Homem que aparece em vídeo não foi preso por fazer Pix para 8 de Janeiro
GRAVAÇÃO MOSTRA DETENÇÃO DE POLICIAL QUE PARTICIPOU DE ATOS GOLPISTAS, NÃO EMPRESÁRIO QUE AJUDOU A FINANCIAR PROTESTOS
É falso que um vídeo mostre um idoso preso por enviar um Pix de R$ 500 para os atos de 8 de Janeiro. As imagens registram a detenção do ex-policial Marco Alexandre Machado, condenado pelo STF a 14 anos de prisão por participar dos ataques antidemocráticos. A alegação sobre o financiamento via transferência bancária refere-se a outra pessoa: o empresário Alcides Hahn, também sentenciado a 14 anos por ter repassado R$ 500 para fretar um ônibus que transportou manifestantes a Brasília.
O que estão compartilhando: vídeo mostraria um idoso sendo preso a mando de Alexandre de Moraes por ter feito um Pix de R$ 500 para apoiar manifestantes do 8 de Janeiro.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O vídeo em questão mostra o ex-policial Marco Alexandre Machado sendo recolhido pela Polícia Militar de Minas Gerais após ser condenado a 14 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação no 8 de Janeiro. O empresário que foi preso por financiar os atos com R$ 500 chama-se Alcides Hahn.
Saiba mais: Marco Alexandre Machado de Araújo, o homem que aparece no vídeo, é ex-policial militar condenado por crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada no dia dos ataques antidemocráticos. Leitores pediram a checagem deste conteúdo por meio do WhatsApp (11) 97683-7490.
Marco Alexandre foi sentenciado a 14 anos de prisão. Ele foi preso em 20 de abril de 2023 após se apresentar à sede da Polícia Federal em Brasília. Em 11 de abril de 2025 o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a detenção preventiva domiciliar dele, com uso de tornozeleira eletrônica.
Em 17 de abril deste ano, o julgamento sobre o caso foi concluído e houve uma expedição de mandado para o cumprimento da pena. Marcos Alexandre, então, foi recolhido em Uberlândia (MG). Este é o momento registrado no vídeo viral que circula nas redes sociais. Ele retornou à prisão domiciliar devido a um diagnóstico de transtorno mental grave esquizoafetivo e histórico de cumprimento correto de medidas cautelares.
O caso de um homem preso por financiar os ataques do 8 de Janeiro se refere, na verdade, a outra pessoa, o empresário Alcides Hahn. Ele financiou com R$ 500 um ônibus fretado que levou 41 manifestantes de Blumenau (SC) para o Distrito Federal. Alcides também foi condenado a 14 anos de prisão por abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada.
Outros dois empresários foram condenados na mesma ação penal pelos mesmos crimes: Rene Afonso Mahnke, que transferiu R$ 1 mil para a empresa de transporte, e Vilamir Valmor Romanoski, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como liderança das mobilizações pró-Bolsonaro em Blumenau, que repassou mais de R$ 10 mil para a contratação do veículo e organizou o recrutamento de manifestantes e a distribuição de vagas no ônibus.
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