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Política

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Lula diz que caminhada em SP reúne 'quem prendeu a quadrilha da Previdência, criada por Bolsonaro'

Ato político com o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), partiu da esquina entre a Avenida Paulista e a Rua Augusta e deve terminar na praça Roosevelt, no centro da capital paulista

3 out 2026 - 11h13
(atualizado às 15h06)
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Resumo
Em caminhada em São Paulo com aliados como Haddad e Alckmin, Lula encerrou sua campanha atacando a oposição ao citar fraudes na Previdência e classificar o pleito como um embate entre democracia e barbárie. O petista pediu o voto de idosos, criticou juros bancários e enfrentou atritos da PM com a organização do ato. O evento ocorreu em meio a um empate técnico em SP entre Lula (38%) e seu adversário Flávio Bolsonaro (39%), que fez campanha no interior do estado ao lado de Tarcísio de Freitas.

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a caminhada de campanha realizada em São Paulo neste sábado, 3, reuniu integrantes de seu governo responsáveis por prender o que chamou de "quadrilha da Previdência", que, segundo ele, teria sido criada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lula também afirmou que seus adversários "estão com medo porque a cada hora aparece uma coisa nova" envolvendo o caso Master, e acrescentou: "Só falta aparecer quem participou da orgia".

O petista também voltou a enquadrar a disputa eleitoral como um confronto entre projetos. "De um lado tem a democracia e a soberania, do outro a barbárie", afirmou. O principal adversário do presidente, que tenta comandar o País pela quarta vez, é o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em outro momento, disse que "o povo brasileiro vai derrotar a extrema-direita, os fascistas" e afirmou que "do outro lado tem um chefe de quadrilha".

Lula disse que seus adversários "acabaram com tudo e nós reconstruímos" e prometeu fazer uma "revolução educacional e tecnológica" no País. Ao falar da mobilização na reta final, disse que "a Paulista não é da direita, é do povo brasileiro" e repetiu o apelo para que eleitores com mais de 70 anos compareçam às urnas neste domingo, 4. O ato deste sábado encerra a agenda oficial de campanha de Lula antes do primeiro turno.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante caminhada na Rua Augusta, região central de São Paulo, durante o último dia da campanha do 1º turno.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante caminhada na Rua Augusta, região central de São Paulo, durante o último dia da campanha do 1º turno.
Foto: Taba Benedicto/Estadao / Estadão

O petista também voltou ao tema dos cartões de crédito, após a repercussão de declarações feitas na véspera, e afirmou que os bancos não deveriam enviar cartões para clientes que não os solicitaram. Ele ainda criticou os juros cobrados nas operações.

"Os mentirosos ontem tentaram mentir a meu respeito. O que eu acho é que o cartão de crédito tem que ser distribuído com seriedade para quem pedir cartão de crédito. O banco não pode ficar enviando para a casa das pessoas sem as pessoas pedirem", afirmou Lula.

"O sistema financeiro quer ganhar dinheiro, ganha na produção, não extorquindo o povo brasileiro com taxa de juros impagáveis", acrescentou.

A declaração ocorreu após Lula ter sido criticado por uma declaração no Flow Podcast sobre a oferta de múltiplos cartões. Depois da repercussão, ele publicou nas redes sociais que cada cidadão pode ter "quantos cartões quiser" e que sua preocupação era com o endividamento, o envio de cartões sem solicitação e os juros cobrados pelas instituições financeiras.

Lula com as bandeiras de São Paulo e do Brasil em último ato de campanha na capital paulista
Lula com as bandeiras de São Paulo e do Brasil em último ato de campanha na capital paulista
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O presidente e o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), fizeram uma caminhada na Rua Augusta. Também participaram do evento o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o vice-governador na chapa de Haddad, Márcio França (PSB) e as candidatas ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

Os dois principais candidatos à Presidência da República escolheram o Estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, para atos na reta final da campanha neste sábado.

As pesquisas de opinião mais recentes mostram ambos com votação apertada no Estado. De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, 2, Flávio Bolsonaro tem 39% das intenções de voto em São Paulo, enquanto Lula tem 38%, tecnicamente empatados na margem de erro.

Enquanto Lula fez o ato de campanha na capital com políticos aliados, Flávio optou por agenda no interior com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e passou por cidades como Americana e Santa Barbara d'Oeste.

PM pede retirada de caminhões e candidatos reagem

O ato de campanha de Lula e Haddad teve um princípio de confusão antes mesmo de começar. Enquanto os apoiadores aguardavam a chegada dos candidatos, policiais militares pediram a retirada de caminhões posicionados na Rua Augusta, próximos à esquina com a Avenida Paulista.

O secretário nacional de Organização do PT, Laércio Ribeiro, afirmou que a campanha ajustou todos os detalhes do ato com a prefeitura e com a polícia. "Agora, de forma surpreendente, a polícia encosta aqui no caminhão ordenando que o motorista siga a caminhada sem a chegada do presidente da República, sem a chegada do Haddad, da Marina e da Tebet", disse o secretário.

Ao Estadão, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que a PM acompanhava o ato com "reforço do policiamento e atuação integrada com órgãos estaduais e municipais, para garantir a segurança de manifestantes, pedestres e motoristas e preservar a fluidez do trânsito".

O candidato Fernando Haddad chegou a afirmar, durante o ato, que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) tentou impedir a realização da caminhada. "Vocês sabem que o nosso sempre vereador Ricardo Nunes tentou impedir essa manifestação, né? Mas aqui é uma manifestação da paz, do amor e do respeito. Estamos aqui com Lula, encerrando essa campanha de alegria", afirmou Haddad durante discurso aos apoiadores.

Marina Silva também falou à militância e agradeceu a mobilização na reta final. "Obrigada por essa garra de uma militância que segue em frente e não recua", declarou.

Simone Tebet retomou a disputa em torno da realização da caminhada e associou o ato à defesa da soberania nacional. "Tentaram impedir o povo de ocupar a Paulista. Enquanto o senhor for presidente da República, ninguém vai atacar a nossa soberania. Nós já sabemos a resposta que vamos dar amanhã", afirmou.

Estadão
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