Na contramão dos filhos de Bolsonaro, Michelle comemora prisão domiciliar do ex-presidente: 'Celebro as pequenas vitórias'
A medida, válida por 90 dias, foi aprovada pelo ministro nesta terça-feira, 24
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comemorou a autorização para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpra pena em regime domiciliar. A medida, válida por 90 dias, visa à recuperação de uma broncopneumonia. A determinação foi proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no início da tarde desta terça-feira, 24.
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Em uma publicação nas redes sociais, Michelle afirmou que orou pelo resultado e que o amanhã pertence a Deus. “Sim, eu celebro as pequenas vitórias. Não me detenho nos detalhes do processo. Sou esposa e mãe, e clamei muito a Deus para que nos ajudasse, para que ele pudesse ir para casa e receber o cuidado necessário”, afirmou a esposa do ex-presidente.
“O amanhã pertence a Deus. A justiça e o juízo estão nas mãos dele. [...] Antes de qualquer reação, lembremos: quem está longe de casa, longe da filha menor de idade e distante do próprio lar é ele”, ressaltou.
Filhos de Bolsonaro pedem liberdade ao pai
A declaração diverge do posicionamento dos filhos do ex-presidente, que aproveitaram a oportunidade para reiterar o pedido de liberdade do pai. Em um vídeo publicado no X, Carlos diz que está aliviado com a decisão, no entanto, não acha que devem comemorar o que ele chama de “migalhas ditatoriais”.
“É óbvio que fico extremamente aliviado em finalmente ver meu pai em casa, podendo ser cuidado de forma mais adequada, aumentando sua possibilidade de sobreviver frente a tantas comorbidades médicas expostas ao longo de meses. Mas isso não pode ser tratado como justiça e nem celebrado como tal [...] A prisão domiciliar não se encerra o debate, mas se inicia. Bolsonaro não deveria nem sequer estar preso”, afirmou.
Flávio, senador e pré-candidato do PL, seguiu o mesmo discurso. Em entrevista à GloboNews, o parlamentar classificou a prisão domiciliar como um “primeiro passo para fazer Justiça”, mas questionou o prazo de 90 dias.
“Se a saúde dele melhorar em casa, ele volta para o lugar onde a saúde dele estava piorando? [...] É uma decisão exótica porque traz mais uma inovação: uma prisão domiciliar humanitária provisória. Isso não existe na legislação e é um pouco contraditório”, afirmou.
Já Eduardo alegou que a concessão de prisão domiciliar tem fundamento político e que a prisão de Bolsonaro é injusta. “Ele sequer deveria ter sido processado pelo 8 de janeiro. [...] Espero que agora meu pai tenha, pelo menos, o devido acompanhamento médico, após um período de encarceramento que já lhe custou tempo precioso de vida”, afirmou.
A concessão de prisão domiciliar a @jairbolsonaro por Moraes não tem fundamento jurídico, mas sim político.
O juiz da suprema corte teme Bolsonaro, nas condições em que se encontra, venha a morrer. E que isso exponha ainda mais a imagem já desgastada de uma Suprema Corte cercada… pic.twitter.com/fjVSpx88KI
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) March 24, 2026
Decisão de Moraes
A medida atende a uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se posicionou a favor da flexibilização do regime em razão do quadro de saúde de Bolsonaro. Após o período de 90 dias, Moraes reavaliará a continuidade da prisão domiciliar.
"A atual situação clínica do custodiado JAIR MESSIAS BOLSONARO, 71 anos de idade, acrescida de seu histórico médico e a presença de comorbidades, igualmente constatadas no relatório médico juntado aos autos, indica que, no presente momento e durante o prazo necessário para sua integral recuperação da broncopneumonia, o ambiente domiciliar é o mais indicado para preservação de sua saúde", escreveu o ministro.
Moraes determinou que a prisão seja cumprida na residência do ex-presidente e impôs o uso de tornozeleira eletrônica. Com exceção da esposa, Michelle, da filha, Laura, e da enteada, que residem no endereço, as visitas dos demais filhos deverão seguir as normas da unidade prisional onde Bolsonaro cumpria pena.
Também dispensam autorização prévia os advogados e a equipe médica. A decisão estabeleceu, ainda, outras medidas cautelares, como a proibição do uso de qualquer meio de comunicação, redes sociais e a gravação de vídeos ou áudios por parte do ex-presidente.
Por outro lado, Moraes suspendeu todas as demais visitas ao político pelo prazo de 90 dias, correspondente ao período de recuperação.
Saúde de Bolsonaro
O ex-presidente foi hospitalizado em 13 de março, após apresentar sintomas de broncopneumonia bacteriana. No fim da tarde de segunda-feira, 23, ele recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi transferido para um quarto do Hospital DF Star, em Brasília.
Segundo o último boletim médico, divulgado nesta terça-feira, 24, o político apresenta melhora clínica e quadro estável; no entanto, ainda não há previsão de alta hospitalar.
Preso desde janeiro na sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, unidade conhecida como “Papudinha”,Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado.
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