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Política

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Marcha para Jesus em SP tem Flávio Bolsonaro com Tarcísio e Messias do lado oposto do palanque

Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro afirmou que Brasil vive 'guerra espiritual' e que 'mundo do mal vai ser expulso do governo neste ano'; também participaram do evento o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, e o ministro do STF André Mendonça

4 jun 2026 - 11h09
(atualizado às 14h55)
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou nesta quinta-feira, 4, na Marcha para Jesus que o Brasil vive uma "guerra espiritual". Segundo ele, o "mundo do mal" vai ser expulso do governo federal neste ano. As declarações ocorreram na presença do advogado-geral da União, Jorge Messias, que representa o governo Lula no evento. Os dois ficaram em lados opostos do trio elétrico.

Flávio Bolsonaro e Jorge Messias ficam em lados opostos no palco da Marcha para Jesus, em São Paulo, nesta quinta-feira, 4
Flávio Bolsonaro e Jorge Messias ficam em lados opostos no palco da Marcha para Jesus, em São Paulo, nesta quinta-feira, 4
Foto: Pedro Augusto Figueiredo/Estadão / Estadão

Flávio chegou à Marcha por volta das 10h10, acompanhado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e dos pré-candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

"O mundo e Brasil estão passando por uma guerra espiritual. Nada melhor do que estar aqui recarregando as energias e orando pela população brasileira", disse Flávio, em entrevista para a transmissão oficial do evento.

Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro, Guilherme Derrite e Ricardo Nunes na 34ª edição da Marcha para Jesus
Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro, Guilherme Derrite e Ricardo Nunes na 34ª edição da Marcha para Jesus
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Desde o fim do ano passado, depois de ser anunciado como pré-candidato ao Planalto pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio se aproximou do público evangélico. Em dezembro, já havia mencionado uma "guerra espiritual" em evento no Espírito Santo, em referência à disputa presidencial, em que enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição.

"Hoje é a maior resposta que podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo deste Brasil neste ano, em nome do Senhor Jesus, amém", disse Flávio, ao público, nesta quinta.

Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas na 34ª edição da Marcha para Jesus, em São Paulo
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas na 34ª edição da Marcha para Jesus, em São Paulo
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

No mesmo palco, em entrevista para a transmissão oficial do evento, Messias afirmou que "a mesa de Jesus é para judeus e gentios", afirmando que até Judas se sentou na mesa de Cristo, sem segregação, ao ser questionado sobre diferenças políticas. Em cima do trio, ele ficou no canto direito, enquanto Flávio se posicionou na extremidade esquerda. Mais ao centro estavam Tarcísio e Nunes. Em entrevista, o AGU afirmou que não é "dia de comício", mas de "agradecimento e louvor" a Deus.

A jornalistas, Flávio afirmou que não havia "climão" pela presença do AGU no evento, que a família dele é vítima de "injustiça" e "perseguição" e que "com fé a gente vai conseguir recuperar o nosso País".

Questionado pelo Estadão sobre o possível impacto entre os evangélicos das conversas entre ele e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e do novo tarifaço do governo Trump, o senador não respondeu e fez críticas ao governo Lula.

"Eu sou uma pessoa correta. A gente fez de tudo para fazer um filme em homenagem ao meu pai, que é um cara que merece ter sua história contada em uma grande produção. Agora, é diferente hoje, o governo Lula tem que explicar muito ainda por que fez reuniões secretas para tentar beneficiar alguém, ali tem corrupção, ali tem favorecimento", disse.

Flávio Bolsonaro fez selfie com o público presente na Marcha para Jesus
Flávio Bolsonaro fez selfie com o público presente na Marcha para Jesus
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Durante a Marcha, Flávio desceu do trio para tirar fotos com o público. Os seguranças tiveram dificuldades para conter a multidão e houve um breve empurra-empurra. Em seguida, ele voltou ao trio, antes de partir novamente, desta vez para um carro que estava à sua espera e o levou ao palco do evento, já no bairro de Santana.

