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Política

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Master: Fachin pede a diretor-geral da PF investigação 'sem exceção' sobre envolvimento de ministros

O presidente do STF enviou ofício a Andrei Rodrigues nesta sexta-feira, 2

2 out 2026 - 16h46
(atualizado às 18h36)
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Resumo
O presidente do STF, Edson Fachin, pediu à Polícia Federal investigação "sem exceção" sobre o suposto envolvimento de ministros da Corte no caso do Banco Master. A manifestação ocorreu antes de reunião com o diretor da PF, Andrei Rodrigues, que busca orientações sobre como tratar as citações a magistrados em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os citados no processo estão Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, além de familiares dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enviou nesta sexta-feira, 2, ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em que pede investigação sobre eventual envolvimento de ministros da Corte no caso do Banco Master. No documento, ele se compromete a dar "encaminhamento devido" às ações de apuração e prega a condução dos trabalhos "sem qualquer exceção de fato ou de pessoa".

Fachin ainda faz menção a uma reunião que terá com o diretor da PF para tratar do assunto.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu apuração à PF
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu apuração à PF
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"Reitero que o nosso propósito é assegurar que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, sem qualquer exceção de fato ou de pessoa, com observância rigorosa do devido processo legal, da competência dos órgãos constitucionalmente incumbidos da investigação e da persecução penal e das garantias próprias da jurisdição", diz.

A reunião foi solicitada na quinta-feira, 1º, pelo diretor-geral da PF com o objetivo de pedir uma orientação ao presidente do STF sobre como proceder sobre as menções aos ministros da Corte encontradas no celular de Vorcaro e o andamento das apurações do caso.

De acordo com fontes que acompanham as investigações, a PF quer obter uma orientação institucional da Presidência do STF para saber se deve produzir relatórios sobre as menções aos ministros ou se o tema deve ser deixado de lado. A ideia da conversa é "delimitar os próximos passos".

Mesmo com o ofício de Fachin proferido nesta sexta, 2, o diretor da PF ainda quer esclarecimentos sobre o procedimento. Segundo essas fontes, Andrei não deve levar nenhum documento para a reunião e quer saber se precisa formalizar algum pedido de autorização à Corte para produzir esses relatórios sobre os ministros.

Caso essa autorização ocorra, a PF deve produzir relatórios sobre os ministros mencionados no celular de Daniel Vorcaro semelhantes ao relatório feito sobre o ministro Alexandre de Moraes por ordem de André Mendonça.

No ofício ao diretor da PF, Fachin cita, logo no início, "a existência de informações, dados, documentos, elementos ou indícios relacionados a eventual envolvimento de integrantes deste Supremo Tribunal Federal em fatos objeto de apuração no contexto do denominado caso Banco Master".

Também demonstra confiança na isenção da PF e do Ministério Público Federal e defende que as investigações devem fortalecer a credibilidade dos órgãos.

"A preservação da confiança pública nas instituições exige que eventuais ilícitos sejam investigados com seriedade, transparência e respeito à ordem constitucional."

Contudo, pediu respeito aos limites da competência de cada órgão. O recado ocorre após atritos entre a cúpula da PF e o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, que solicitou produção de relatório no qual foi detalhada a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com seu colega de tribunal Alexandre de Moraes e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Tanto a PF quanto a PGR pediram nulidade do relatório, que também menciona Rodrigues.

"Almeja-se que a apuração se desenvolva com estrita observância das normas constitucionais e processuais aplicáveis, preservando-se, de um lado, a autonomia das instituições responsáveis pela investigação e pela persecução penal e, de outro, as competências constitucionalmente atribuídas ao Supremo Tribunal Federal."

No fim, o ministro confirma uma audiência entre ele e Andrei, sem citar a data e o horário em que o encontro será realizado.

"A circunstância merece registro, sobretudo porque há inequívoco interesse institucional em que todo e qualquer fato relevante seja rigorosamente apurado, sem exceção de qualquer natureza".

