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Política

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MP Eleitoral pede indeferimento da candidatura de Antônio Rueda no Rio de Janeiro

O MPE alega envolvimento com grupos milicianos e com o PCC; defesa de Rueda contesta as acusações

21 set 2026 - 22h21
(atualizado em 22/9/2026 às 17h06)
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Resumo
O Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento da candidatura de Antônio Rueda (União Brasil) a deputado federal, apontando o envolvimento de chefes de milícias de Belford Roxo em sua campanha e supostas ligações com investigados do PCC ligadas ao uso de aeronaves. A promotoria acusa a candidatura de coerção paramilitar ilegal. Em contrapartida, a defesa de Rueda refuta veementemente as alegações, afirmando que faltam provas, coação eleitoral comprovada ou envolvimento consciente do candidato.

O Ministério Público Eleitoral pediu à Justiça Eleitoral que o registro de candidatura de Antônio Eduardo Gonçalves de Rueda (União Brasil -RJ) a deputado federal seja indeferido por suposto envolvimento de chefes de milícias na campanha. A defesa de Rueda refuta as alegações (leia mais abaixo).

O MPE justifica o pedido com base na proibição do uso de organizações paramilitares e milícias em campanhas políticas, estabelecida na Constituição Federal.

No documento, o MPE alega que a campanha do presidente do União Brasil teria o envolvimento de chefes de milícias, atuantes em Belford Roxo, município da Baixada Fluminense. Além disso, afirma que a campanha se vale de aparatos de coerção paramilitar.

Antonio de Rueda, presidente do União Brasil e da federação União-PP
Antonio de Rueda, presidente do União Brasil e da federação União-PP
Foto: União Brasil/Divulgação / Estadão

O MPE cita ainda Luiz Eduardo Santos de Araújo ("Eduardo Araújo") e Fábio Augusto de Oliveira Brasil ("Fabinho Varandão"), personagens presentes na campanha de Rueda, e que tiveram os registros de candidatura a vereador nas Eleições de 2024 indeferidos pelo Tribunal Superior Eleitoral "por comprovada liderança e atuação como 'braços políticos' de milícias armadas violentas."

Segundo o documento, Eduardo Araújo tem atuação ativa na coordenação e na promoção da campanha de Rueda. Araújo é policial militar e foi condenado a 8 anos de reclusão, inicialmente em regime fechado, pela prática de constituição de milícia privada.

Tanto Eduardo Araújo quanto Fabinho Varandão foram nomeados para secretários municipais pelo prefeito de Belford Roxo, Márcio "Canella" Correia de Oliveira, em 2025.

"A passagem formal de ambos pelo primeiro escalão governamental consolidou o seu papel de lideranças ativas na base eleitoral de Márcio Canella. Essa mesma estrutura territorial foi colocada à disposição da promoção engajada e ostensiva da candidatura de Antônio Rueda a Deputado Federal em 2026, evidenciando a tentativa de interferência do grupo paramilitar no processo eleitoral pela via transversa e oblíqua", defende o MPE.

O documento também cita envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele destaca o depoimento do piloto Mauro Caputti Mattosinho prestado à Polícia Federal, em que ele alega que o jatos executivos operados Táxi Aéreo Piracicaba (TAP) e utilizados por investigados do PCC - Roberto Augusto Leme da Silva ("Beto Louco") e Mohamad Hussein Mourad ("Primo") são de propriedade de Antônio Rueda.

A defesa de Rueda contesta a manifestação do Ministério Público Eleitoral e argumenta que o candidato não pode sofrer punições por atos de terceiros ou por apoio político unilateral não solicitado. Ela reforça também que a legislação exige comprovação de condutas próprias e conscientes para gerar inelegibilidade, o que, de acordo com a defesa, não ocorreu.

Além disso, os advogados apontam a ausência de registro de casos de coação nas zonas eleitorais de Belford Roxo e de vínculo entre a aeronave citada e o candidato.

Por fim, destacam que a mudança de posicionamento do Ministério Público Eleitoral e a recente manifestação ocorreram sem que houvesse apresentação de novas provas.

Estadão
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