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Política

Lula sugere que Trump se sentiu ameaçado por BRICS e criação de uma nova moeda

"O que não pode é ele pensar que ele foi eleito para ser xerife do mundo. Ele foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos", afirmou

10 jul 2025 - 20h40
(atualizado às 22h53)
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Após taxas de Trump, Lula afirma que presidente americano se sente ameaçado
Após taxas de Trump, Lula afirma que presidente americano se sente ameaçado
Foto: Reprodução/TV Record

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ter imposto taxas ao Brasil por se sentir ameaçado pelo fortalecimento dos BRICS e pela discussão sobre a criação de uma nova moeda internacional. A declaração foi feita em entrevista à jornalista Christina Lemos, no Jornal da Record, veiculada nesta quinta-feira, 10.

Segundo Lula, a tensão em torno da proposta de uma moeda comum entre países do Sul Global tem incomodado Trump, que vem adotando uma postura crítica diante da possibilidade. "Possivelmente o Trump tenha ficado preocupado com a reunião dos BRICS", disse o presidente. A taxação foi anunciada dias após a cúpula do grupo, realizada no Rio de Janeiro entre 6 e 7 de julho. 

"É engraçado, porque ele não estava na reunião do G7. Nós fomos três países dos BRICS: Índia, Brasil e África do Sul. Ainda estavam mais o México e a Coreia. Só para ter uma ideia, no G20, os BRICS têm dez países que participam", destacou Lula. Trump já anunciou que cancelou o compromisso com o Fundo Verde para o Clima do G20, tendo enviado só US$ 2 bilhões dos US$ 6 bilhões prometidos.

O presidente brasileiro ainda ironizou a postura do presidente norte-americano e sugeriu que Trump parece não aceitar a emergência de novas forças políticas e econômicas no cenário global. "Qualquer dia eu vou mandar chamar ele para participar dos BRICS. Se quiser vir, nós vamos convidar ele, ele vem e participa. O que não pode é ele pensar que ele foi eleito para ser xerife do mundo. Ele foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos", afirmou.

A proposta de criação de uma moeda comum para transações comerciais entre os países do bloco vem sendo debatida há meses e, para Lula, representa um avanço rumo à autonomia frente ao dólar. A reação de Trump, que afirmou que puniria os países que adotassem a nova moeda, revela, segundo ele, um incômodo com a possível perda de influência dos Estados Unidos.

"Ele chegou a dizer outro dia que se criar uma moeda ele vai punir os países. E nós temos interesse, isso é verdade, nós temos interesse de criar uma moeda de comércio entre os outros países. Eu não sou obrigado a comprar dólar para fazer relação comercial com a Venezuela, com a Bolívia, com o Chile, com a Suécia, com a União Europeia, com a China", afirmou Lula. O presidente reforçou que os países devem poder negociar em suas próprias moedas, sem depender do dólar.

Lula também cobrou uma postura mais diplomática por parte dos EUA, defendendo o diálogo em fóruns multilaterais como o G20. "Se ele estivesse invejoso, o correto seria, numa reunião do G20, ele levantar o problema. Vamos fazer uma discussão civilizada. Nos convença. Vamos discutir. O que ele não pode é agir como se ele fosse dono dos outros."

A entrevista ocorre dias após o anúncio da nova taxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil, de 50%, enquanto membros e aliados dos BRICS foram tarifados em mais 10%. Lula afirmou que o Brasil está recorrendo a instâncias internacionais e dialogando com os EUA por meio do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No entanto, alertou que, caso não haja avanço, o país poderá adotar medidas de reciprocidade. 

"Do ponto de vista diplomático, nós temos que recorrer ao OMC [...] Se nada disso der resultado, nós vamos ter que fazer a lei da reciprocidade. Porque o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos tem apenas 1,7% do PIB. Não é essa coisa que a gente não pode sobreviver sem os Estados Unidos. Não é assim."

Fonte: Redação Terra
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