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Política

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Milei chama Lula de 'ladrão' e declara esperança em vitória de Flávio Bolsonaro

Presidente argentino diz que relação comercial com o Brasil deve ser preservada e divergências com o atual presidente brasileiro não devem impedir empresas dos dois países de fazer negócios

1 out 2026 - 15h45
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Resumo
Em entrevista à revista Le Point, o presidente argentino Javier Milei chamou Lula de "ladrão", acusou o petista de atuar contra sua campanha em 2023 e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil, apostando em um "saneamento liberal". Apesar da crise diplomática aberta entre os governos, Milei defendeu que o comércio bilateral não deve ser afetado pelas divergências políticas, pois as negociações ocorrem exclusivamente entre agentes privados.

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou esperar uma mudança política no Brasil nas eleições de outubro. Em entrevista à revista francesa Le Point, Milei chamou Lula de "ladrão" e declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que disputa a Presidência da República.

Ao ser questionado sobre como pretende conciliar a relação comercial entre Argentina e Brasil com o conflito político que mantém com Lula, Milei afirmou que as duas áreas devem ser tratadas separadamente. Segundo ele, o comércio é uma relação entre agentes privados e, por isso, suas divergências com o presidente brasileiro não deveriam impedir empresas dos dois países de fazer negócios.

Na entrevista, porém, o presidente argentino voltou a apresentar acusações contra Lula. Milei afirmou que o presidente brasileiro teria sido beneficiado por uma decisão "administrativa" ao deixar a prisão e também o acusou de ter enviado uma equipe de brasileiros à Argentina durante a campanha presidencial argentina de 2023 para organizar uma estratégia contra sua candidatura.

"Durante minha campanha, Lula enviou a Buenos Aires uma equipe de trinta brasileiros, psicólogos e comunicadores, para organizar uma campanha negativa contra mim. Quando quis visitar meu amigo Jair Bolsonaro, aquele juiz corrupto, amigo de Lula, não permitiu. Em compensação, quando Lula veio à Argentina, ninguém o impediu de visitar Cristina Fernández de Kirchner, já condenada", disse.

Ao ser perguntado se espera uma mudança política no Brasil, Milei foi direto ao manifestar sua preferência eleitoral. "Tenho muita esperança de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença em outubro", afirmou. O presidente argentino disse ainda esperar que uma eventual vitória do senador resulte, na avaliação dele, em um processo de "saneamento liberal" no país.

Em outra publicação da Le Point, na terça-feira, 29, a revista descreveu a relação entre Milei e Lula como uma disputa que passou a representar uma crise aberta entre os dois governos. O texto destacou que a aproximação de Milei com Flávio Bolsonaro ocorreu durante sua viagem a São Paulo e que os ataques do argentino a Lula e ao Judiciário brasileiro tiveram repercussões diplomáticas.

"Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva nunca se deram bem. Mas a disputa entre os dois presidentes escalou para uma crise aberta, ameaçando enfraquecer os laços econômicos e estratégicos que unem Argentina e Brasil", declarou a revista.

Estadão
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