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Política

Moraes pede à PF para transferir ao seu gabinete delegado do 8/1 que foi alvo de bolsonaristas

Delegado Fábio Shor deve compor a equipe de assessores do ministro Alexandre de Moraes

3 mar 2026 - 11h36
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BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes enviou um ofício à Polícia Federal (PF) solicitando a transferência do delegado Fábio Shor para atuar em seu gabinete.

Shor foi responsável pela investigação da tentativa de golpe de Estado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados no governo passado. A atuação do delegado fez com que ele se tornasse alvo constante de ataques de figuras da direita, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro que o ameaçou em transmissão ao vivo.

Em live publicada no dia 20 de julho de 2025, Eduardo insinuou que Shor poderia ser alvo de sanções dos Estados Unidos e perder o visto por causa das investigações que conduzia. O delegado pediu o indiciamento de Bolsonaro por liderar a organização criminosa que planejou o golpe.

"Você da Polícia Federal que está me vendo, um forte abraço. Você também, olha lá, a depender de quem for, já está sem visto, né. Isso é outra coisa que a gente tem falar. Vou ter que baixar a imagem do Fábio Shor", disse.

Eduardo Bolsonaro diz que Fábio Shor será alvo de sanção dos Estados Unidos.
Eduardo Bolsonaro diz que Fábio Shor será alvo de sanção dos Estados Unidos.
Foto: Reprodução / Estadão

A informação da transferência de Shor da PF para o Supremo foi revelada pela CNN Brasil e confirmada pelo Estadão. Shor também foi constantemente criticado por advogados que atuaram no julgamento do golpe de Estado, especialmente Jeffrey Chiquini com quem Moraes protagonizou diversos embates durante a fase de instrução das ações penais.

Chiquini acusou Shor diversas vezes de ter produzido um relatório com informações falsas sobre o ex-assessor da Presidência Filipe Martins.

Além do inquérito da tentativa de golpe, Shor atuou nas investigações dos atos golpistas de 8 de Janeiro, da fraude no cartão de vacinação e do escândalo das joias sauditas, revelado pelo Estadão. O delegado e sua equipe foram responsável por identificar a identificar, por exemplo, que Moraes havia sido monitorado por golpistas com o objetivo de assassiná-lo.

Shor é especialista em contrainteligência e, em fevereiro do ano passado, passou a chefiar a Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF. No STF, é possível que ele atue como assessor de Moraes e possa auxiliá-lo em inquéritos sob sua relatoria.

Estadão
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