No último dia, 28, o decano do STF, Gilmar Mendes, protocolou uma questão de ordem em que pediu o levantamento de todos os magistrados, inclusive de outros tribunais, citados em diálogos de Daniel Vorcaro. A medida, segundo ele, tinha como objetivo delimitar os indícios de crime contra cada um e conferir legitimidade à investigação, que em sua visão, foi conduzida de forma enviesada por André Mendonça.

"Apuração parcial é apuração viciada, porque o recorte do objeto já constitui, ele próprio, um juízo prévio sobre o que merece e o que não merece ser esclarecido."

Ele defendeu que, assim, seria possível também definir quais ministros da Corte estariam impedidos de julgarem o caso Master e "feitos correlatos".

Na sessão do último dia 15, apenas Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques se abstiveram de votar: um por impredimento e outro por suspeição. Moraes, que, dentre todos os integrantes do tribunal, é o mais gravemente implicado nos fatos já apurados, participou normalmente.

Veja quem já foi citado no caso Master:

Alexandre de Moraes

O ministro é citado em relatório da Polícia Federal por ter mantido diálogo por mensagens com Vorcaro, que chega a lhe pedir dicas de defesa e pergunta, na antevéspera de sua prisão, se deveria sair do País. De acordo com informações incluídas no documento, o magistrado também editou minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Foram encontrados ainda outras duas minutas entre empresas de Vorcaro e da banca dela. Um no valor de R$ 129 milhões e outro de R$ 50 milhões. Este último previa que parte do pagamento fosse quitado por meio da cessão de cotas de um avião e um helicóptero particulares.

Ambas as aeronaves eram operadas pela Prime You, empresa de Vorcaro.

Dias Toffoli

O ministro admitiu ter participação no resort Tayaya, do qual seus familiares eram sócios. Conforme revelou o Estadão, o empreendimento recebeu R$ 35 milhões do fundo Arleen, cujo cotista era o cunhado e operador financeiro de Vorcaro, Fabiano Zettel.

Os recursos foram recebidos por meio da Maridt Participações, controlada por parentes do ministro.

Um relatório da PF indica a suspeita de que Toffoli seja o "beneficiário final" ou "proprietário de fato" do Arleen. De acordo com o documento, o repasse de R$ 35 milhões teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I.

Kassio Nunes Marques

Filho do ministro, o advogado Kevin Marques recebeu recursos do Master por meio de outra empresa, a Consult Inteligência Tributária, que, por sua vez, teve aportes do banco de Vorcaro. Os vínculos financeiros foram revelados pelo Estadão.

Posteriormente, vieram a público diálogos do banqueiro com o diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, em que citavam pagamento de R$ 500 mil a Kevin.

Em 4 de julho de 2025, Rennó enviou o contato de Kevin Marques a Vorcaro escreveu, uma sequência de quatro mensagens: "Esse aqui _ 500 mil mês - mantém? Kkkkkkkk. Então esse aqui já era né Kkkkk". Vorcaro respondeu: "Kkkk".

No dia 8 do mês seguinte, Rennó escreveu a Vorcaro: "Dos pagamentos essenciais está faltando a consult". Em seguida, enviou o contato de Kevin Marques com a indicação "Aqui" e complementou: "Esse aí. Único 'meu' que faltou".

Luiz Fux

O advogado Rodrigo Fux, filho do ministro manteve conversas com Vorcaro por mensagens. Nos diálogos, o banqueiro chama o advogado para "me ajudar num caso" e ambos marcam reuniões em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

A troca de mensagens também indica que Vorcaro bancou ingressos para a família do advogado em um camarote VIP no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, na Sapucaí, em fevereiro de 2025.

Em 5 de novembro de 2025, Vorcaro escreveu a Rodrigo Fux: "Quero te chamar pra me ajudar num caso". O advogado respondeu: "Claro. O que for melhor pra vc". Em seguida, eles combinam uma chamada de vídeo. "Será um prazer, se eu puder ajudar".

No dia seguinte, o banqueiro enviou um arquivo para o advogado, que respondeu: "Só conseguirei ver no detalhe no final de semana. Ok? Te aviso".

Estadão
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