifestantes.
"Ele foi comprado. O seu poder foi comprado no contrato da mulher dele", disse Malafaia, que pediu para que o Legislativo pressione Viviane Barci de Moraes. "Ela tem que ser convocada, o sigilo dela tem que ser quebrado."
O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo foi alvo de busca e apreensão e de retenção de passaporte em agosto do ano passado, por ordem de Moraes. Conforme relatório da PF, ele teve condutas para interferir no processo da trama golpista.
Malafaia também foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em processo que é acusado pelos crimes de injúria e calúnia contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva.
A PGR apresentou tese em que haveria conexão entre o caso e os inquéritos das fake news e das milícias digitais, ambos relatados por Moraes. Segundo a defesa de Malafaia, não é possível atrair a competência do Supremo com base apenas na existência de inquéritos, sem vínculo direto entre os fatos investigados.
Os manifestantes defendem a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso pela trama golpista, fazem críticas ao governo federal e aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
A oposição usa os desdobramentos do caso Master contra o STF e o governo federal. As fraudes do banco liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central vêm proporcionando desdobramentos que acertaram cheio a mais alta Corte do País. O Estadão mostrou a ligação de um empreendimento de familiares de Dias Toffoli com fundos ligados ao Master, enquanto o jornal O Globo revelou um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de Viviane Barci.
Nikolas também pediu pela liberdade aos presos do 8 de Janeiro e saudou as "tias do zap". "Um ministro do STF não tem o papel de a sua esposa fazer contrato com banco, não. Ele tem o papel de ser guardião da Constituição. Então, ministro Alexandre de Moraes, se coloque no seu lugar de juízo, ou do contrário vamos te tirar da sua cadeira. Estamos aqui com 'fora Moraes' porque tem várias e várias famílias", afirmou o deputado. Ele ainda afirmou que o lugar do magistrado é na cadeia.
O parlamentar terminou o discurso chamando Moraes de "pateta" e "panaca". "Nós não temos medo de você (Moraes). Achou que ia colocar o Bolsonaro e ia nos parar. Achou que ia colocar milhares de pessoas na cadeia e ia nos parar. Ô seu pateta - eu sou crente e não posso xingar - ô seu panaca, governos levantam, governos caem, mas o povo brasileiro permanece de pé. Qual que é o próximo passo? O próximo passo é dar um recado muito claro aos nossos inimigos: estamos só começando", disse Nikolas.