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Política

"Não seremos complacentes com violência policial", diz Doria

Filmagens de agressões a civis, o assassinado de adolescente e o recorde de mortes em supostos confrontos provocaram resposta do governador

17 jun 2020 - 14h39
(atualizado às 14h42)
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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), convocou a cúpula da segurança pública paulista nesta quarta-feira (17) para afirmar em entrevista coletiva que o estado punirá policiais flagrados em ações irregulares. O gesto ocorre após ao menos três flagrantes recentes de violência praticada por policiais militares contra cidadãos desarmados, do caso do assassinato de um adolescente de 15 anos, na zona sul, em que policiais estariam envolvidos, e em meio ao recorde histórico de mortes provocadas por PMs em supostos confrontos.

"O governo do Estado de São Paulo não será complacente com nenhum tipo de violência policial, de nenhuma ordem, sob qualquer justificativa. São Paulo tem a melhor polícia do Brasil e já faz tempo que tem, bem treinada, seja a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Polícia Técnico-Científica ou o Corpo de Bombeiros. Não justifica que poucos comprometam a atuação de muitos", disse Doria.

Governador João Doria (PSDB) em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes
Governador João Doria (PSDB) em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes
Foto: Divulgação/Governo de São Paulo / Estadão Conteúdo

"Temos uma grande polícia. Uma polícia eficiente, uma polícia competente, a mais bem treinada e preparada do Brasil. O que não confere o direito a esta polícia, ainda que por poucos, de cometerem equívocos, de cometerem agressões e transgredirem. Aqueles que transgrediram, a orientação do governo do Estado e minha, como governador, é que sejam afastados, sejam julgados e, se culpados forem, que sejam penalizados, inclusive com expulsão da polícia", afirmou Doria.

Sem citar especificamente nenhum dos casos recentes de violência policial, o secretário da Segurança Pública, João Campos, general reformado do Exército, disse que, "com relação às ocorrências últimas, os inquéritos policiais já estão instaurados, policiais foram afastados, alguns policiais já tiveram a prisão preventiva decretada, e os inquéritos alguns serão brevemente concluídos. Isso tudo feito em respeito aos familiares das vítimas".

Campos disse não ter "nenhum compromisso com o erro". "A missão para a segurança pública é o farol. Nossa missão é proteger pessoas, aplicar a lei e combater o crime."

O secretário, por outro lado, destacou que a corporação era bem treinada e que tem confiança da população. "Quando alguém tem necessidade, se lembram de Deus e do 190."

O número de pessoas mortas por policiais militares durante supostos confrontos subiu 54,6% em abril e que este foi o primeiro quadrimestre mais violento da história, conforme reportagem publicada pelo Estadão. Campos foi indagado sobre o índice, mas não apresentou uma explicação para o aumento.

"Isso serve para nós estudarmos". Disse que o ideal seria que não houvesse nenhuma morte decorrente de intervenção policial, mas que "infelizmente os crimes continuam". "Gostaríamos muito que não houvesse o confronto", disse, "mas isso não ocorre".

O secretário pontuou, entretanto, que, em época de pandemia, com menos gente nas ruas, as viaturas estariam chegando nas ocorrências com mais rapidez, o que poderia indicar a razão para o aumento dos números.

Campos também foi questionado sobre a morte do adolescente Guilherme Silva Guedes, que tem gerado protestos em Americanópolis, na zona sul. O principal suspeito do caso seria um sargento da PM, que teria sequestrado e executado o garoto e seria dono de uma empresa de segurança. O secretário disse que o inquérito ainda está em andamento, mas que "se cometeu crime, criminoso é".

O secretário-executivo da Polícia Militar, Álvaro Camilo, ex-deputado (PSD) e ex-comandante geral da PM, argumentou que todos os episódios recentes de forma transparente. "Não existe em nenhum momento outra vontade, na polícia e na segurança pública, (além de) dar transparência total ao que é feito. A própria polícia vem a público apresentar seus problemas e apresentar ações que estão tomando contra aqueles que se desviaram."

Camilo afirmou ainda que a PM tem agido para garantir o direito dos cidadãos fazerem manifestações públicas de qualquer orientação política, mesmo contra a própria PM.

Sobre as manifestações, na coletiva, as autoridades foram questionadas sobre um caso, ocorrido na Avenida Paulista, em que dois homens que tinham blusas com suásticas nos braços só foram conduzidos à delegacia após pressão popular. Naquele caso, um PM chegou a empurrar e danificar equipamento de trabalho de um repórter do site UOL que registrou a ação. Os jovens foram liberados na delegacia.

Campos comentou o caso dizendo que, nas manifestações, "talvez o mais difícil seja identificar os símbolos". O secretário então foi questionado se havia visto as imagens, e as blusas com as suásticas, e respondeu: "Olha, deixa o delegado fazer o trabalho dele? O delegado é soberano no inquérito."

O ouvidor das polícias de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, que também estava presente no na coletiva, afirmou que o órgão vem acompanhando as manifestações. Lopes está no cargo desde março, após ter trabalhado na Prefeitura de São Paulo. Em entrevista ao Estado, já afirmou que as pessoas não poderiam confundir o órgão com Organizações Não Governamentais (ONGs).

Estadão
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