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Política

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Ministro da Fazenda diz que discutirá com os EUA classificação do PCC e CV como terroristas

Durigan disse que a classificação das facções como organizações terroristas pode afetar bancos brasileiros e até o sistema PIX

1 jun 2026 - 11h52
(atualizado às 12h00)
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que pretende se reunir, nos próximos dias, com autoridades dos Estados Unidos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que pretende se reunir, nos próximos dias, com autoridades dos Estados Unidos
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao Jornal da CBN que pretende se reunir, nos próximos dias, com autoridades dos Estados Unidos para tratar da decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Segundo o ministro, a classificação feita pelo governo americano pode trazer consequências para bancos que atuam no Brasil, além de provocar impactos em sistemas de pagamento como o PIX.

Durigan afirmou que, se houver alegações de que o sistema de pagamentos brasileiro esteja sendo utilizado pelo crime organizado, isso poderá abrir espaço para novas restrições e medidas contra o Brasil. O ministro enfatizou que o PIX simboliza a soberania financeira do País e não deve ser alvo de interferências externas.

"Claro que a gente fica preocupado, porque se alguém do governo dos Estados Unidos apontar, com base em alguma informação que não é compartilhada com o governo brasileiro, de que o PIX está sendo utilizado para o crime organizado, nós vamos ficar sujeitos a esse tipo de ataque", disse ele.

Em seguida, o ministro acrescentou: "E veja, o PIX é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil. Nós não podemos ficar presos e com risco de uma intervenção ou de uma subserviência que tira a gente do caminho da inovação e de gerar infraestrutura de pagamento boa para as nossas empresas e nossas famílias". 

Pix pode ser afetado por classificação dos EUA a facções, diz ministro:

Durigan avaliou que a investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301 possui motivação predominantemente política, e não técnica. De acordo com o ministro, as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano não se sustentam e já foram alvo de esclarecimentos por parte das autoridades brasileiras em outras oportunidades.

"Ela tem um caráter político, muito mais do que técnico. A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes", explicou ao jornal.

"Na sessão 301, que basicamente aponta questões comerciais como a 25 de março, o PIX, o desmatamento, o trabalho de pessoas no Brasil em condições precárias, são argumentos forçados. Em paralelo a isso, a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil. É uma forçação de barra sem fim", disse o ministro. 

Governo Lula diz não aceitar interferência dos EUA

O governo federal disse nesta sexta-feira, 29, que não aceita interferência dos Estados Unidos no País e que a soberania da nação é "inegociável". "Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro", afirmou o Palácio do Planalto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não chegou a conversar sobre o assunto durante o encontro com Donald Trump, na Casa Branca, no início do mês de maio. O texto divulgado pelo Planalto traz críticas à família Bolsonaro.

O senador e pré-candidato à República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na última semana. Ele afirmou que chegou a discutir o assunto das facções brasileiras com o secretário. No entanto, a medida já vinha sendo estudada pelo governo norte-americano há alguns meses. 

"A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros. É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país", disse a nota. 

Pela primeira vez após o anúncio dos Estados Unidos, ainda na sexta, o presidente Lula comentou a decisão do governo norte-americano durante um evento da Petrobras, em Sergipe, nesta sexta-feira. Ele declarou que está "triste e decepcionado" com a decisão. 

Fonte: Portal Terra
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