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Julgamento do Mensalão

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Advogado: como Lula, Jacinto Lamas não sabia de nada

10 ago 2012 - 18h22
(atualizado às 20h31)
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Fernando Diniz
Direto de Brasília

O ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas é um "zero à esquerda" em política e sacou dinheiro de suposta propina a pedido do então presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta sexta-feira o advogado Délio Lins e Silva Júnior no Supremo Tribunal Federal (STF). O defensor alegou que seu cliente não sabia de nenhum ilícito assim como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse desconhecer o suposto esquema do mensalão e não figura como réu na ação penal.

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"É tão fácil acreditar no presidente Lula quando ele diz que nada sabia e é tão difícil acreditar em Jacinto quando ele diz que nada sabia, sem que exista um único depoimento nos autos que afirme o contrário", afirmou o advogado, em referência à defesa do presidente do PTB, Roberto Jefferson, que cita o ex-presidente.

Tesoureiro do PL (atual PR) na época do escândalo, Jacinto Lamas trabalhava como assessor do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e responde por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Lamas é acusado pela procuradoria de sacar R$ 1 milhão do valerioduto para o partido. O Ministério Público também aponta o ex-tesoureiro como responsável pela indicação da empresa Garanhuns Empreendimentos a Marcos Valério como mecanismo para viabilizar o pagamento seguro de propina.

Segundo Délio Júnior, Jacinto não tinha importância no Partido Liberal e era apenas responsável por repasses à publicidade do partido. "Jacinto não possuía poder político para influenciar em votações. Valdemar da Costa Neto controlava desde a compra de uma caneta ou café até reuniões políticas e votações. Jacinto Lamas era um zero à esquerda em política", disse.

O advogado afirmou que Lamas não sabia de uma suposta origem ilícita do dinheiro ao sacar dinheiro no Banco Rural sete vezes a pedido de Valdemar. "Quem em sã consciência recebe propina e dá recibo?", perguntou. "O único beneficiário é Valdemar da Costa Neto. Jacinto não recebeu um tostão furado do esquema", disse o advogado.

Sobre o contrato com a Garanhuns, Junior disse que o publicitário Marcos Valério corrigiu, em juízo, seu depoimento que havia imputado a Jacinto Lamas a responsabilidade do contrato. "O Ministério Público se baseou em um único depoimento de Marcos Valério, de que o contrato foi de responsabilidade de Jacinto, mas ele abandona esse depoimento e abandona de forma expressa inclusive em juízo", destacou.

No início da sustentação oral, o advogado afirmou que seu cliente "cumpre pena" há sete anos por causa das acusações. "Seus filhos cresceram ouvindo seu pai ser chamado de mensaleiro", disse, afirmando que não negaria a existência do esquema em sua defesa. "Se o mensalão existiu ou não, eu deixo para vossas excelências. O que me cabe aqui é mostrar que, se ele existiu, Jacinto Lamas dele não participou."

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

Fonte: Terra
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