Alguns fiéis estavam com um boné com a inscrição "Flávio Presidente 2026" e também com bandeiras de Israel. Também foi pedido e eles que repetissem o cântico "Governadores, autoridades, é Jesus Cristo que comanda essa cidade".

O trio fez o trajeto entre a Estação Tiradentes do Metrô e a Praca dos Herois da FEB, mesclando orações, louvores e músicas gospel. Tarcísio chegou a pegar o microfone e cantar trechos de uma das canções e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonca fez uma oração.

Presidente da Marcha, o apóstolo Estevam Hernandes disse que ainda não definiu, mas que a " tendência natural" é que apoie Flávio na eleição presidencial. "Até em função do quadro polarizado que nós temos", disse ele a jornalistas antes do início do evento.

Hernandes afirmou, porém, que o evento é religioso e não político. "Não estamos colocando ele em um palanque. Ele está vindo participar de um trio como todas as pessoas que são cristãs", declarou.

34ª edição da Marcha para Jesus acontece nesta quinta-feira, 4, feriado de Corpus Christi, em São Paulo
34ª edição da Marcha para Jesus acontece nesta quinta-feira, 4, feriado de Corpus Christi, em São Paulo
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Ele ressaltou que "todos são bem-vindos" e citou Lula, representado no evento por Messias, que é evangélico. O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) também deve participar do evento.

É a 34º edição do evento, que neste ano tem como tema o versículo bíblico "Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor". De acordo com o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a ONG More in Common, 33,8 mil pessoas participaram da Marcha. Como a margem de erro é de 12%, havia entre 29,8 mil e 37,8 mil participantes às 10h20, horário de pico entre a concentração e o deslocamento.

Flávio e Tarcísio na Marcha para Jesus em São Paulo
Flávio e Tarcísio na Marcha para Jesus em São Paulo
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Lula conversa com líder religioso intermediado por Messias

Messias publicou um vídeo nas redes sociais no qual liga para Lula e o coloca para conversar com o apóstolo Estevam Hernandes, o organizador do evento. O presidente agradeceu o líder religioso pelo carinho com Messias e explicou a ausência.

"Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada", disse Lula.

Hernandes respondeu que era grato por Lula ter sancionado, em 2009, a lei que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus, comemorado no primeiro sábado subsequente aos 60 dias após a Páscoa.

"Eu entendo (a ausência). E quero que o senhor saiba que sou muito grato pela assinatura da lei que foi um dia muito especial e está sempre no nosso coração", respondeu o líder religioso.

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Messias diz que sua rejeição ao STF pelo Senado não representou 'espírito da maioria do povo'

Em entrevista, Jorge Messias afirmou que "aprendeu a colocar a vida nas mãos de Deus" ao comentar a possibilidade de ser novamente indicado pelo presidente Lula a uma vaga no STF. Um ato da Mesa Diretora do Senado de 2010, no entanto, dificulta essa tentativa do presidente da República. "Eu aprendi a colocar a minha vida nas mãos de Deus. E, quando Deus comissiona, Ele prepara. Ele envia e prepara. Eu vou esperar a resposta de Deus, vou esperar a posição do presidente", disse o ministro.

Messias foi rejeitado pelo plenário do Senado em 29 de abril, por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para ser aprovado, precisava do apoio da maioria absoluta da Casa, ou seja, ao menos 41 votos. Foi a primeira vez desde 1894 que uma indicação presidencial ao STF foi barrada.

"Fui à sabatina do dia 29 de abril com o espírito mais leve possível, de paz e de tranquilidade. Infelizmente, a questão política foi colocada como forma de fazer a centralidade da discussão", continuou. "Não acho que aquele processo tenha sido um processo que representou o espírito da maioria do povo brasileiro."

Messias afirmou que respeitou o resultado da sabatina e da votação no Senado por acreditar na democracia, nas instituições e no poder do diálogo. Segundo ele, é por meio da conversa, da comunhão e da compreensão que o País pode avançar e construir grandes realizações.

Estadão
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