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Política

Lula diz que patriotas estão 'agarrados nas botas dos presidente dos EUA pedindo intervenção'

Presidente discursou em evento em Osasco (SP) e voltou a fazer críticas à família Bolsonaro

25 jul 2025 - 13h14
(atualizado às 14h26)
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SÃO PAULO E BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou nesta sexta-feira, 25, em evento em Osasco (SP) os integrantes da família Bolsonaro de "traidores da pátria". Segundo o presidente, os patriotas estão "agarrados nas botas dos presidente dos EUA pedindo intervenção".

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) buscam punições a autoridades brasileiras "violadoras dos direitos humanos". O filho do ex-chefe do Executivo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), está nos Estados Unidos, desde março, para tentar uma interferência do país que possa beneficiar seu pai, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Lula, presidente da República, voltou a criticar a família Bolsonaro
Lula, presidente da República, voltou a criticar a família Bolsonaro
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Segundo o presidente, Eduardo e aliados de Bolsonaro que articulam com Trump agem com "sem-vergonhice".

"Vocês na Câmara têm que tomar uma atitude, esse cara é deputado e se afastou, foi lá para os Estados Unidos ficar: 'ô Trump, salva meu pai'. É uma pena que ainda tenha gente que não tem um pingo de caráter e vergonha na cara", disse Lula.

O presidente afirmou ainda que Eduardo é pior do que Joaquim Silvério dos Reis, conhecido na historiografia brasileira por ter sido o delator da Inconfidência Mineira, por trocar o Brasil pela "libertação do pai".

"Estão pedindo para o presidente dos Estados Unidos aumentar a taxa das coisas que nós vendemos para eles para poder libertar o pai. Ou seja, trocando o Brasil pelo pai. Que patriota que é esse? Isso é pior que Silvério dos Reis."

No último dia 9, o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma carta a Lula, na qual informou que todos os produtos importados do Brasil para os EUA serão taxados em 50% a partir de 1º de agosto.

Entre as justificativas do norte-americano, estão o tratamento dado pelo País ao ex-presidente e as decisões do STF contra empresas americanas de tecnologia. Dois dias antes, Trump havia publicado nota afirmando que Bolsonaro sofria perseguição e "caça às bruxas".

Lula voltou a afirmar que o presidente dos Estados Unidos estaria sendo julgado pela invasão do Capitólio, em janeiro de 2021, se fosse brasileiro. No evento, ele também repetiu que "quem manda no Brasil é o povo brasileiro".

"Se o presidente Trump morasse no Brasil e ele tivesse feito aqui o que ele fez no Capitólio dos Estados Unidos, ele também estaria sendo julgado. Neste país, quem manda nele é o povo brasileiro", afirmou Lula.

Segundo o petista, Trump foi "induzido" a acreditar na "mentira" de que Bolsonaro está sendo perseguido pela Justiça. Lula disse que explicaria a Trump, se houvesse uma conversa entre os dois, que o ex-chefe do Executivo tentou dar um golpe e planejou o assassinato dele, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.

"Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com o ex-presidente. Mas ele foi induzido a acreditar em uma mentira de que o Bolsonaro está sendo perseguido", disse Lula, que disse ainda que o ex-presidente não é um problema dele, e, sim, da Justiça.

O presidente disse Geraldo Alckmin - além do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, - é o negociador escalado pelo governo para dialogar com os Estados Unidos. "Ninguém pode dizer que eu não estou negociando com os EUA", afirmou, completando que todo dia o vice-presidente liga para o país, mas "ninguém quer conversar com ele".

No discurso, Lula ainda atacou Bolsonaro e disse que não aceitou utilizar uma tornozeleira eletrônica quando foi preso pela Operação Lava Jato porque não era "pombo-correio".

Agressão na plateia

Durante a cerimônia, um homem recebeu um soco de um apoiador do presidente, após afirmar que Lula deveria "ser preso". "Alguém tem que avisar que o Lula também é ladrão e ele já foi preso", teria dito o homem agredido. Ele foi retirado por outros militantes do local.

Em cerimônia no bairro do Jardim Rochdale, em Osasco, Lula anunciou investimentos do programa PAC Seleções 2025 Periferia Viva - Urbanização de Favelas. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), serão destinados R$ 4,67 bilhões para ações em 49 territórios periféricos de 32 municípios de 12 Estados.

Estadão
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