Lula diz que patriotas estão 'agarrados nas botas dos presidente dos EUA pedindo intervenção'
Presidente discursou em evento em Osasco (SP) e voltou a fazer críticas à família Bolsonaro
SÃO PAULO E BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou nesta sexta-feira, 25, em evento em Osasco (SP) os integrantes da família Bolsonaro de "traidores da pátria". Segundo o presidente, os patriotas estão "agarrados nas botas dos presidente dos EUA pedindo intervenção".
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) buscam punições a autoridades brasileiras "violadoras dos direitos humanos". O filho do ex-chefe do Executivo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), está nos Estados Unidos, desde março, para tentar uma interferência do país que possa beneficiar seu pai, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Segundo o presidente, Eduardo e aliados de Bolsonaro que articulam com Trump agem com "sem-vergonhice".
"Vocês na Câmara têm que tomar uma atitude, esse cara é deputado e se afastou, foi lá para os Estados Unidos ficar: 'ô Trump, salva meu pai'. É uma pena que ainda tenha gente que não tem um pingo de caráter e vergonha na cara", disse Lula.
O presidente afirmou ainda que Eduardo é pior do que Joaquim Silvério dos Reis, conhecido na historiografia brasileira por ter sido o delator da Inconfidência Mineira, por trocar o Brasil pela "libertação do pai".
"Estão pedindo para o presidente dos Estados Unidos aumentar a taxa das coisas que nós vendemos para eles para poder libertar o pai. Ou seja, trocando o Brasil pelo pai. Que patriota que é esse? Isso é pior que Silvério dos Reis."
No último dia 9, o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma carta a Lula, na qual informou que todos os produtos importados do Brasil para os EUA serão taxados em 50% a partir de 1º de agosto.
Entre as justificativas do norte-americano, estão o tratamento dado pelo País ao ex-presidente e as decisões do STF contra empresas americanas de tecnologia. Dois dias antes, Trump havia publicado nota afirmando que Bolsonaro sofria perseguição e "caça às bruxas".
Lula voltou a afirmar que o presidente dos Estados Unidos estaria sendo julgado pela invasão do Capitólio, em janeiro de 2021, se fosse brasileiro. No evento, ele também repetiu que "quem manda no Brasil é o povo brasileiro".
"Se o presidente Trump morasse no Brasil e ele tivesse feito aqui o que ele fez no Capitólio dos Estados Unidos, ele também estaria sendo julgado. Neste país, quem manda nele é o povo brasileiro", afirmou Lula.
Segundo o petista, Trump foi "induzido" a acreditar na "mentira" de que Bolsonaro está sendo perseguido pela Justiça. Lula disse que explicaria a Trump, se houvesse uma conversa entre os dois, que o ex-chefe do Executivo tentou dar um golpe e planejou o assassinato dele, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.
"Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com o ex-presidente. Mas ele foi induzido a acreditar em uma mentira de que o Bolsonaro está sendo perseguido", disse Lula, que disse ainda que o ex-presidente não é um problema dele, e, sim, da Justiça.
O presidente disse Geraldo Alckmin - além do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, - é o negociador escalado pelo governo para dialogar com os Estados Unidos. "Ninguém pode dizer que eu não estou negociando com os EUA", afirmou, completando que todo dia o vice-presidente liga para o país, mas "ninguém quer conversar com ele".
No discurso, Lula ainda atacou Bolsonaro e disse que não aceitou utilizar uma tornozeleira eletrônica quando foi preso pela Operação Lava Jato porque não era "pombo-correio".
Agressão na plateia
Durante a cerimônia, um homem recebeu um soco de um apoiador do presidente, após afirmar que Lula deveria "ser preso". "Alguém tem que avisar que o Lula também é ladrão e ele já foi preso", teria dito o homem agredido. Ele foi retirado por outros militantes do local.
Em cerimônia no bairro do Jardim Rochdale, em Osasco, Lula anunciou investimentos do programa PAC Seleções 2025 Periferia Viva - Urbanização de Favelas. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), serão destinados R$ 4,67 bilhões para ações em 49 territórios periféricos de 32 municípios de 12 Estados.